‘Tadinha

Não me apetece comentar este tipo de declarações da sucessora. Há limites para o ponto até ao qual se desce.

A candidata à liderança do CDS-PP, Assunção Cristas, recusa comentar o caso da contratação de Maria Luís Albuquerque, mas alerta que apertar as incompatibilidades pode levar à profissionalização da política ou um parlamento composto apenas por professores.

Stupid3

(Im)Paciências

Hoje, na minha turma das vocações, um aluno veterano com os seus 18 aninhos achou por bem falar para os lados sem especial reserva enquanto fazia o teste. Assinalei-lhe o facto de a anulação dos testes ser uma hipótese bem real. Abespinhado, respondeu-me que já não fazia mais nada, que eu anulasse porque, e cito de forma aproximada, não ando com paciência para fazer estas coisas.

Como eu o compreendo, nem sempre nos apetece alimentar ficções de sucesso. Daí os 4,3 valores, mesmo sem anulação.

Beavis and Butthead

Projectos

Mas querem apostar que aqueles administradores branquinhos alaranjados não perderão nada com estas aventuras mediáticas? O problema é quem acredita nela ou nem tem outra hipótese e fica a arder quando o interesse no investimento desaparece. Porque isto das onegoingues parece-me pior, em termos de credibilidade, do que certas empresas de time-sharing.

Alcatrao2

As Tribos Parolas

Eu acho bem que se defendam os amigos. Assim como acho bem que, nem que seja em privado, se lhes comuniquem as falhas. O que acho menos bem é que se usem argumentos da treta para fazer aquela defesa, em especial quando em público.

O João Miguel Tavares decidiu defender, hoje, o Henrique Raposo naquela polémica parva sobre o seu livro de exorcismo sobre o Alentejo, acabando por prolongá-la para além dos cinco dias canónicos que afirma durarem estas polémicas. O pior é que, num assomo típico da nova intelligenstia mediática, decidiu fazer a defesa de HR em cima de preconceitos perfeitamente simétricos dos que critica.

Resumindo: JMT acha que HR está a ser vítima de uma turba histérica das redes sociais mas também de uns tipos “mais perniciosos” que acumulam diversas maleitas de carácter, a saber: 1) não gostarem de HR por ser de direita e escrever no Expresso; 2) serem comunistas ou cripto-comunistas que não gostam de publicações do “tipo do Pingo Doce”; 3) não perceberem um estilo de escrita de tipo anglo-saxónico (!) que mistura géneros e tem entre nós, segundo JMT, o expoente máximo em Maria Filomena Mónica que terá “numerosas obras” desse tipo; acrescenta, de forma algo enigmática (ou não) que “contêm o risco do erro, mas não o bocejo do papagueio”.

Ora… eu pensei não regressar a este assunto, li a crónica, pensei, pensei (coisa que faço de quando em vez e me faz ficar com grande dor de cabeça), e decidi comentar até porque: 1) me estou nas tintas para HR ser de direita e ainda há duas semanas tive direito a uma página de Expresso em boa parte por causa de um livro; 2) não sou comunista e até publiquei um livro numa colecção do “tipo do Pingo Doce” e ainda pertencer a um dos conselhos da FFMS; 3) conheço este tipo de escrita que não é apenas de tradição anglo-saxónica e que, por acaso, não surge em “numerosas” obras de MFM.

E o meu comentário é… ó João Miguel, deixa-te de tretas (ou de merdas para ser menos delicodoce) sobre esquerdas e direitas, pêcêpês e estilos anglo-saxónicos e gasta o papel do Público a assumir que foi apenas mais um pretexto para meter política onde ela não faz falta, exibir preconceitos e desculpar “erros” de um amigo. Pode ser assim e nem desenvolvamos o tema dos erros e dos pés pelas mãos?

E já agora, que tal exemplificar uma ou duas das “numerosas” obras de MFM que se enquadram neste género (e não sejam meras memórias) e quantas obras anglo-saxónicas leste deste tipo que não tenham equivalente, por exemplo, do lado francófono ou mesmo latino. Só para início de conversa, esse estilo tem muito de europeu continental, sendo eu capaz de ter a ousadia de recomendar a leitura de autores como Claudio Magris (Danúbio), Italo Calvino (O caminho de San Giovanni), Orhan Pamuk (Instambul) ou W. G Sebald (Austerliz e muito mais), para não me estender mais em bacoca erudição. O problema é quando – e eu também já o fiz, por entusiasmo, distracção, mas principalmente por ignorância – se confunde a nossa pequenez com um grande conhecimento das coisas e o tomamos – claro! – pelo único lado justo de uma questão.

snob2

De Pasmosa Relevância

Mais uma mudança nos cabeçalhos oficiais da papelada burrocrática por ordem dos nossos preclaros governantes. Não sei bem a que se deve este tipo de deriva que também acontece sempre que muda a nomenclatura de um ministério, secretaria ou direcção qualquer coisa. Só não percebi se continuamos a trebuchê ou se também querem mudar a fonte. A mim faz-me sempre pensar em qualquer problema infantil de retenção anal. Ou então a uma qualquer fixação logotípica.

Burro2

8 de Março

Foi há 8 anos, a uns parece ontem, a outros parece uma eternidade. A mim parecem oito anos em que pouco mudou para melhor e muita coisa piorou, não me entusiasmando muito com reversões que não são inversões.

Escrevi para preservar alguma memória do que se passou, uma memória pessoal, lacunar, localizada, apesar dos contributos externos. Escrevi contra o apagamento da História e do seu significado quando ele se torna inconveniente. E quer-me parecer que há demasiada gente que prefere relegar o que se passou para o museu dos esquecimentos.

O lançamento só não foi hoje, em grande parte, para não se confundir com outras efemérides do dia.

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