Parvoíce em Estado Puro

Pode ser que este tipo de declarações aparvalhadas deixe em êxtase algumas esquerdas mais histriónicas e que trocam o pensamento pelo lugar comum mais básico, com fundamentação em “estudos” que, se excluirmos os relatórios da OCDE feitos pelo especialista do costume, nunca conseguem nomear com rigor. É bem verdade que neste milénio os nossos primeiros ministros se excederam na arte do disparate sempre que falam em Educação. António Costa é apenas mais um, só que com menos desculpas, por razões de ordem familiar. Ou não, pois nunca se sabe o que anda pela cabeça das pessoas. Já me cansei de tentar que se distinguisse uma prova final com 30% de peso na classificação de um exame eliminatório. É escusado; pior do que gente burra é aquela gente que sabe que está a distorcer a verdade mas o faz por conveniência demagógica e populista. É o que acho de muita gente do PS e do Bloco a este respeito. Sabem que estão a falsear a verdade, mas insistem nisso. Tal como nos tempos de MLR ou Crato é inútil tentar manter um diálogo ou debate racional, porque eles não estão sequer disponíveis para isso. excluo desta apreciação, os muitos professores no terrenos que colocam o rigor acima da sua filiação partidária. Convivo com eles todos os dias, não os confundo com isabéismoreiras.

Dito tudo isto, gostava apenas de saber porque é que, se estes “exames” são tão maus e tão “nocivas” as “más práticas” das escolas que “afunilavam o seu trabalho só a pensar em preparar os alunos para os ditos cujos, se vai permitir a manutenção este ano da sua realização. Se uma prática é má e os seus efeitos são nocivos, não se entende que se autorize a sua permanência. Porque se era tamanha a urgência pela eliminação da prática de “apuramento da raça” porque é que se anunciou que este ano ainda se pode continuar a fazer isso. O argumento fecal que invoca em vão a “autonomia das escolas” é apenas isso mesmo… algo que fede imenso.Assim como atirar para cima do PR e de ISabel Alçada a paternidade do “compromisso” a esse respeito. Poderia explicar melhor, mas só se valesse a pena perder tempo a bater com a cabeça em cimento. O que não me apetece.

Isto é mau, demasiado mau. Um PM que parece achar que está numa disputa de fedelhos em busca da maior baboseira do pátio. É um espectáculo deprimente e augura um período mau, bastante mau, em termos de Educação se é a este nível que vamos continuar a tentar discutir estes temas.

Por fim, quem achar que este texto é uma defesa de Passos Coelho ou Crato, desengane-se. Passos Coelho é alguém também profundamente ignorante nestas matérias, que só sabe falar depois de ler sebentas mal lambidas. Neste caso, apenas teve a imensa sorte de António Costa ter atingido um patamar novo de excelência na baboseira.

AntCosta

Por Aveiro

A caminho do Porto, passei pelo DIAP de Aveiro, onde prestei novamente declarações – desta vez em forma de acareação – na sequência de uma birrinha de duas criaturas que pairam por sobre uma escola daquela cidade e que, constará dos autos, não tenho a certeza, se terão queixado de mim por ter publicado um texto em que se divulgava uma decisão (mais do que confirmada e real) da direcção (então CAP) dessa escola. O autor do texto já se assumiu enquanto tal, assim como eu confirmei todo o meu envolvimento e procedimentos na coisa (não sou banqueiro, não perco a memória), tendo mesmo facultado (com autorização do interlocutor) a troca de mails que levou à publicação e depois restrição do acesso a esse velho post do Umbigo. Agradeço profundamente aos serviços do Ministério Público de Aveiro a possibilidade de resolver isto em trânsito para o lançamento do meu livro no Porto e a simpatia com que me trataram (tendo aproveitado para adiantar logo, ainda antes de chegar além-Douro uma francesinha logo ali perto no Majestik). O que realmente é fabuloso é que existam criaturas neste nosso país que, no seu esforço por intimidar terceiros e ocultar decisões que são legalmente do foro público, empatem a Justiça com questiúnculas que só podem nascer de uma mentalidade nos antípodas da minha, seja na forma como encaram a liberdade, seja no modo como promovem o desperdício de recursos humanos e materiais do nosso sistema judiciário. Tenho a enorme esperança que se vejam obrigados a pagar custas e que o façam com o que é seu.

Animal FArm

Programa Nacional de Reformas

O essencial do que acho sobre o pilar da qualificação da população disse-o hoje de forma bem nasalada à Antena 1 a abrir o programa Antena Aberta (dos 3’45 aos 9’55) e resumo-o em três pontos:

A expansão do pré-escolar é uma óptima ideia, desde que concretizada, pois se há coisa consensual é que os alunos que têm acesso a este tipo de oferta educativa têm melhores resultados desde o 1º ciclo. Para além de que é nas idades mais precoces que se começam a definir, com alguma clareza, os perfis de desempenho ou as dificuldades dos alunos, sendo gradualmente mais complicado combatê-las à medida que se avança no percurso escolar.

A qualificação dos adultos ao longo da vida é daquelas coisas que a mim já comovem muito pouco, pois os recursos investidos nessa matéria desde os fundos comunitários despejados em Portugal através do Fundo Social Europeu até a todo o aparato certificador das Novas Oportunidades acabaram por serem canalizados essencialmente de acordo com os interesses das entidades formadoras ou para uma estrutura que se preocupou mais em pseudo-certificações do que em assegurar uma real qualificação dos envolvidos. Por isso, se é para ser mais do mesmo, mais vale pouparem o dinheiro. Ou é para ser a sério – e então deve ter uma estrutura leve e virada para a qualificação de quem precisa e não de quem quer embolsar os dinheiros disponíveis -ou mais vale não termos outra vaga de certificação para as estatísticas.

Tudo o que fica no meio destes dois extremos (pré-escolar, qualificação de adultos) fica ao abrigo do conceito da “inovação”, algo que em si mesmo não traz um valor acrescido, apenas sendo um chavão que pouco ou nada quer dizer. Inovar é uma espécie de mantra dos políticos em matéria de Educação que, na maior parte dos casos, se traduz em muito pouco ou em truques administrativos inovadores para produzir sucesso estatístico ou subregistar indicadores incómodos (e olhem que as quebras do abandono escolar mais recente andam em parte por aqui, mas disso um dia logo falaremos…). Defender a inovação é o estribilho a que recorre quem não sabe exactamente o que dizer e chuta para os outros a responsabilidade por concretizar o objectivo.

Sendo assim, temos um bom princípio de que podemos com alguma facilidade avaliar a concretização, um bom princípio recorrente que nos últimos 30 anos raramente deu bons frutos e um “conceito” que tem tudo e nada lá dentro o que, em regra, é meio caminho para dar em pouco.

PG 4