Como Pegar Nisto?

Pela promessa de me irem rejuvenescer?

Governo quer funcionários públicos mais novos

Pelo delírio de achar que com carreiras congeladas se atraem talentos como um programa de televisão?

Ministério da Modernização Administrativa lança projecto para atracção de talentos para o Estado.

Ou pela barriga de aluguer?

Segundo o ministério, está actualmente em estudo um projecto piloto de Centro de Competência de TIC, “a incubar dentro de um organismo já existente, que permita experimentar e testar modelos de contratação e atracção de talento; financiamento; prestação de serviços partilhados e rotação de colaboradores entre organismos da Administração Pública e o Centro de Competência.

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Das Reformas em Educação

Há muito mais passagens interessantes, mas estas (pp. 72 e 91-93) servem muito bem para demonstrar de modo muito claro porque devem as reformas educativas ser feitas em diálogo com os professores, mobilizando-os, envolvendo-os, reconhecendo-lhes o mérito, motivando-os e não os desprezando. Ou seja, ao contrário do que é prática corrente em mais de uma década, período durante o qual pareceu ser ponto de honra por parte dos governos e suas extensões comunicacionais menorizar e/ou diabolizar publicamente os professores como empecilhos e não como parte integrante e indispensável das soluções. E isso é para mim a essência da coisa.

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Da Profissionalidade

O estudo da OCDE sobre a profissionalidade à volta do mundo tem dados muito interessantes, correspondendo ao equivalente ao nosso 3º ciclo do Básico. Gosto mais destes estudos gerais, não encomendados para um país, porque as comparações são mais abertas e descomprometidas com agendas particulares.

O primeiro quadro corresponde aos elementos do que é entendido por profissionalidade (prefiro esse termo à tradução directa para profissionalismo) dos professores. O segundo corresponde à posição de cada país no índice da profissionalidade docente (Portugal está em último lugar na tabela). A tabela que surge em terceiro lugar apresenta a classificação em cada parâmetro global do índice, sendo bem visível que a situação mais problemática é a da (falta de) autonomia dos professores portugueses. Por fim, temos o quadro em que se cruza o nível de profissionalidade dos professores com o desempenho dos alunos e – paradoxalmente ou não – este não é negativamente afectado pelos problemas que envolvem a profissão docente, pois até está bem acima do de alunos de países que dão melhores condições ao exercício da docência.

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Atributos

O estudo é Teaching Excellence through Professional Learning and Policy Reform – Lessos from Around the World (Andreas Schleicher, OCDE, 2016, p 26):

Some attributes of effective teachers

Teaching is a complex task that involves interactions with a great variety of learners in a wide range of different circumstances. It is clear there is not a single set of teacher attributes and behaviours that is universally effective for all types of students and learning environments, especially when schooling varies in many ways across different countries. That said, one consistent finding is that effective teachers are intellectually capable people who are articulate and knowledgeable, and are able to think, communicate and plan systematically. Students achieve more with teachers who perform well on tests of literacy and verbal ability (Gustafsson, 2003; Rice, 2003).

In an influential study, Shulman (1992) identified five broad areas for the development of professional knowledge and expertise in teaching:

  • Behaviour – effectiveness is evidenced by teacher behaviour and student learning outcomes.
  • Cognition – teachers as intelligent, thoughtful, sentient beings, characterised by intentions, strategies, decisions and reflections.
  • Content – the nature and adequacy of teacher knowledge of the substance of the curriculum being taught.
  • Character – the teachers serve as moral agents, deploying a moral-pedagogical craft.
  • Knowledge of, and sensitivity to, the cultural, social and political contexts and the environments of their students.

Studies by Lingard et al. (2002) and Ayres et al. (2000) identified a range of personal competencies that influence the quality and effectiveness of teaching: sound subject knowledge; communication skills; the ability to relate to individual students; self-management skills; organisational skills; classroom-management skills; problem-solving skills; a repertoire of teaching methods; teamwork skills; and research skills.

A key question for research and policy has always been: What distinguishes excellent teaching from merely good teaching? One strand of research tries to identify the attributes of expert teachers. For example, Hattie (2003) drew on an extensive review of research to identify five essential skills that distinguish highly competent teachers. He considers expert teachers as those who can: identify essential representations of their subject, based on how they organise and use their content knowledge; guide learning through classroom interactions by creating optimal classroom environments; monitor student learning and provide feedback; promote effective outcomes through the manner in which they treat students, and their passion for teaching and learning; and influence student outcomes by engaging students, providing challenging tasks and goals, and enhancing “deep” learning or understanding.

Based on a review of the literature reported in Berliner (2001, 2004), expert teachers are characterised as those who: make better use of knowledge; have extensive knowledge of pedagogical content, including deep representations of subject-matter knowledge; have better problem-solving strategies; can better adapt and modify goals to suit individual diverse learners; can improvise better; are better at making decisions; present more challenging objectives; maintain better classroom climate; have better perceptions of classroom events; are better able to read cues from students; are more sensitive to context; monitor learning better and provide feedback to students; test hypotheses more frequently; hold greater respect for students; and display more passion for teaching.

