Desmentido

Depois de assistir à parte final da audição de Sérgio Figueiredo na Comissão Parlamentar sobre o Banif, em especial as respostas ao deputado Miguel Tiago, em que ouvi dizer que as regras de protecção das fontes se aplicavam aos jornalistas que anonimamente divulgaram a notícia da resolução do banco com algumas substanciais imprecisões e que não é prática nas notícias de “última hora” referir que se estão a corrigir dados antes errados, não me espanta que a Sábado  assobie para o lado depois deste esclarecimento. O mais que fez foi passar a qualificar como “burla” o que antes referia ser “crime”. Parecendo que não, muita coisa anda ligada porque há demasiada gente com demasiado poder mediático nas mãos que tem de obedecer a quem manda vai mandando nisto quase tudo, agora que o outro já não pode pagar publicidades e avenças a quem, pelos vistos, nunca viremos a saber. E há quem muito clame pela necessidade de ética e deontologia nos outros, mas depois se esqueça em causa própria.

janus

Memórias Inconvenientes

Ou porque perco eu muitos amigos que poderiam ser úteis para ter almofadas. O excerto de uma troca de mails que se segue (de 17 de Janeiro de 2013) é entre mim e alguém que, pelos vistos, me conhecia muito mal. A disputa era, na altura, em torno do tipo de cortes a fazer na Educação e o que se dizia em público e privado. Como sou casmurro, mantenho o que na altura escrevi no primeiro mail transcrito abaixo e que se resultava da minha oposição a uma espécie de declaração conjunta dos elementos de um debate realizado em ambiente restrito. Como se poderá constatar, as minhas críticas à lógica de uma Educação Low Cost têm as suas raízes no tempo e sempre foram comunicadas com clareza em todos os ambientes, em especial os hostis. Destaques meus.

Vou ser franco e fazer dois reparos prévios:

1) A minha posição é pessoal, não é representativa de qualquer grupo de pressão ou de interesses na área da Educação, embora seja normalmente considerado um defensor “corporativo” dos professores da rede de escolas públicas.

2) Por muita estima que me mereçam os dois colegas de painel, no actual contexto, considero complicado aderir a uma declaração comum de tipo asséptico, mas no fundo de adesão aos princípios de um lobby específico na área da Educação, por forma a ver o meu nome associado a uma solução consensual de medidas baseadas na lógica dos cortes e do “mais barato” é o melhor, sejam quais forem os custos.

Dito isto, em forma resumida apontaria cinco pontos fundamentais da minha participação no encontro:

1) Qualquer decisão sobre a gestão dos dinheiros públicos deve ser tomada com base em informação o mais completa, clara e actualizada possível.

2) A eventual opção por cortes na área da Educação deve ser assumida como uma escolha política e não como uma inevitabilidade orçamental e técnica.

3) Antes de uma decisão sobre cortes cegos devem ser exploradas vias de aumento das receitas passíveis de ser geradas no âmbito do sector.

4) O alargamento de medidas relacionadas com a concorrência e a liberdade de escolha deve ser feito com base numa fundamentação empírica das suas vantagens, acima de tudo, pedagógicas para os alunos.

5) Qualquer reforma na área da Educação só é passível de ter sucesso se conseguir mobilizar os seus agentes no terreno, o que não se consegue desvalorizando sistematicamente parte deles perante a opinião pública.

Resposta que recebi de um dos participantes na conversa:

Paulo, se por lobby entendes um grupo organizado para defender aquilo em que acredita, então eu pertenço a um e tu também (ainda que outro)! Escusas de te por de fora.

Se por lobby entendes alguma coisa diferente peço que expliques o sentido ou deixa lá essa conversa. Para fora percebo que faz parte de um discurso e de uma imagem. Em privado confesso que não percebo onde queres chegar.

A  minha resposta que acabou por colocar um ponto final no coloquialismo da relação:

O meu registo ou discurso em privado é igual ao registo em público.
Não tenho uma “imagem” a defender. Sou o que sou, não projecto o que não sou. Isso fica para políticos.

A única diferença é que em público nunca te diria o que te disse no corredor quanto ao que acho do trânsito entre lugares públicos e privados.

Sim, por lobby entendo aquilo que entendes, pelo que eu não posso pertencer a nenhum pois, que me lembre, não sou associado, director ou militante seja do que for, respondendo apenas a nível individual pelas minhas opiniões.

