A Verdadeira Reprodução das Desigualdades

Acontece quando um ministério subordina a oferta de cursos profissionais a estudos feitos (ou a fazer) sobre a empregabilidade local e impede que seja proporcionada uma oferta mais ampla que permita aos alunos voar para além das limitações do seu contexto. De que adianta andarem com conversas fofinhas e quererem sucesso a todo o preço se depois, na prática, a lógica é a da subordinação ao mercado laboral já existente? Se não faz sentido abrir cursos de técnicos de naves espaciais em todo o lado ou de secretárias de administradores de bancos para falir? Depende… Agora uma coisa é certa, se a oferta for apenas mais do mesmo (em especial da área dos serviços pouco diferenciados) não se consegue formar qualquer tipo de mão de obra qualificada que possa funcionar como um apoio para a retoma económica em zonas já de si deprimidas. Desta forma é que se perpetuam situações de subdesenvolvimento local e se agravam assimetrias regionais, porque o princípio de “só abre se há mercado” é de uma miopia extrema; apostar num futuro diferente nem sempre é desperdício de dinheiro. Eu sei que de Portugal só se espera que organize eventos e sirva boa comida aos turistas, mas esperava um pouco mais de visão a quem se acha tão moderno.

Hamster

5 thoughts on “A Verdadeira Reprodução das Desigualdades

  1. Para além da oferta de cursos pouco imaginativa, aquilo em que reparei quando consultei o currículo do curso de auxiliar de geriatria na escola técnico-profissional da localidade foi que mais de 30% do tempo era dedicado à animação sociocultural, em detrimento de matérias mais técnicas, da área de saúde, por exemplo. Queoportunidades terá uma auxiliar de geriatria de fazer animação sócio-cultural num lar de terceira idade?

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    1. Muitas. a minha mãe esteve num lar antes de falecer e eu bem sei as secas que apanhava. Se houvesse alguém que tratasse da parte de animação sociocultural os dias teriam sido passados com mais qualidade de vida. Médicos e enfermeiras que tratem da saúde.

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  2. O problema, Paulo Guinote, é o dinheiro. Quem vai para um curso profissional pouco diferenciado vai ganhar o salário mínimo. Terá de ter apoio familiar para casa e comida. Se arranjar um empregozito…poderá completar o salário com biscates no mercado paralelo. Amigos e visibilidade precisam-se. Ambiente protetor (conhecer toda a gente) ajuda.
    Arriscar só se for no estrangeiro…
    Um curso profissional mais ousado poderia levar a desemprego… quem tem dinheiro para arriscar?

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  3. Na minha escola, a oferta dos cursos profissionais foi a que a DR de Évora impôs. Critérios puramente, ou cegamente, burocráticos. Pois, a autonomia…

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