Apartheid!

Numa semana são governantes a dizer que nas escolas há “salas segregadas” e que os professores excluem os alunos com necessidades educativas especiais do convívio com os colegas. Em outra são cientistas sociais cheios de pergaminhos de esquerda académica a afirmar “que os professores têm de ser educados para não segregar” alunos de origem africana. Quase só falta o sebastião aparecer com um observatório a dizer que os professores segregam os alunos e que são eles os responsáveis por qualquer tipo de bullying nas escolas. Se isto são os “novos tempos” na Educação, phosga-se, pá que vou já ali desempoeirar a armadura que tinha arrumado no dia em que a outra entrou em espera para a FLAD.

Armadura

16 thoughts on “Apartheid!

  1. Não te esqueças quem devemos insultar: quem deduziu que temos de sofrer capacitação!!!
    Estes estão a dar substrato a tão brilhante diagnóstico…

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  2. Honestamente, não percebo este seu post. Parece-me evidente que o racismo existe na nossa sociedade, mas aparece de forma meio escondida e não evidente. Não me parece que o estudo seja uma acusação aos professores, mas sim uma chamada de atenção a algo que acontece nas escolas (como noutros sitios). Deve servir sim para todos reflectirmos e pormos em causa as nossas acções e atitudes.

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    1. Então eu explico: o autor do estudo acha que os professores dão nota em função da cor da pele dos alunos e que devem ser educados para não o fazer. Foi o que ele disse. Não li o estudo. Se o racismo existe? Claro que sim. Se é na escola que ele mais se manifesta? Não me parece. Que a estupidez existe? Claro que sim. Que ela tem cor de pele? Tem de todas.

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      1. Este é um estudo cientifico, não um estudo de opinião. O autor observou as notas e verificou que em média, os professores têm maior probabilidade de dar notas piores a estudantes de cor negra. Não me parece algo de tão espantoso ou supreendente. Pode não ser na escola que o racismo mais se manifesta, nem isso é importante, mas também na escola ele se manifesta, e no meu entender, é a nossa responsabilidade, pais, professores, agentes educativos, olhar e pensar nesta manifestação. Dizer que isto não é verdade, ou que isto é um ataque aos professores, serve apenas para negar um problema que existe de facto, e não ajuda a trabalhar o problema. Todos sabemos que ele existe (eu sei-o por experiência própria e por observação de situações próximas a mim).

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  3. A parte “científica” é muito relativa quando se enuncia uma probabilidade e se estabelece uma relação causal a partir do professor. Será “racismo” constatar que alguns grupos sociais (eventualmente com correspondência a grupos étnicos) têm menor “probabilidade” de atingir determinados patamares de desempenho num modelo de escola que tem menos a ver com a sua origem cultural?

    Eu também conheço casos de racismo nas escolas e entre os professores, mas repito que é onde se verificará menos, em termos sociais. Já o investigador que deu a entrevista foi MUITO CLARO na atribuição de responsabilidades e acha que os professores “devem ser educados”. Talvez por ele, que foi avaliador externo das escolas em tempo de MLR e de quem desconheço as habilitações ou “capacitações” para proferir tal juízo de valor que nada tem de “científico” pela razão que acima enunciei.

    Vamos ser claros… eu sou da mesma área disciplinar e sou muito céptico em relação ao aspecto “científico” de muitos destes estudos que se limitam a estabelecer relações estatísticas entre variáveis seleccionadas.

    Caricaturando com a outra situação relativa à Educação Especial: haverá “segregação” por se realizarem Jogos Paralímpicos?

    Caricaturando, por analogia, com a deste estudo: haverá “racismo profissional” num conjunto de estudos – quase sempre das mesmas instituições e dos mesmos investigadores – que atribuem sempre as culpas aos professores – que precisam ser “educados”, os coitados – pelos fenómenos de insucesso dos alunos, mesmo que eles venham de fora para dentro da escola?

    OU – mais interessante – haverá “racismo institucional” em instituições cujo corpo docente dificilmente reflecte a multiplicidade étnica dos seus alunos?

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  4. Tenho sérios problemas quando detecto – e eu li já diversos estudos de diversos destes “cientistas sociais” – enviesamentos conceptuais muito claros na forma como abordam estes estudos, como isolam variáveis e como estabelecem relações de causalidade. Ainda há pouco tempo me “peguei” com o presidente do CNE porque – vindo de outro quadrante académico – afirmei que antes de ler um estudo, me bastava ver os autores ou a origem institucional para saber as conclusões. Se é triste? É. E pior quando se tenta passar por “objectividade científica” o que é viés analítico. Ao menos eu não disfarço que tenho um ponto de vista quando escrevo. Mas não devo ser “cientista”.

