Não Sei se Ria se Chore

O estudo do CNE lê-se rapidamente, em especial se já conhecermos parte dos estudos referidos e se anteciparmos o caminho que vai ser percorrido antes das conclusões mais ou menos parciais. Pensei mesmo que não valeria a pena fazer muitos mais comentários, porque eu poderia ter escrito aquelas sem sequer ter tido acesso aos dados trabalhados. Porque, “tecnicamente”, não há uma conclusão indisputável, há sempre um par de “mas”, umas investigações para todos os gostos e agendas, um exemplo oriental a comprovar que sardinhas em lata produzem génios ao cubo. O que está em causa, em meu empoeirado entendimento, é algo para além disso… é uma ideia do que devem ser as escolas e as opções políticas que se tomam a esse respeito.

Exemplifico… leia-se esta passagem da página 56:

Assim, em tom de síntese, importará considerar os efeitos reais das turmas de dimensão reduzida na eficácia das aprendizagens e no desempenho escolar dos alunos em anos iniciais de escolaridade, nos diversos níveis e ciclos de ensino, a médio e a longo prazo, através de processos de monitorização e avaliação longitudinais. Se, por um lado se reconhece a evidente melhoria das condições de gestão de comportamentos na sala de aula em turmas de dimensão reduzida, por haver uma resposta mais atempada, mais recurso ao feedback, maior apoio e acompanhamento individualizado, por outro são vários os autores que destacam o papel primordial que o professor tem na organização e gestão da sala de aula, na qualidade do ensino. De relevar o impacto da sua qualificação, formação e capacitação na escolha de estratégias e de práticas pedagógicas que lhes permitam adaptar as suas aulas a cada contexto específico, aos interesses e às necessidades dos seus alunos.

Eu traduzo para português corrente: a maior parte dos estudos confirma que é melhor para os alunos em termos de acompanhamento e trabalho individualizado, bem como para o próprio ambiente na sala de aula, a existência de turmas mais pequenas mas há uns quantos outros que dizem que se formarmos professores para isso, até se podem ter aulas com 5o petizes lá dentro.

E é aqui que eu esbarro. Claro que de acordo com esta lógica, se os treinarmos para isso, podemos ter médicos a fazer consultas em grupos de 5 doentes ou juízes a presidir a 3 julgamentos em simultâneo como se fosse uma partida colectiva de xadrez. O que está em causa para mim não é isso… é a qualidade das condições de trabalho para todos os envolvidos. E não me venham sempre com o argumento do dinheiro ou eu desato a ser demagógico em comparações.

Já agora, não dá para perceber pelos quadros seguintes que precisamos de mudar alguma coisa e que não é apenas a capacidade dos professores apagarem mais fogos com uma só mangueira?

TempoTurma

Será difícil perceber que se perde demasiado tempo a manter a ordem nas nossas salas e que isso se faz à custa do tempo de trabalho efectivo com os alunos e que reduzir o seu número traria ganhos evidentes ao tempo utilizado em prol das aprendizagens dos alunos? Reparem lá como a amada Finlândia (quadro de cima) apresenta um ganho de 5 minutos de tempo de ensino/aprendizagem e uma dimensão média das turmas de menos e 3 ou 4 alunos em relação a Portugal?

Eureka?

 

5 thoughts on “Não Sei se Ria se Chore

  1. Nem rir nem chorar, mas IGNORAR. Citam “os autores” referidos? Citam os seus contextos educacionais e as suas culturas? E já agora, por que não termos turmas de 100 ou + alunos, em anfiteatros, como no Oriente? A que “formação e capacitação” d@s professor@s se referem? À que advoga comer-nos a carne, chupar-nos os ossos até ao tutano, esmifrar-nos, em suma, e depois deitar-nos ao lixo, tipo fralda descartável?
    Por que não dizem logo que é pura e simplesmente por motivos económicos e de restrição orçamental? É assim tão difícil assumir?
    Começo a ficar saturada de ouvir esta “gente”, bolas e rebolas!! E ainda têm a lata de dizer que se preocupam com a aprendizagem excelente d@s alun@s! ide-vos catar! Não são @s voss@s filh@s!

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  2. Estes gráficos são interessantes. Dão que pensar.Confesso a minha ignorância, mas o que é a CITE2? O caso do Brasil e da Rússia são outliners , casos que seria bom aprofundar. Estranhei que a Finlândia tenha menos alunos por turma mas gaste a mesma percentagem de tempo de Portugal com a disciplina,enquanto apresenta mais de 80% do tempo dedicado ao ” ensino e aprendizagem”. Será que os horários são iguais? Aulas de 90 min e aulas de 50 minutos não podem ser consideradas equivalentes, acho eu.

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