Uma Cartografia dos Interesses

A fronda queiroziziana não atingiu as prometidas centenas de moções, mas revela-se bastante instrutiva na sua forma de mobilização, não sendo de desprezar cruzá-la com outras movimentações em torno da Educação.

Anadia, Benedita, Caldas da Rainha, Coimbra, Coimbra 2, Famalicão, Leiria, Santo Tirso, a que podemos acrescentar Braga a acreditar por esta prosa, são pontos críticos da nova maria da fonte. Se fizerem uma pesquisa sobre os concelhos que estiveram interessados, desde 2008, no processo de municipalização da Educação encontrarão sobreposições muito interessantes com algumas posições tomadas por estes dias e que o Livresco teve a simpatia de me enviar.

Pessoalmente, saúdo esta forma de mobilização, em especial quando é feita por quem tanto criticou a “instabilidade” causada pela contestação que os professores desenvolveram há anos (felizmente sem ferir agentes da autoridade) contra as políticas de outro governo do PS, aproveitando mesmo essa situação para capitalizar um falso crédito de seriedade, que cai pela base quando chega a sua vez de contribuir para o peditório. Ainda me lembro do gozo com lutas jurídicas contra o ME ou com cordões humanos, que a mim também não agradam, mas todos, não apenas alguns. Em termos individuais, tenho uma especial preferência por um jovem deputado municipal centrista de Leiria que parece profundamente informado sobre esta temática, com números e tudo. Que são apresentados com tanta certeza que quase parecem ser rigorosos.

Pelo meio disto tudo, o operacional de serviço já veio espantalhar as hostes com os seus demónios particulares e bichos-papões em geral. Quando em modo de denúncia e guerra um queirozeze é um ser cheio de inquietudes. Compreendo-o e desejo-lhe sucessos equivalentes aos que ele desejou às causas a que dediquei parte do meu tempo na área da Educação.

Lulas

One thought on “Uma Cartografia dos Interesses

  1. Update:

    Igreja/Educação: Clero de Braga contesta alterações a contratos de associação
    Agência Ecclesia 04 de Maio de 2016, às 15:53

    Comunicado do Conselho Presbiteral defende liberdade de educação

    Braga, 04 mai 2016 (Ecclesia) – O clero da Arquidiocese de Braga manifestou a sua oposição a eventuais alterações aos contratos que o Estado celebra com escolas privadas, saindo em defesa do “princípio da liberdade de educação”.

    Em comunicado enviado hoje à Agência ECCLESIA, o Conselho Presbiteral de Braga reage ao despacho normativo 1H/2016 de 14 de abril, do Ministério da Educação, sobre matrículas e frequência das escolas.

    Os padres de Braga consideraram fundamental que o Estado respeite o “direito humano e constitucional” de os pais poderem escolher a educação que desejam dar aos seus filhos.

    Em causa estão os contratos que o Estado celebra com escolas privadas para apoiar a frequência destas escolas por alunos oriundos de famílias carenciadas (contrato simples) ou para permitir a frequência dos colégios em condições de gratuitidade, como oferta educativa pública equiparada à das escolas estatais (contrato de associação), onde a rede pública é insuficiente.

    “A educação dos filhos pertence primariamente aos pais e não ao Estado. A este compete cooperar com os pais no direito e dever que têm de educar os filhos”, observa o Conselho Presbiteral de Braga, organismo representativo do clero.

    Os sacerdotes católicos advertem para a possibilidade de um “monopólio totalitário” do Estado no campo do ensino”.

    O comunicado, redigido após um encontro que decorreu esta terça-feira, sustenta que a exclusão dos contratos de associação ou outro sistema de financiamento das famílias faz com que apenas as “famílias abastadas” possam usufruir “da liberdade de ensino”.

    O Conselho Presbiteral de Braga entende que é necessário “dar a voz aos pais que têm o direito de poder escolher o tipo de educação que julgam melhor para os seus filhos”.

    A secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, disse à Rádio Renascença que, do ponto de vista do Governo, “a manutenção de turmas em contrato de associação é uma irracionalidade financeira”.

    “Isto não é um problema ideológico, é um problema de rigor no uso do dinheiro de todos os contribuintes”, afirmou.

    Alexandra Leitão sublinhou que o assunto não está fechado e que as conclusões sobre o número de turmas que serão financiadas no ensino privado serão divulgadas no final do mês de maio.

    A partir do próximo ano letivo, o Ministério da Educação vai deixar de financiar novas turmas do ensino privado em zonas onde exista escola pública, uma medida que se aplica aos alunos em início de ciclo – 5.º, 7.º e 10.º anos escolares.

    OC
    http://www.agencia.ecclesia.pt/noticias/nacional/igrejaeducacao-clero-de-braga-contesta-alteracoes-a-contratos-que-estado-celebra-com-escolas-privadas/

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