    Uma leitura recente sobre a matéria, em revista de divulgação.
    http://www.scientificamerican.com/article/is-social-science-politically-biased/

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    1. Claro, todo o estudo cientifico deve e pode ser objecto de critica e discussão. Esse pressuposto é alias a beleza do trabalho cientifico. Não vou aferir da qualidade porque não conheço o estudo nem sou da mesma area cientifica. Para além disso, estes fenomenos têm uma grande complexidade. Parto do principio que isto nao acontece de forma consciente, e por isso, estes artigos têm o beneficio de nos fazer pensar e tornar conscientes estes nossos comportamentos. Há sem duvida uma questao social (embora isso possa ser controlado em estudo), mas isso não explica tudo, e nós vivemos numa sociedade racista. Negar à partida que isto acontece parece-me precisamente o contrário. É como enterrar a cabeça na areia. Estes estudos, a bem ou a mal, têm o beneficio de nos fazerem pensar. E por isso fiquei admirada com o seu post. Exclui à partida qualquer hipotese de isto acontecer, ao contrário alias do que é costume.

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      1. “e nós vivemos numa sociedade racista”

        A sociedade portuguesa é racista?
        Não digas asneiras…

        O racismo é sempre do branco para o de cor.
        Já conheci muito pessoal de cor racista relativamente ao branco e racista entre eles e etnias.
        Estou farto de pruridos de esquerda caviar, não me chega a direita?

        Ui se o curdo calha a arrumar com um para se defender, coitado era logo apelidado de racista…

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  5. Será que o estudo apresenta correlações parciais? Neste caso parece ser a única forma de abordar a questão usando correlações. Embora o uso de correlações seja mesmo discutível sobretudo entre variáveis qualitativas e quantitativas. Não consegui nem ler a notícia , o Expresso on line só mostra gratuitamente uma parte da notícia e não sei o nome do estudo , se está disponível on line ou não. Fiquei curiosa. O assunto é mesmo interessante, pois é óbvia a correlação conjunta entre rendimentos baixos, baixa escolaridade dos pais e cor da pele, por exemplo. Se não existir, algo de muito pouco vulgar se passará, mas sabemos que existe, não é ? Já agora um dos muitos links para a correlação parcial:
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Correla%C3%A7%C3%A3o_parcial

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  6. A Joana está, provavelmente, a comentar no post errado mas, de qualquer modo, já admitiu não ter lido o estudo, embora pareça defender as suas conclusões.

    O que eu fiz em post anterior foi dizer que espero para ler o estudo, antes de lhe fazer uma crítica completa, estando a restringir-me às declarações do autor – ou autores – ao Expresso e que considero serem opiniões. Opiniões que me parecem, pela “simpleza” da causalidade estabelecida e pela ousadia da proposta de “solução” – educar os professores para não serem racistas a dar notas algo – do domínio da opinião e da “política”, não da “ciência”. Como já li outros estudos do autor conheço a “linha” que costuma seguir nas suas conclusões e os pontos que costuma pretender demonstrar acerca do funcionamento das escolas. Até agora nunca achou nada que não estivesse certo de encontrar.

    Quanto à causalidade estabelecida, repito as minhas reservas, sem negar a presença de fenómenos residuais de discriminação a partir dos professores, porque a acho ready made e sem contemplar alternativas. Mas falo das declarações ao Expresso. O estudo… não o encontro.

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      1. Esteve sob embargo nos jornais que tiveram o “exclusivo”. Não o vejo online em lado nenhum. Talvez vá sair impresso. Confesso que não tomei muita atenção a essa parte.Percebo que tem alguns apoios interessantes.
        http://www.dn.pt/sociedade/interior/sinais-de-racismo-institucional-nas-escolas-portuguesas-5141232.html

        No DN lê-se que o autor até coloca a hipótese de serem mecanismos não conscientes de segregação, mas em nenhuma parte o vejo a analisar a evolução dos rendimentos destes grupos, a distribuição geográfica do fenómeno ou a relação com uma entrada precoce no mercado de trabalho.

        Mas acredito que este tipo de estudos tenha acesso a documentação que nem todos podem achar facilmente. Quando se trabalha para projectos apoiados pelo Conselho de Ministros é outra coisa.

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