A Produção do Sucesso

Imaginemos um professor que, apesar de todos os defeitos e conservadorismos atávicos que lhe tolhem a mente, procura que as turmas com pior desempenho melhorem os seus resultados. Imaginemos que a criatura docente, ultrapassando todas as suas limitações paradigmáticas em termos de avaliação, até substitui um teste por pequenas fichas semanais (à maneira de um pca) para fazer em casa durante vários dias, na explicação (realidade que mereceria um tratado enciclopédico sobre as diversas práticas que por aí andam) ou em aula com recurso ao zé google e tudo, numa de aceitação pacífica da tecnologia como fonte de conhecimento e ferramenta de aprendizagem. Imaginemos que à questão “explica a importância das cortes de Coimbra de 1385” recebe a resposta “servia de proteção para o povo contra os ataques dos muçulmanos”. Imaginemos que, agarremos na problemática por onde agarrarmos, a culpa é sempre, na perspectiva da teoria ministerial de que o aluno tem toda a razão desde que entra na loja, desculpem, na sala,  do abrenúncio que lecciona tal matéria e que não conseguiu que @ respondente, ao fim de quatro dias, achasse resposta melhor ou que sequer achasse que aquela coisa dos muçulmanos já foi dada há uns meses e que pouco tem a ver com o rai’s parta do João, mestre de Aviz, o João das Regras e mais a catrefada de joões daquela altura.

Imaginemos ainda que à questão “relaciona a crise económica e demográfica com as revoltas camponesas no século XIV” é dito, ao fim de uns longos minutos (coisa de dois ou três) a pesquisar com ar de enfado e martírio, “professor, não há nada disso na net”.

E prontosssss…. é assim. E o pior mesmo é que não se trata de alunos com características vagamente fora da norma.

E não me venham com conversas de ética acerca disto que eu mando-vos já dar três voltas ao marquês com a bandeirinha vermelha do anti-troika e anti-jesus.

ed-bang-head-o

2 thoughts on “A Produção do Sucesso

  1. hum…repara que tu apanhas respostas ainda mais criativas em testes normais, de alunos a quem não beneficiais. a ignorância tem sempre o mesmo nome.

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