Sternberg and Horvath (1995) used findings from psychological research to distinguish experts from novices. They found that experts bring more knowledge to bear in solving problems than do novices; experts are able to solve problems more efficiently than are novices; and experts are more able to arrive at insightful solutions to problems than are novices. According to Sternberg and Horvath, it is the store of knowledge that expert teachers hold that accounts for their ability to solve problems more efficiently and to arrive at more insightful solutions than novices.

Westerman (1991) investigated how teachers develop their decision-making skills and found that one of the notable differences between novices and experts was the latter’s ability to combine new subject-content knowledge with prior knowledge.

Many, if not most, of the key attributes and skills of successful teachers will only become evident once they are in the job. Formal, measurable skills are necessary but not sufficient; they must be complemented by the intangible qualities that are difficult to quantify. Processes must be put in place to identify those qualities when determining who enters teacher education, the criteria for qualification as a teacher, and the basis on which teachers are selected for employment and career advancement.

Nutty

Incompreensão

A minha. Sou um info-excluído em matéria financeira especializada.

Vejamos.

Colocamos o dinheiro nos bancos e eles podem aplicá-lo como bem entendem e em troca desse uso dão-nos um juro. Que cada vez é mais próximo do zero. E aplicam taxas para o movimentarmos que levam mais do que esse juro. Convencem-nos a usar cartões porque é mais prático e seguro do que andar cheios (cheios, é como quem diz…) de notas na carteira e é mais barato porque são necessários menos funcionários para nos atender, mas depois cobram o uso desses cartões, levando-nos mais dinheiro do que se formos às caixas. Convencem-nos a não receber extractos em papel porque até mais económico e ecológico, mas começam a cobrar-nos o envio por via electrónica. Fazem tudo, com a colaboração das empresas oligo ou monopolistas de serviços básicos, a pagar tais serviços por transferência bancária mas depois querem cobrar esses pagamentos. Mesmo assim têm prejuízo. Prometem-nos crédito fácil e quase que o enfiam pelos nossos olhos em publicidade e assédio telefónico, mas depois queixam-se que ele fica mal parado. Andam de mão estendida à espera que angolanos, espanhóis, chineses, guineenses equatoriais (é assim que se diz?) metam lá dinheiro. Mesmo assim entram em falência. E nós – os que lá depositámos o dinheiro, pagamos cartões e taxas, não recebendo praticamente juros – é que lhes pagamos com os impostos. E ainda nos aparecem os ulricos a dar lições de aguentismo? O que eu gostava mesmo de saber é onde os seus papagaios na comunicação social, aqueles que produzem informação diária e semanal sobre estas matérias em papel ou nos ecrãs, têm o seu dinheirinho depositado. Só para saber se são tão parvos como nós ou se apenas nos andam a enganar em troco de publicidade ou umas prebendas implícitas e não tributáveis.

Capitalismo

 

Anexo H

Sempre relevante nas informações do CIREP. Não dá para deduzir quase nada e a informação técnica para preencher desespera o manga d’alpaca mais dedicado, mas…

Portaria n.º 32/2016 – Diário da República n.º 39/2016, Série I de 2016-02-25

Finanças
Aprova o novo modelo de impresso Anexo H – benefícios fiscais e deduções – da declaração Modelo 3 de IRS, e respetivas instruções de preenchimento.
sheldon-throwspapers

Resiliência, Teimosia, Indiferença

Falávamos ontem ao jantar sobre bullying (pai e mãe professores, petiza aluna) e o que pode ser considerado como tal, bem como aquilo que é na mesma mau mesmo sem nome em estrangeiro. Confesso ter um conceito razoavelmente restrito do que pode ser considerada tal modalidade de assédio em forma de tortura física ou psicológica continuada. Para mim, nem tudo é bullying só porque é moda dizer isso, nem desculpabilizo práticas que alguns acham ser naturais porque sempre foi assim entre miúdos e nem todos estamos traumatizados. Depende.

A extrema violência física ou verbal é extremamente grave mas não é bullying, assim como muitas vezes a tal tortura psicológica prolongada no tempo é mais complicada que a mera provocação física mais ou menos intermitente. E esse tal bullying ou assédio é plural,. não se limitando às relações entre alunos (e cada vez mais entre alunas, mesmo no plano da agressão física). Assisto a um crescente número de situações de assédio/tortura psicológica de alunos/turmas sobre docentes, assim que lhes encontram um ponto fraco ou em busca dessa mesma eventual fragilidade. Seria um acto de coragem cívica, o ME revelar a evolução dos números de atestados por baixa psicológica de professores porque se muitos podem resultar de contingências da vida pessoal ou familiar, muitos mais são causa directa da pressão intolerável dos alunos, encarregados de educação, órgãos de gestão ou mesmo colegas com assinalável deformação de carácter.

