Nostalgia Pop

E tenho o vinil para comprovar a minha futilidade musical.

Anúncios

Falando com Toda a Franqueza

Vamos lá a outra generalização eventualmente abusiva, com a ressalva de eu a reconhecer enquanto tal e admitir as canónicas ressalvas, excepções e demais salamaleques formais para não me chamarem simplista e maniqueísta (que o sou, mas não às sextas).

A única coisa em que o (bom) ensino privado teria razões para me atrair enquanto encarregado de educação é a questão da segurança. Não que as escolas públicas sejam inseguras na sua generalidade, mas a verdade é que no ensino privado que se leva a sério as regras são para cumprir e as condescendências ficam do lado de fora do portão, pois a malta que paga propinas de centenas de euros quer os seus rebentos em bom estado de conservação. Como eu, claro, e como todos devemos querer. Só que os chamados “colégios” não entram em compromissos, negociações ou contratos disciplinares, praticam uma jeitosa segregação social e mesmo os riquinhos malandros são obrigados a andar na linha e é se não querem que os pais de eventuais vítimas (na verdadeira acepção da palavra e não naquela usada nas teorias da vitimização) puxem dos galões do protesto ajoujado nos cifrões.

Porque em termos de “qualidade” do ensino e das metodologias usadas, sempre me interroguei como é que conseguem ser assim tão melhores se a maioria dos professores em exercício nessas instituições foram formados e fizeram boa parte da sua carreira no ensino público ou até ainda lá estão ou são contratados que nem conseguiram entrar nos concursos das públicas. E para mim também sempre foi um mistério os professores das escolas públicas que, quando leccionam em part-time nas privadas – ou optaram por o fazer em exclusivo -, são dos primeiros a criticar a falta de qualidade das escolas públicas. Em alguns casos eu sei a resposta… há quem se poupa(sse) bem nas horas no ensino público para poder aparecer em grande forma nos seus biscates privados. Claro que há aqueles que culpam a “gestão”, no que só têm parcialmente razão, mas quantas vezes também tiveram responsabilidades directas nessa matéria, valendo-se mesmo desse seu currículo para ascender a cargos de intermédia ou mais nas escolas privadas?

A grande diferença é que as regras a cumprir no sector privado são muito mais rigorosas e sem margens para engonhanços, algo em que são especialistas alguns turbo-docentes que exploram todas as possibilidades de tornear as obrigações na básica ou secundária, mas nem levantam ondas na privada, para garantir o suplemento remuneratório oficial (e às vezes o oficioso). E não é nada raro que o excelente profissional do privado seja uma lástima no público. Assim como os contratados, nesse caso por questões de sobrevivência, aceitam ser explorados até à medula em troca de uma frágil colocação.

Se os alunos ganham com isso?

Talvez.

Mas eu repito… só em termos de segurança e de gestão de comportamentos e indisciplina na sala de aula e restantes espaços (com excepções, claro) é que eu reconheço alguma real vantagem aos bons colégios privados.

Aquela história das metodologias mais avançadas, do acompanhamento mais permanente, do apoio sempre disponível, etc, é tudo uma imensa treta que se resume a alunos com muito maiores meios de estudo ao seu dispor, escassa margem para fugirem ás regras e uma presença e pressão familiar muito maior. Porque praticam uma selecção à entrada e querem assim manter-se, enquanto as escolas públicas são de acesso universal e têm a pressão inversa. A de quase tudo tolerar. E nem sempre as coisas correm bem.

Gaiola

 

Aromas de Esquerda

Eu sei que as generalizações são injustas. Sei que há sempre excepções, minorias maiores ou menores, regras e fronteiras que se movem e não dividem tudo em bom e mau. E nem sequer acho que do outro lado esteja a virtude. Só que não sou capaz de negar que quando a esquerda (não vou usar agora a maiúscula) chega ao poder em matéria de Educação -mesmo quando eu estive a puxar para que ela chegasse ao poder –  fico logo com aquele receio desgraçado de que a seguir venha aquela típica atitude de excessiva compreensão por tudo e mais alguma coisa, típica dos traumas com os autoritarismos e cheia de pré-conceitos acerca da necessidade de não discriminar mais os desfavorecidos. Traduzindo para português educacional das últimas décadas do século passado… não tornar a escola um mecanismo de reprodução das desigualdades (bourdieu em doses fortes, bernstein só para os eruditos, perrenoud para os francófilos, apple para os atlantistas, hargreaves para os apenas anglófilos). Não chumbar os alunos, porque a maioria é socio-economicamente mais vulnerável e o insucesso tende a reproduzir-se (claro! se nada se fizer de diferente, claro que quem não percebeu ou nem quis perceber, assim continuará), não ser muito severo com a disciplina porque temos de compreender o contexto dos alunos (aguardo uma previsível nomeação sebastiãnica para um novo observatório sobre a não-violência escolar e lições de moral aos professores socialmente insensíveis que se preocupam com a vitimização de alguns alunos)

É tudo muito bonito e bem intencionado. A sério que é.

