Suspensões

Comentário à sondagem do ComRegras desta semana:

SondaSusp

Uma Questão de Ambiente

Já escrevi demasiado sobre o tema da indisciplina, pelo que tentarei não me repetir e concentrar-me no tema específico desta sondagem.

Sou favorável à suspensão de escola como medida disciplinar por questões de respeito para com a maior parte dos elementos das comunidades educativas (escolas e famílias) e de transparência e bom ambiente nas próprias escolas. Acrescento que sou ainda favorável à transferência de escola em casos de maior gravidade dos comportamentos e quando a relação entre quem infringe as regras e os restantes elementos que o rodeiam na escola está gravemente colocada em causa.

A questão do respeito, prende-se com o facto de, por muito que eu entenda o discurso em torno da necessidade de integração e de uma perspectiva positiva acerca das questões da indisciplina e violência escolar, termos de dar um sinal claro a todos que existem regras de bom convívio que devem ser respeitadas e que as infracções graves, com especial gravidade quando se trata de reincidência, não podem ser apenas “compreendidas” ou “contextualizadas” e tudo se resolver com uma boa palavra e um “vai lá e não repitas o que fizeste”. Isso é para as pequenas falhas, pecadilhos menores. Há que respeitar, por outro lado, as vítimas dos maus actos e não lhes incutir um sentimento de insegurança perante a aparente impunidade dos prevaricadores. Alunos, pessoal não docente e docente têm direito a ser respeitados e a não ser tratados de igual forma, sejam cumpridores ou não das regras de funcionamento das escolas. Assim como as famílias dos alunos devem sentir tanto que quem cumpre está seguro como que quem não cumpre será penalizado.

E isto conduz-nos à questão do “ambiente de escola” que deve ser construído e defendido na base da clara e transparente definição de obrigações e funções, deveres e direitos, sem que se instale uma sensação de “tudo vale” que é fatal para um clima funcional e propício para a vivência de todos nas escolas. Se é verdade que (quase) “tudo se resolve”, isso não pode acontecer com base num relativismo cívico ou ético que equipara agressor e vítima, infractor e cumpridor, porque é mais de meio caminho andado para tudo se tornar difuso e se instalar o sentimento de impunidade.

Dito isto, gostaria de concluir dizendo que a prevenção é essencial para que muitas situações problemáticas não ocorram, assim como há muito defendo que nas escolas deve existir – como vai acontecendo – uma espécie de “corpo” (há quem prefira gabinete) de professores, com apoio de alunos e funcionários, directamente ocupados com o tratamento das questões disciplinares. Para que exista clareza de procedimentos, coerência na acção, assim como rapidez na intervenção. Sendo assim, raramente é necessário muito tempo para que tudo se transforme para melhor.

One thought on “Suspensões

  1. Perfeitamente de acordo consigo.
    As suspensões não são mais do que um jogo do gato e do rato, em que se adia e lança para fora da Escola problemas não solucionados. O meu primeiro e único processo de suspensão, que foi aplicado a um aluno da Mouraria, pesou para sempre na minha vida como algo muito incoerente.
    Passei por escolas em que esse “corpo” de professores e professoras funcionava muito bem numa perspectiva de prevenção. Persuadir também é papel do Professor/Educador.

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