Muito Bonito…

… muito utópico e libertário mas, como sistema, discordo. Uma coisa são experiências que podem ser notáveis, em seu tempo e no seu contexto. Que até podem ser replicadas, mas que dificilmente podem ser generalizadas e esse é o erro de todas as “alternativas” que querem tornar-se regras. Percebo os muitos entusiasmos das redes sociais, a atração de bastante gente por este tipo de discurso todo soixante-huitard. mas iria ser divertido ler, por exemplo, os articulistas do Observador (que agora lhe deu espaço) a comentar uma Escola Pública baseada nestas metodologias que eu até partilho exactamente como “alternativas”. Quanto ao hábito que agora existe de afirmar que a escola dos dias de hoje é igual – ou comparável – à da Revolução Industrial, apenas me faz pensar que há casulos de onde é difícil sair-se quando se acha que foi de sucesso. Sim, sei que se nada escrevesse sobre a entrevista de José Pacheco ou se apenas recomendasse a sua leitura atenta não perderia “amigos” nas redes sociais, mas não seria a mesma coisa.

Bombista

12 thoughts on “Muito Bonito…

  1. Levanta questões mais interessantes que as respostas que dá.

    Em fundo, ficam estas questões: por que é que a escola é uma das instituições que menos mudou no mundo contemporâneo? Que consequências isso tem?

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    1. Se calhar não mudou tanto como quereriam alguns, mas mudou em muita coisa. E no que não mudou talvez tenha sido porque … ideia peregrina … a sua organização tem alguma lógica, com o padrão que alguns acham ultrapassado (mas eu estou cansado de escrever e dizer que as visões conflituantes remontam aos mesmos tempos e a libertária até é mais antiga se formos recuar até ao Sócrates-filósofo) e as “alternativas” enquanto tal.

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  2. Acho esse titulo (não li o artigo) é um disparate. Eu sou pela mistura de tudo o que funciona em cada situação: sejam as aulas passivas ou ativas. Consoante as situações temos de adaptar, o que significa conhecer tudo para escolher o melhor em cada caso. É o que faço. Acho um disparate arranjar uns pufs e por os meninos a pesquisar no tlm. Faço isso numa sala normal, com eles sentados todos direitinhos, a trabalhar em silêncio.

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    1. A mim também me espanta (e entristece-me)…faz-me ver o quão atrasados estamos…não é porque ache que a escola da ponte (ou as metodologias MEM do qual fui aluno no 1ºciclo) seja o futuro radioso dos amanhãs que cantam…espanta-me e entristece-me que 30 anos depois de ter saído da escola primária não haja mais escolas da ponte, mas escolas do lago, da praia, enfim escolas diferentes entre si, e estejamos presos (de uma forma totalitária) a apenas um modelo de escola (apesar de também achar que muitas das amarras somos nós, professores, que as criamos). A escola da ponte não tem de ser o modelo (nem funcionaria de forma normalizada), mas poderia ser um modelo mais disseminado…

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  3. Estive há pouco tempo com o José Pacheco num encontro e ainda na semana passada fui com uma delegação da minha escola (agrupamento) à escola da Ponte. Não obstante considerar que o José Pacheco está numa “fase globetrotter a espalhar a fé” (e está no direito dele), com tiradas mediáticas para o projeto (poder) aparecer nos jornais, o principal obstáculo à Escola da Ponte é a sua dimensão mítica…quem a defende venere-a e só vê os aspetos positivos, outros vêm só os aspetos negativos…É uma escola, como outras com o projeto diferente..para alguns alunos/famílias é a mais indicada, para outros não…pena é que as nossas escolas ainda sejam todas muito iguais às outras…mas concordo com o Paulo quando diz que as nossas escolas evoluíram e não se parecem em nada às da revolução industrial (nem sequer às de há 10 anos atrás)…o nosso mal é que não conseguimos ver a evolução que se faz todos os dias nas nossas escolas…

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  4. Parece alguém que passou pelo Umbigo!!!
    Artur Reis
    10 Abril, 2016 at 15:40 no ComRegras
    Qual a idade do aluno, 7 anos – 17 anos? E o enquadramento da situação? É repetente? Não é? Está integrado no ensino vocacional, não? Está sinalizado por serviços sociais? É um aluno de risco porquê? E quando fala de alunos, quantos? Da mesma turma? De várias turmas?

    E foi para a rua porquê? E foi só ele? Ou foram mais? E quantas vezes já tinha ido para a rua antes?

    E já agora, o que fez a docente anteriormente em relação a este aluno? E aos outros? Que medidas foram tomadas? E o que disse a direcção de turma ao encarregado de educação na reunião de entrega de notas do segundo período? E do primeiro? E antes? E a Escola?

    E já agora também, o docente em questão, quais as suas últimas avaliações? E os feedbacks de encarregados de educação e alunos? E o que dizem os colegas e os funcionários do docente? E qual tem sido o seu percurso no ensino? Já teve queixas no passado? Esteve de baixa médica nos últimos tempos? Se sim, porquê? E qual a última formação que fez? E escreveu este texto quando? No período da Páscoa? E considerando que em Portugal os trabalhadores têm direito a 22 dias de férias e as pausas lectivas nas escolas não são período de férias – por lei os docentes têm que estar na escola no horário normal de trabalho a não ser que coloquem férias (o que obviamente sabemos que não acontece) – este docente meteu férias e cumpriu a lei? Ou estava a faltar injustificadamente quando escreveu o texto? E há quantos anos não cumpre a lei?

