Pausas Lectivas

Comentário à sondagem desta semana do ComRegras.

SondaPausas

Frias no Inverno, Quentes no Verão

As nossas salas, as nossas escolas, as não abençoadas pela Parque Escolar, as que conseguem ter dinheiro para manter em funcionamento os equipamentos milionários que receberam.

Porque começo um comentário sobre férias escolares por aqui? Porque as coisas são como são e por vezes há que ter bom senso acima de tudo que é o que outros têm em outras latitudes, quando fazem uma longa pausa de Inverno em grande parte motivadas pelo clima mais severo nessa parte do ano, enquanto por cá temos pessoal que nunca deve ter estado – devem ter faltado em seu tempo – numa sala de aula virada a sul, com 25 ou 30 jovens, ali entre as 11 da manhã e o fim da tarde. Sejamos realistas… aulas em Julho e Agosto no nosso país é, em regra, um convite a qualquer coisa menos à aprendizagem. Mesmo a partir de meados de Junho já é muitas vezes uma sauna pública permanente, fora o resto que não convém aqui relatar. Por isso, quando ouço falar em férias de Verão mais curtas dá-me vontade de questionar se quem assim pensa estará no mesmo país que eu. É verdade que eu vivo e lecciono do deserto-do-jamé, mas mesmo assim… acho que menos de 12 semanas de interrupção (de meados de Junho ao início de Setembro) é pouco realista, contemplando ainda as épocas para provas e exames disto e mais aquilo. Se as associações de pais querem dinamizar actividades extra-lectivas para a petizada não passar tanto tempo em casa? Be my guest… com parcerias com as autarquias ou com associações culturais e desportivas, etc, etc. Nada contra. Mais aulas? Nem pensar.

Se as restantes pausas lectivas poderiam ter outra configuração? Acho que sim, até porque acho que períodos de aulas superiores a 7-8 semanas acabam por tornar-se pouco produtivos e achar-se que “mais do mesmo” é a solução para tudo é um erro imenso. Aulas a começarem na segunda semana de Setembro, pausa na última semana de Outubro/início de Novembro; nova pausa de uns 10 dias em trono do Natal e Ano Novo; pausa de uma semana no Carnaval e encurtamento da Páscoa para apenas 7-10 dias, permitindo que as aulas nunca se prolonguem por mais de 2 meses? Tudo a favor. Só quem não anda pelas escolas é que não percebe os níveis de saturação que se atingem em alguns momentos, como aqueles primeiros períodos com quase 15 semanas, em especial quando se lhes tiram alguns feriados.

Os fanáticos da eficácia à custa da servidão parecem ignorar que não é fazendo trabalhar sem parar que se conseguem ganhos de produtividade. Pode produzir-se “mais” mas o investimento/esforço feito, a partir de dado ponto, não compensa se analisarmos o retorno conseguido. Aprendi há muito tempo numas aulas de História Económica a teoria/lei dos rendimentos decrescentes ou marginais, mas acho que há muito maníaco da Economia e da gestão dos recursos educativos humanos que deve julgar que isso não se aplica à Educação. Aplica… claro que se aplica. Ao contrário do que eles pensam e que é que a malta, aguenta, ai se aguenta. Aguentar, aguenta, mas de pouco vale. Antes aplicar o tempo de forma correcta do que pensar, de forma preguiçosa, que mais (aulas) é sempre mais (aprendizagens).

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