Mas na maior parte dos casos é ineficaz, contraproducente e resvala, ao fim de um par de anos, para o que científica e sociologicamente podemos definir como bandalheira que até dói. E, principalmente, é uma atitude profundamente preconceituosa na pretensa luta contra os preconceitos e preguiçosa na forma de solucionar os problemas.

Já estou cansado de escrever que se existe uma relação evidente (mesmo que não determinista) entre o baixo estatuto socio-económico das famílias e o insucesso escolar, a solução mais estrutural e com efeitos mais duradouros é a elevação desse estatuto e não a sucessiva alteração das vias curriculares ou das regras da avaliação, por forma a reduzir administrativamente o insucesso ou o abandono. E se a indisciplina é causada por disfunções sociais e a desagregação dos valores tradicionais, se calhar a intervenção deve ser feita no combate a tais disfuncionalidades e na apresentação de modelos de comportamento e sucesso que sirvam como bons exemplos a seguir pelos que mais do que se rebelar geracional e saudavelmente contra as regras tradicionais apenas se preocupam em dar cabo disto tudo porque não me acontece nada.

Será que sou de direita em matéria de Educação porque acho que a qualidade não aumenta de forma artificial, deslocando os parâmetros da sua definição? Porque acho que é intervindo na sociedade que se criam condições para que os mais desfavorecidos deixem de o ser e ganhem melhores condições para o seu desempenho escolar (há uns tempos acho que isto seria esquerdismo, agora já não sei) e não obrigando a Escola a fazer o que fora dos seus portões ninguém mais faz? Porque não acredito que é retirando todos os obstáculos à progressão que se criam melhores alunos? Porque acredito que é equipando as escolas com meios humanos especializados (e não apenas computadores ou animadores) que se conseguem despistar, enquadrar e resolver de forma individualizada as diferentes problemáticas dos alunos, algumas das quais nem são específicas do foro educacional e residem muito mais nas condições do grupo humano envolvente, família tradicional ou outra (penso que isto já faz de mim esquerdista e despesista)?

Ou será que estou mais preocupado em resolver os problemas concretos dos alunos do que em provar teorias que li, nas quais me filiei e sem as quais me sinto perdido numa realidade caótica e que não se integra em modelos conceptuais que de tão perfeitos esbarram sempre na aspereza do quotidiano?

esquerda-direita-reaca-comu

Falido

É curioso como é necessário um caso dramático para começarem a tocar campainhas de alarme em relação ao sistema de apoio a jovens e crianças maltratadas ou em situação de enorme vulnerabilidade.

Só que como é daquelas coisas sociais, que até implica despesa, até havendo sempre caridades que podem ajudar, o desinvestimento colocou o sistema para lá do ponto de colapso.

É só perguntar a qualquer DT de uma zona mais deprimida em termos económicos e sociais para ficar a saber a morosidade dos processos de sinalização das situações de risco e as razões que levam a tal… serviços em instalações que não garantem qualquer privacidade, meios humanos reduzidíssimos, fraco apoio em torno de quem tem de encaminhar e tomar decisões profundamente delicadas sobre a vida familiar de crianças e adultos. Uma verdadeira tragédia que só vem ao superfície quando alguém é atirado ao mar ou para dentro de um contentor de lixo.

munch01

Um Pouco Mais de 30 Dinheiros

A incompetência reguladora, a selectiva miopia de alguns sobredotados para a coisa política pantanosa tem a sua generosa compensação. Lendo isto, pode pensar-se que estes vítores são ronaldos ou messis da finança internacional, quando muitas vezes não passam daqueles medianos chuta-bolas que oportunamente fazem auto-golo no Chibaretsky-Karkanhovo na Taça do Nenhuristão, permitindo avultados ganhos aos argutos apostadores tão interessados nessa potência futebolística mundial.

Saco de couro com moedas antigas.