    E quando temos encarregados de educação e alunos que cumprem o seu papel na íntegra, com maior ou menor dificuldade e sacrifício e têm professores que não têm o mínimo de competência ou vocação? Que são uma verdadeira nódoa? Que são verdadeiramente medíocres? Que escrevem aos encarregados de educação textos cheios de erros ortográficos? Que não sabem a matéria nem responder às questões dos alunos? Que mal sabem usar um computador? Que estão na sala de aula e atendem os seus telemóveis? Que dão notas erradas porque não sabem utilizar uma folha de cálculo de excel básica? Que discriminam, ofendem e agridem (não fisicamente) certos e determinados alunos? Que saem das salas para irem fumar? Que chegam constantemente tarde à escola? Que a seguir ao almoço vão a cheirar a álcool para as aulas? Que publicam informação na redes sociais em tempo e hora de aulas? Que não impõem (porque não sabem ou não querem) a disciplina na sala de aula? Que são displicentes? Que têm uma imagem desleixada e suja, ao ponto de irem para a escola a cheirar mal e com a roupa suja? Que faltam à escola e depois estão nos intervalos a beber café ou a almoçar com os colegas? E que justificam faltas com atestados médicos falsos? Que nos intervalos estão na sala dos professores e exigem ser servidos (o café e o bolinho) pelos funcionários, que não são pagos para isso? Que utilizam os recursos das escolas em proveito próprio? Que encaminham os seus alunos para as explicações particulares dos colegas e vice-versa, num negócio não declarado e tão pouco ético? Que falam alto e dizem asneiras quando circulam com os colegas nos corredores, independentemente de quem esteja a ouvir? Que, por serem docentes, chegam às filas dos bares e das cantinas e passam à frente dos alunos e são atendidos em primeiro lugar? Que quando deviam estar na escola a trabalhar já foram para casa? Que são arrogantes, prepotentes, têm a mania e se julgam superiores perante colegas, encarregados de educação, alunos e funcionários? Etc, etc, etc…

    E o que pensa o docentes do ensino superior sem o mínimo de qualidade e exigência que cresceu como cogumelos ao longo dos anos e que tem vindo a formar hordas de professores sem qualquer qualidade e preparação e que agora estão no ensino, numa espiral de crescente desvalorização do mesmo?

    E o que pensa dos sindicatos? É sindicalizado? Se sim, qual a última vez que foi a uma assembleia? E que tipo de intervenções tem feito? Ou cala-se e vota a tudo? E se não vai, porque é que não vai (talvez porque é mais cómodo ficar em casa)? E se não é, porque é que não é? Não vale a pena? Não acredita que os professores devem defender em conjunto a classe? E que esse alheamento vai permitindo que os senhores sindicalistas se mantenham ad-eternum, defendo tudo – interesses, “tachos”, ideologias políticas, etc…, menos a classe e o Ensino? Ou será que também faz parte do “circuito”?

    E o que pensa do negócio escandaloso dos livros escolares? A quantas reuniões de apresentação de livros já foi? E quanto material didático recebeu gratuitamente das editoras ao longo dos anos? E, depois disso e com que isenção, participou na adopção deste ou daquele manual pela escola?

    E, enquanto cidadão, o que tem feito para ajudar na resolução dos problemas de ensino? Quantas interpelações a quem de direito? Quantas denúncias? Quantas participações activas? Quanta luta séria?

    Para além do que referi, poderia ainda descrever muitas outras situações que conheço pessoalmente e a partir daí generalizar que todos os professores são no mínimo, irresponsáveis, mesquinhos, fracos, ridículos, medíocres, miseráveis e que nem professores deveriam ser. Mas que são e que é uma tristeza termos que lidar com eles. Com o agravante de ainda serem pagos com os nossos impostos!

    E depois juntava isto tudo e escrevia um artigo com um título em parangonas “Professores Precisam-se”

    Pois é… há que ter cuidado com textos superficiais, vagos e generalistas que são demagógicos, parciais e perigosos!

    Os docentes – pelo papel que têm e que desempenham (ou deviam desempenhar), têm responsabilidades acrescidas porque estão numa das bases da cidadania – pela transmissão de conhecimento, pela educação que dão ou que deveriam dar – sim, porque também são educadores!, pelo exemplo que deviam apresentar e que tantas vezes não apresentam, pelo contrário, pelo modelo que deviam representam mas que não representam em tantos casos, para o papel que lhes está destinado mas que não querem ou não sabem desempenhar.

    Para terem o respeito que pedem e exigem (e que merecem e na maioria dos casos lhes é devido!), têm que se dar ao respeito e têm que respeitar…

    E, por outro lado, os vários intervenientes na Educação – encarregados de educação, alunos, docentes, funcionários e demais entidades têm que deixar apenas de apontar o dedo uns aos outros (uns mais que outros) como o têm feito quase sempre e trabalharem a sério e verdadeiramente num Ensino sério e capaz – começando talvez por um auto-exame individual e de classe, por descerem de certos pedestais e perceberem que também eles próprios têm que “arrepiar” caminho, perceberem o que têm feito mal e começarem eles próprios por darem mais o exemplo, com mais participação e com mais altruísmo e respeito pelas outras partes envolvidas…

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