E há, evidentemente, também o bullying sobre os alunos, praticado por professores. Para evitar pruridos, vou remeter-me a memórias pessoais do meu 3º ciclo, na disciplina de História, aquela em que acabei por fazer a minha formação académica. Só muito tarde, já professor, analisei retrospectivamente o comportamento da minha professora desses anos que, por circunstâncias raras, foi a mesma durante os 3 anos, numa escola secundária recente da margem sul mais delirante.

Por motivos que nunca consegui perceber bem – eu por essas alturas era um apasmaçado paz d’alma, que nem palavrões dizia para desgosto dos meus colegas, delegado de turma para todas as ocasiões e conselhos de turma disciplinares arrefinfados com regularidade a muitos dos meus colegas de então, em especial no 7º e 9º anos em que muitas aulas pareciam territórios sob passagem de hordas de vândalos – a dita senhora professora decidiu embirrar comigo, em especial desde o 8ºano (ou eu nem me lembro de tal coisa no 7º, tamanho o caos envolvente). Foi ela que me deu a única negativa da vida porque (guardo ainda o teste como souvenir), alegadamente, eu e os meus colegas tínhamos copiado, tendo ela descontado tudo o que apareceu (mesmo que bem) respondido de forma semelhante em testes feitos em pontas opostas da sala (a verdade é que ela se esquecera de um exemplar na sala de outra turma, que nos foi passado por esses colegas, tendo depois toda a turma preparado as respostas ao teste na aula de Electrotecnia com a cumplicidade do professor em causa, com resultados diferentes na realização do teste, porque uns sabiam a matéria mesmo e os outros apenas conseguiram lembrar-se de algumas coisas e mal. Mas nunca algum de nós pensou sequer em contar-lhe a verdade, preferindo todos sofrer o castigo da repetição do teste e das notas negativas). E a partir daí decidiu que eu tinha de fazer tudo em quase duplicado para ter uma nota decente (nível 4, que tive em oito dos nove períodos em que ela me avaliou) e pareceu embirrar especialmente por eu me dar bem com os alunos fracos da turma, sermos bastante unidos e andarmos sempre a jogar à bola. No 9º ano a coisa continuou, com críticas bastante regulares e conseguindo mesmo um dia meter-me na rua porque – no meio de uma aula em que quase ninguém estava sequer sentado no lugar – eu atirei um papel à cabeça de uma colega. Nem sei como não acabei suspenso por tal imenso crime. Contaram-me mais tarde outros professores que me deu 5 nesse final de 9º ano por pressão da maior parte dos seus colegas que não percebiam exactamente porque um tipo do mais pacato, com caderninho totó com a matéria passada e com notas sempre acima dos 80-90% , tinha de levar com mais um 4 ao fim de três anos de martírio.

A verdade é que na altura quase tudo aquilo me parecia natural, não reagindo sequer aos desmandos sem ser com algum espanto, seguido de conformismo perante as consequências do que eu teria feito de errado sem perceber. Jogar à bola? Tirar boas notas sem ter comprado o manual?

No 10º e 11º ano tive um professor completamente diferente (Mário Trindade, lembro-me bem, como do professor Artur de Estudos Sociais de 1º ano de Preparatório) que, por acaso, até me disse que eu parecia ter jeito para História, para pesquisar, ler e fazer trabalhos, o que apagou da minha memória imediata o que tivera de aturar antes e que, olhando a 35 anos de distância, se me aparece como um caso soft (claro!) de bullying professora/aluno. Acabei por ir para História por causa disso? Não. O caso positivo superou a experiência negativa. Mas acho que fui defendido, principalmente, pela minha capacidade de indiferença perante o abuso.

Só que nem sempre as coisas são assim. Seja em que modalidade for. Aluno/aluno; professor/aluno; aluno/professor, professor/professor, direcção/professor, encarregados de educação/professor, tutela/professores. Se pensarmos bem… professores e alunos são, mesmo se com configurações diferentes porque no caso dos adultos é tudo quase exclusivamente do foro psicológico com mazelas menos fotografáveis, igualmente vítimas de fenómenos de assédio e pressão destinadas a desmoralizar em especial quem resiste à estupidez de muitos mecanismos de peer pressure ou ousa inconformismo em relação às regras de bom tom. O que é diferente de ser coitadinh@, porque essa modalidade acaba muitas vezes povoada por oportunistas, especialistas na arte da chantagem passiva-agressiva.

Voltando ao início, depois desta longa digressão e sem um sentido aparente para além do desabafo em manhã de chuva sem actividades lectivas. Resiliência, capacidade de resistir, pela teimosia ou pela indiferença, é uma das poucas armas contra o exercício continuado da estupidez e crueldade por parte de quem isola vítimas e as persegue, normalmente com a coragem da matilha, tentando destruir a sua estabilidade e liberdade.

É obrigação de todos nós estarmos atentos ao que se passa à nossa volta. E prestar apoio a quem dele necessita, ser solidário com que precisa e não com quem apenas é parasita. Um dia podemos ser nós a sofrer. mesmo que achemos que não. Dentro ou fora das escolas. Na vida de todos os dias.

Snoopy