Mas eu acharia mais útil discutires o que escrevi quanto ao que penso do que o resto.

(…)

espelho

 

 

Já Vale Tudo

Não deixa de ter graça que seja neste momento (de polémica com os contratos de associação) que se desenterram casos resolvidos há quase 15 anos (afinal, ele devolveu o dinheiro e não ficou com qualquer equivalência ou certificado domingueiro). O baú de algumas pessoas é imenso e acredito que já tenham registado o facto de eu, há perto de 40 anos, ter estado inscrito em duas bibliotecas da Gulbenkian para poder ler mais livros todas as semanas.

O mais divertido é que parte desta malta deve fazer parte dos que acham que não há grande problema com as consultorias e assessorias manhosas que por aí andam (e nem é bom  falar no trânsito de certos melros entre os corredores públicos e privados) ou que a FCT não foi, por muito que queiram fazer-nos acreditar que tudo foi impoluto em tão sacrossanta instituição, um imenso saco azul (rosa, laranja, lilás, vermelho) para satisfazer clientelas académicas de formas que fariam corar qualquer bilhim que se levasse a sério. Será que há assim gente tão imaculada nestas matérias, da canhota à destra? Os meus escassos conhecimentos nesta matéria dizem-me que não.

Basta apreciar a luta pelo controle dos subsídios da FCT na última década, na qual só faltou arrancar olhos.

(estou à vontade, nunca tive qualidade para qualquer subsídio e a última – única – vez que concorri com um “projecto” fui eliminado da competição por me faltar um anexo na papelada que lá estava bem anexado em devido prazo… )

Aguardo agora pela descobertas de mais podridões da equipa do ME, porque estou convicto que as facas ainda não se alongaram o suficiente.

shit-hitting-the-fan

A Produção do Sucesso

Imaginemos um professor que, apesar de todos os defeitos e conservadorismos atávicos que lhe tolhem a mente, procura que as turmas com pior desempenho melhorem os seus resultados. Imaginemos que a criatura docente, ultrapassando todas as suas limitações paradigmáticas em termos de avaliação, até substitui um teste por pequenas fichas semanais (à maneira de um pca) para fazer em casa durante vários dias, na explicação (realidade que mereceria um tratado enciclopédico sobre as diversas práticas que por aí andam) ou em aula com recurso ao zé google e tudo, numa de aceitação pacífica da tecnologia como fonte de conhecimento e ferramenta de aprendizagem. Imaginemos que à questão “explica a importância das cortes de Coimbra de 1385” recebe a resposta “servia de proteção para o povo contra os ataques dos muçulmanos”. Imaginemos que, agarremos na problemática por onde agarrarmos, a culpa é sempre, na perspectiva da teoria ministerial de que o aluno tem toda a razão desde que entra na loja, desculpem, na sala,  do abrenúncio que lecciona tal matéria e que não conseguiu que @ respondente, ao fim de quatro dias, achasse resposta melhor ou que sequer achasse que aquela coisa dos muçulmanos já foi dada há uns meses e que pouco tem a ver com o rai’s parta do João, mestre de Aviz, o João das Regras e mais a catrefada de joões daquela altura.

Imaginemos ainda que à questão “relaciona a crise económica e demográfica com as revoltas camponesas no século XIV” é dito, ao fim de uns longos minutos (coisa de dois ou três) a pesquisar com ar de enfado e martírio, “professor, não há nada disso na net”.

E prontosssss…. é assim. E o pior mesmo é que não se trata de alunos com características vagamente fora da norma.

E não me venham com conversas de ética acerca disto que eu mando-vos já dar três voltas ao marquês com a bandeirinha vermelha do anti-troika e anti-jesus.

ed-bang-head-o

Sempre Lá Esteve

O PSD sempre a admirou e ela desenvolveu quase sempre e no essencial políticas de centro-direita, só se preocupando em amesquinhar as escolas públicas e os professores que nela trabalhavam. Foi ela que acelerou a proletarização docente e que tentou tudo para que a opinião pública a poiasse nessa sua luta. Há muito que digo que o governo PSD-CDS e o ministro Nuno Crato se limitaram a prolongar o trabalho de MLR. Claro que já assisti a muitos revisionismos na vida, portanto não me espanta algum branqueamento que lhe tem sido feito de forma acelerada à esquerda, mesmo em ambientes sindicais desmemoriados ou, pior, com escasso respeito para com o que se passou entre 2005 e 2009.

Conden