Evitem – 2

Fica mal ao CDS, ponta-de-lança, extremo e médio distribuidor de jogo dos interesses privados na Educação no anterior mandato, surgir agora a queixar-se de uma inflexão de uma pequena parte das políticas num sentido diverso do anterior. É estranho que quem tanto defendeu o ajustamento da rede pública de ensino se recuse a aceitar que isso se passe na rede privada dependente das verbas do Estado. Não esqueçamos ainda que só por malabarismos na tradução do documento original permitiu dar a entender que a reavaliação dos contratos de associação proposta pelo FMI não era no sentido da sua redução.

Quanto a Passos Coelho, hoje foi dia de romaria a colégios e ao CNE. Não me espantam os destinos, só esperando que no caso de um órgão que se pretende de análise técnica da Educação não surjam declarações políticas de novo. Tal como a FNEprof, embora por motivos diferentes, o CNE deveria abster-se de entrar nesta polémica sem ser no sentido de esclarecer as coisas de modo não enviesado e com informação completa, até porque terá agendado para início de Junho um seminário sobre liberdade de escolha.

Por fim, espera-se que Marcelo Rebelo de Sousa não surja – agora que Isabel Alçada (que em tempos afirmou isto) já recebeu uma delegação dos colégios com 50.000 cartas – a tentar negociar uma nova solução enxertada, tipo manta de retalhos, como aconteceu com as provas de aferição e que acabou com uma confusão sem necessidade.

voar-baixinho

2 thoughts on “Evitem – 2

  1. Isto está a durar demasiado tempo… (bocejo)
    na verdade há uma campanha gigantesca de desinformação: tudo se resume a não duplicar a oferta…o que me parece bem. Oxalá o Governo resista aos lobys.
    Agora até a igreja veio bradar….negócios do diabo.

  2. Hipocrisia, cinismo e uma LATA incomensurável!!!

    – Dizia o passos que na saúde os utentes escolhem e logo na educação deveria ser igual… COMO? Escolhem, o quê? QUEM escolhe? Os utentes da SEGURANÇA SOCIAL vão para a CUFdescobertas, lusíadas, luz e similares??? – vai quem PAGA (seguros ou subsistemas)! Que quem não pode, agueeeeeeeeeeeeenta, ai isso é que aguenta, com as listas de espera nos hospitais públicos (e, listas de espera porquê, porquê?… pois) !!! E, já agora, eu que pago há aaaaaanos para a adse (sistema público – e hoje mais cara que muitos seguros de saúde) nunca dei autorização para que o mesmo fosse utilizado para servir e expandir os serviços privados de saúde (que foi o que fizeram), que o mesmo deveria ter ser utilizado para investir nos serviços públicos ao invés de o deixarem à beira da ruptura e com incapacidade de dar resposta… o esforço para fazer o mesmo na escola pública tem sido, igualmente, incomensurável… é preciso muita lata!

    – Dizia ainda o passos com ar de “virgem ofendida”: “…não pensar nos estudantes ou nas famílias”, “…imprevisibilidade e instabilidade às escolas e às famílias que não sabem o que vai acontecer…” – COMO??? O homem saberá, porventura, o que andou a fazer … por exemplo quando encerrou escolas primárias, quando agrupou muitas outras, quando mudou regras, quando deixou alunos sem professores,… quando se esteve a “lixar” para os estudantes, para as famílias e para escolas a bem de uma tal racionalidade e eficiência económica, a bem das tais economias de escala, a bem do tal “fazer muito com pouco”???

    – Depois vem um tal do particular, com ar muito cordato e conversa de enrola parvos, falar da importância da educação, da necessidade de “estabilidade” e de “previsibilidade no sector” e do “alarme social”??? – Por onde andou o sr (que já não é, propriamente, um imberbe), quando ao longo dos últimos anos, e já vão muitos, as escolas públicas foram atacadas continuamente sem condições das tais estabilidade/ previsibilidade e alarmes sociais??? – Não o preocupou, então, a importância da educação??? (pois… possivelmente,até lhe foi dando jeito)

    – depois vem a igreja católica com a preocupação – devo ter ouvido mal – da liberdade de escolha??? Não ouvi a instituição manifestar preocupação com o encerramento de muitas escolas primárias (públicas, claro) e a deslocação de criancinhas de 6, 7, 8 e mais anos que diariamente passaram a percorrer por duas vezes distâncias de 20/ 30 e mais Kms, não a ouvi preocupada com a impessoalidade dos “centros escolares” onde se armazenaram as criancinhas, não a ouvi preocupada com o afastamento à família (avós e outros parentes – tão cara à igreja e tão importante na educação dos jovens), nem tão pouco a senti preocupada com o isolamento a que foram votados os mais velhinhos que assim ficaram privados de uma intimidade, solidariedade e aprendizagem intergeracional…
    coisas menores, claro… que também não a tenho visto preocupada com a pobreza, com a exclusão social, com o desemprego de longa duração, com as famílias que ficam sem tecto, com a fome e a indigência… salvo, diga-se, poucas mas honrosas excepções de alguns padres jesuítas e o Sr presidente da Cáritas…

    ESTA GENTE É DE UMA HIPOCRISIA e FALTA DE VERGONHA ILIMITADAS.

    e… a comunicação social…dá o jeitinho à coisa mas em sentido oposto àquele que, ao longo de anos, deu à escola pública e os seus profissionais – neste caso, e predominantemente, para os denegrir e menosprezar!

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