A Confraria

É do reino dos mitos urbanos e equiparados a crença na existência de uma espécie de irmandade dos ex-ME, independentemente da cor política, unida pelos medos partilhados e antipatias comuns. Consta ainda que a iniciação na irmandade se faz quando, por ocasião da passagem de pastas, @ anterior e @ futur@ titular da pasta se encontram para um repasto que formaliza a transição.

Não fiz escutas, não tenho qualquer inside information, mas, a partir dos sinais dos astros, julgo ser capaz de identificar os três grandes medos de qualquer nov@ ministr@ deste século XXI, aqueles escolhos que é necessário quebrar ou, se já meio alquebrados, manter em posição de cócoras.

  • “Os sindicatos”, querendo dizer a Fenprof e, desde as coboiadas mediáticas com o Guterres em final dos anos 90 em nome do SPRC, o Mário Nogueira, esse grande zéstaline do professorado.
  • “Os professores”, essa massa informe, acrítica, comodista, conservadora, despesista, privilegiada, corporativa, que é necessário manter com arreata curta e estipêndio reduzido, para não se acharem grande coisa ou, muito menos, massa crítica com palavra a ter nas discussões sobre a sua profissão e função social.
  • “O aparelho” do ME, o tal monstro administrativo que entravará, por apatia e resistência passiva, a implementação de todas as medidas que julgue prejudicá-lo. Em alguns casos, associou-se a parte má desse “aparelho” à contaminação pela presença de “professores” (daqueles que não se esquecem logo que o são), em especial de “sindicalistas” (sendo que muitos lá entraram como clientela política dos ocupantes em trânsito.

David Justino tentou iniciar a luta contra “sindicatos” e “aparelho” e  fracassou muito depressa. A grande investida contra “sindicatos” e “professores” ficaria a cargo de Maria de Lurdes Rodrigues, que procurou seduzir a “parte boa” do aparelho” para a missão. Conseguido grande parte desse objectivo (Isabel Alçada apenas terminou o enrolanço dos sindicatos e o adormecimento dos professores), Nuno Crato atirou-se ao “aparelho”, deixando os serviços do ME num estado lastimável, quase à excepção da parte que ele antes criticara enquanto analista (aquela dos “comissários políticos”). Chega-nos agora Tiago Brandão Rodrigues que, com o quase tudo terraplanado pelos anteriores ocupantes do cargo, pensa não ter qualquer tipo de resistência substancial às suas ideias “modernas” (fresquinha de há 150 anos) e que, com a FNEprof em fase meramente epistolar, basta atirar uns bitaites sobre os “conservadores”, valendo-se da total inanidade da ex-PAF em matéria de Educação e do amestramento do BE e do PCP. Resta saber se as contas feitas não pecarão por demasiado optimismo e se todo o colaboracionismo activo (ou por omissão) de muitos “lutadores” chega para, ao acenar com o papão da Direita, calar todos aqueles que não gostam de comer rato por rosbife.

ducktales_ask_about_illuminati

4 thoughts on “A Confraria

  1. Os 3 grupos devem aproveitar para se reformar e sair mais fortes. Uma barrela aos 3 não faz mal nenhum. E também falo do professores. Oxalá aja capacidade de renovação e novo sangue na guelra.

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  2. Exacto meu caro, é pena seres tu um dos poucos professores que percebe de onde vem esta vara de insolentes(primadonnas sem rei nem ROC) e indolentes(deixam muito para os conselheiros e assessores para quem lhes sussurra ao ouvida estilo Grima de Trapo). Se a maioria percebesse, há muito que isto não seria o status quo da sucessão royal dos confrades. Reparem nos nomes dos assessores desde o Justino e até agora. E chefes de gabinete(parece o inbreeding das universidades italianas que quase rivaliza com outra organização mafosa pelo seu nome).
    Eu já digo isto há muitos anos e não tenho sido professor do secundário a sentir na pele o quão longe do povo este clero de sangue azul gosta de “ensinar as massas e levá-las à luz do progressismo”. Mas sei de onde esta “confraria” vem e com quem priva em privado.
    Enquanto um Ministro da Educação for apenas um Ministro da Gestão das Escolas e cargo para trampolim para altos voos ou para satisfação pessoal da “mudança conceptual dos zecos” isto não têm solução.
    Sobre o actual, não me venham dizer que ele “deixou” o seu emprego no UK, com vista a aceitar uma missão de evangelização dos “infieis”. Vejam o que se passa em termos estatísticos no emprego de PhDs nas áreas de Life Sciences e afins e vão perceber que ele deve ter aceite o convite antes mesmo de ele ter sido feito.

    Bom chega de comentário de fim de semana.

    Take care

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