Diário de um Professor Conservador, Segregacionista, Racista e Entediante – Introdução

Há alturas em que a conjugação de diversos pequenos acontecimentos me produz assim como que uma bolha de bílis que se não for espremida ainda é capaz de me fazer mal. Por isso – e mesmo sabendo que não é nada “pessoal” – decidi fazer esta espécie de diário sobre a minha experiência enquanto parte dessa imensa malta (turba?) que tem voltado a ser apresentada à opinião pública como a necessitar de ser “educada” para perceber a diversidade étnica e cultural e de ser “formada” para não segregar ou aborrecer os alunos e entender as pedagogias avançadas do século passado.

Para começar, gostaria de vos dar uma visão breve, estatística em nome do rigor que seria “científico” não fosse eu apenas um básico quintaleiro, da realidade em que me movo e que me limita, certamente, o olhar e a perspectiva do tipo big picture a que só verdadeiros investigadores podem almejar.

Então é assim: tenho 6 turmas (um 6º ano de Português, quatro 7ºs de História e um vocacional equivalente ao 9º) mais dois pequenos grupos (agora com 6+3 alunos) de alunos com necessidades educativas especiais (para além dos que estão presentes nas turmas) a quem dou umas aulas (segregadas, claro) de Iniciação à Informática,

Globalmente, nas seis turmas tenho exactamente 50% de alunos branquelas e 50% com diversos outras tonalidades e pigmentações (entre os outros a divisão é de 55,5%/44,5%), se é que me permitem a linguagem xenófoba. Fazendo um cálculo rápido em relação a 5 das turmas (não consegui achar os dados para o vocacional aqui em casa), 64,8% dos meus alunos são beneficiários da ASE (43,5% no escalão A e 21,3% no escalão B). Desse total, 54,3% são caucasianos e 45,7% de outros “grupos étnicos e culturais” para usar a linguagem do politicamente correcto e da diversidade. Os dados da turma que falta não alterariam este panorama.

Em termos de sucesso, de acordo com os dados do 2º período, no 6º ano os 100% de sucesso dos alunos avaliados (phosga-se! sou mesmo bom, mas no 7º ano sou muito mau!) distribuem-se da seguinte forma: europeus de gema, 100%; afrodescendentes, 100%; ciganos, 100%. Sou hábil a esconder os preconceitos, incluindo aqui mesmo os alunos com PLNM (quem não sabe o que é que google). A turma tem 74% de alunos com apoios da Acção Social Escolar (20 em 27), sendo 8 dos azuis claros e 12 dos azuis escuros.

Nas turmas de 7º ano (e eu garanto que nunca fiz este tipo de cálculo, por sempre o achar irrelevante até ler certas coisas tipo-isczé contra o racismo nas escolas), reservando elementos mais específicos que não são para blogues, tenho a seguinte relação entre sucesso (por ordem descendente), grupo de pigmentação e apoios socio-económicos. A avaliação nos vocacionais não se presta a uma análise comparativa deste tipo.

SucessoEu sei que conclusão evidente se pode extrair destes dados, mas como não gostaria de entrar em simplismos a partir de uma amostra tão localizada e à qual faltam elementos importantes, não contabilizáveis numa tabela desta, ficarei apenas por mostrar. Muito menos pretendo generalizar qualquer “cientificidade” a esta análise. Agora que, no seu empirismo muito “básico”, algumas coisas parecem fazer sentido e contribuem para a minha visão particular e limitada de todos estes fenómenos, lá isso é verdade. Mas também pode ser que eu seja um elitista que discrimina os mais desfavorecidos do ponto de vista económico. E necessite ser “educado” e “formado” para não me portar assim.

Mandem-me já para a “reeducação”, assegurada por especialistas tipo-isczé (no mandato anterior era mais tipo-católica). Não se esqueçam dos choques eléctricos, logo que eu diga que a turma com melhores resultados tem menos 5 alunos do que as que têm piores, porque isso não está “provado cientificamente”.

one-flew-over-the-cuckoos-nest(agora vou ali… apesar da tarde soalheira ainda tenho a segunda parte de 27 testes de Português por classificar, sempre numa perspectiva conservadora de um modelo ultrapassado de avaliação das aprendizagens que eu ainda não consegui perder nestes tempo de aferição facultativa… ou não)

4 thoughts on “Diário de um Professor Conservador, Segregacionista, Racista e Entediante – Introdução

  1. bom, a tua análise vale por si. O mais provável é que os alunos azuis se enquadrem nos baixos recursos a todos os níveis a par de muitos outros pálidos. Daí os resultados. Parece-me o mais lógico.
    Baixem lá os alunos por turma a ver se não melhoram logo os resultados.
    Agora,
    hoje fui a uns Colóquios sobre novas tecnologias. Eu uso tlm na sala mas…os meus colegas são alérgicos a isso. É preciso revolucionar mentalidades e perceber que hoje os miúdos já não usam portáteis. Usam tlm e tablets. Temos de nos adaptar, ou seja, dentro da tecnologia, já está tudo revolucionado, outra vez. A minha filha já não usa face: usa aplicações e redes sociais que eu não conheço, programas do arco da velha e eu fiquei a saber que quando não há wireless os miúdos passam para os dados móveis. Ah! E guardam tudo na nuvem, óbvio!

    Bom, bom, Maria, atualiza-te! :/

      1. A aplicação é a snapchat…o que tu queres dizer é que tiras a foto ao que escreveste no quadro… lol

        mas fiquei mais interessada no Kahoot…testes limpinhos com folha de correção em excel na hora

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