A Anunciada Reversão da Reversão

O actual ME demonstra que não está contra o princípio das colocações ad hoc, apenas quer tornar mais célere o procedimento. Estamos tramados na continuidade. Há um ano para tentar evitar a reversão da reversão. E agora gostaria de ver alguns malabarismos que até podem incluir artigo na imprensa diária por parte de alguns negociadores exímios.

Pretende -se, em primeira instância, combater a morosidade e a complexidade do Concurso de Bolsa de Contratação de Escola, tornando o sistema de colocações mais eficaz, eficiente e justo. É desejável a convivência entre um sistema universal e centralizado de colocação do pessoal docente nas escolas e um sistema descentralizado, operacional e eficaz, através do qual cada escola possa contratar com base em critérios adequados ao seu contexto. Contudo, tendo em conta a limitação imposta pelos prazos determinados do procedimento legislativo, aliada à necessidade imperiosa de providenciar um início de ano letivo tranquilo para as famílias e professores, tal ensejo não é, para já, possível.

Alcada

 

Abriu a Temporada…

… da vaga final de testes do período, algo que vou ter de pensar seriamente se continuarei a fazer, em nome da inovação pedagógica, do abandono de atavismos docimológicos e de uma pós-modernidade docente propiciadora de sucesso e prazer aos alunos em vez de andar a chagá-los com questões que não sejam portas para descobertas pessoais relevantes.

Isso tudo e menos 130 testes para ver que, a 10 minutos cada (sem contar as composições no caso do Português) como de dizia uma colega minha, ainda dá coisa de 1300 minutos de trabalho, não sei bem se contando com assaduras, digo, grelhaduras, pelo meio, o que ainda é muito tempo em horas da nossa vida que encurta a cada momento para a gastarmos com coisas destas que ainda servem para sermos ofendidos a cada esquina por sermos velhos e in the box.

Realmente, parvos somos nós por ainda estarmos agarrados ao passado, dentro da nossa zona de conforto, incapazes de novos paradigmas. Olhando daqui, neste momento, acho que já estive mais longe de me converter ao pós-modernismo de finais do século XX e adoptar a estratégia do tá-se bem, don’t bother, brother.

yosemite2

Inovação

O que agora parece não nos faltar é propostas de “escolas do futuro”, com salas de aula cheias de “inovação”. Encontro três traços comuns, assim à vista desarmada, na maioria destas escolas: uma arquitectura do tipo open space com mobiliário confortável para um tipo estar reclinado; pessoal descontraído a fazer o que lhe apetece, quantas vezes agarrados a gadgets e a tese de que o que interessa é fazer diferente, desarrumar ideias, experimentar, sem pressões de avaliação calendarizada. O que significa que para ter uma escola inovadora e do futuro basta a grande parte dos adolescentes aprenderem um pouco de marketing e venderem o conceito do seu quarto aos pais. A mim, apesar de mais velhote, já só faltam uns pufs coloridos no meu escritório, porque a desarrumação em open space já lá está e sinto-me bastante bem à descoberta do que me interessa sem a rotina de um horário a cumprir. Para ser muito inovador mesmo, devo acrescentar uma decoração qualquer meio abstracta, desde que peça a um tipo qualquer finlandês ou tailandês para assinar o projecto.

room

Paliçada

O senhor até tem um ar simpático e cordato mas, em abrindo a boca, não dá para disfarçar que é um disparador de lugares comuns. Estar vivo é melhor do que estar morto. Comer uma carcaça lambida por um cachorro é melhor do que não comer nada. Beber água do poço não potável é melhor do que ter sede e por aí adiante. Um portento. Presença regular no programa do José Gomes Ferreira e julgo que deve ser admirado pelo dromedário calvo.Ainda ganha um honoris do duque.

Beavis and Butthead

Honra

Na sondagem desta semana do ComRegras, o tema era o da existência de quadros de honra. As opiniões dividiram-se de forma muito equivalente. Este é o meu comentário, breve qb devido às contingências do fim de semana,a que acrescentarei a imagem dos resultados logo que chegue.

Em defesa da Honra

O facto de se debater, com alguma intensidade em certos momentos e ambientes este tema é um motivo para espanto meu e para pensar que há quem não tenha muito com que ocupar a cabeça. Ou então que há gente com teias ideológicas na cabeça realmente graves.

A minha posição é muito simples: a existência de quadros de honra ou mérito deve ser da exclusiva responsabilidade de cada escola, a partir de decisão do seu Conselho Pedagógico com ratificação pelo Conselho Geral. Isso é autonomia, isso é algo que tem a ver com a cultura e identidade de cada escola.

Se não gostam, acham que é “fascista” ou “prisioneiro da lógica da competição”, que traz mal porque os alunos se tornam menos cooperativos, mas os aprovem. Se acham que é um mecanismo de reconhecimento simbólico do mérito desses mesmos alunos, aprovem-nos e implementem-nos, seja de valor absoluto (média das notas) ou relativo (envolvimento em projectos escolares, desporto, etc).

Como devem calcular, eu defendo a segunda hipótese e tanto mais quanto a pressão for para produzir sucesso a todo o custo vai a par de uma mentalidade igualitarista no pior sentido da indiferenciação. Acho que quando parece que todos devem ter sucesso, se deve dar um estímulo para que esse sucesso seja de qualidade e não apenas o desfecho de uma imposição administrativa. Exactamente para não intensificar a argumentação é que nem desenvolvo o meu pensamento quanto a quem acha que estes quadros são prejudiciais. Limito-me a dizer que seria tão bom que, pelo menos desde o 7º ano, consultassem, sem tentar enviesá-la na apresentação da questão, os alunos acerca disto. Posso estar enganado, mas acho que até muitos dos menos bons em termos académicos concordariam com o princípio de diferenciar simbolicamente os alunos com melhor desempenho académico, disciplinar ou desportivo.

E ficaria tempo para os professores se preocuparem com outras coisas, menos bizantinas.

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