After Hours

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Contra-Capa

Algumas das palavras de quem lá esteve. Muitas mais ficaram por escrever. Como já destaquei, muita gente revelou alguma dificuldade ou incómodo em revisitar as emoções e esperanças que fizeram aquele dia e que nenhuma grelha analítica ou esforços para limitar ou manipular a Memória podem apagar.

Contracapa

Indeterminismos

O estudo referido em post anterior sobre a relação entre alguns factores de contexto socio-económico e o desempenho dos alunos do 3º ciclo do Ensino Básico (considerando como sucesso um percurso sem retenções e nota positiva nas provas finais de 9º ano) tem, como já escrevi algumas constatações que, globalmente, correspondem às nossas percepções comuns. Seguem-se alguns quadros nesse sentido:

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Só que o que são percepções globais que até coincidem com evidências locais (a combinação de mais ASE com menos habilitações das mães tenderá a corresponder a menor sucesso escolar dos alunos) podem ter paradoxos ao nível distrital.

Vejamos o caso de Setúbal: é dos distritos em que as mães têm, em média, habilitações mais elevadas e em que há menor peso de alunos com apoios da ASE mas, estranhamente ou não, existe o segundo nível mais baixo de sucesso, também em média. Ou seja, sempre de acordo com as médias, é um distrito com bom nível cultural e económico das famílias, mas péssimo desempenho escolar. O que contraria as teses gerais.

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Só não digo que sejam bem vindos ao meu quotidiano, porque o contexto local em que lecciono é muito mais próximo das teorias de Bourdieu que agora andam a ser recuperadas a toda a força.

Comentadores Instantâneos

A Direcção-Geral de Estatísticas da Educação produziu um estudo sobre os as desigualdades socio-económicas e os resultados escolares dos alunos do 3º ciclo regular. A comunicação social agarrou no tema e abordou-o pela perspectiva do peso dessas condições, embora de forma não determinista, no desempenho dos alunos ou da relação do sucesso dos alunos com a escolaridade das mães.

A partir dos dados, lendo-se o estudo, há conclusões bastante lógicas e evidentes e outras mais matizadas. Já o que é a preto e branco é a inanidade de alguns comentários, em especial à peça do DN, feitos por especialistas instantâne@s em Educação que acham que o mais importante é debitar a sua teoria, independentemente de qualquer análise da informação disponível.

Hipo

Silêncio

Escasseia, em especial nos espaços onde todos acham que ter voz é berrar a plenos pulmões a insignificância dos conteúdos. Berro, logo existo. Já nem é exclusivo da rebeldia juvenil, parece ter-se tornado uma forma de estar como modo de afirmação pessoal. Estende-se, de forma contínua dos espaços públicos para as vivências privadas, invadindo-nos sem pedir licença e estranhando quem não partilha a volúpia do disparate ampliado por n decibéis. Conseguir momentos para respirar silêncio é um luxo cada vez mais raro.

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