Como Estragar uma Boa Ideia?

Tutorias para grupos de 10 alunos? Acabar com o vocacional aos 13 anos é uma óptima medida e as tutorias também. Só que… acham que 4 horas por semana dão para apoiar “grupos de 10 alunos no estudo, mas também na sua relação com a turma e a família”? A sério? E será que a melhor ideia é mesmo aproveitar apenas quem está com horário reduzido e não quem tenha mesmo apetência para a função? Porque eu conheço boa gente que não é por ter horas livres que ganha créditos em bom senso e sensibilidade. Nestas situações, a obsessão pelas poupanças raramente é boa conselheira.

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As “Explicações”

Que me perdoem as excepções mas, em matéria “empresarial”, não passam de um negócio e pouco mais do que isso. E agora pululam por aí tais “espaços de aprendizagem” que nem sequer o apoio a um trabalho ocasional conseguem assegurar em condições, facturando, em especial no caso do Básico, com a ausência parental, os complexos de culpa e a paranóia generalizada em torno do “sucesso”. E o que mais chateia é que há quem se encolha no público para se estender no privado e nem sempre se negue a dar lições de saber fazer.

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O que Não nos Dizem… 2

A enorme diferença no ajustamento das redes pública e privada. Quando há quem diga que muitas famílias optaram pelo ensino privado, nem sempre dizem que é porque fecharam muitas escolas públicas ou que algumas unidades orgânicas passaram a ter uma dimensão disparatada para o nosso país. Quando alguns protestos histriónicos falam em crime (ou em gravíssima crise social) devido à reavaliação dos contratos de associação, o que dizer da amputação da rede escolar de 1º ciclo em grande parte do país, retirando mais um factor de fixação das já de si diminutas populações jovens? Crime de Lesa-Pátria?

Os quadros são do volume Estado da Educação 2014 do CNE.

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O que Não nos Dizem…

… muitos dos especialistas em treta educacional aplicada. Que Portugal foi dos países que mais progrediu nos testes PISA e, de muito longe, o que mais progrediu com uma evolução péssima evolução do PIB desde 2000.

Quando nos querem fazer engolir que são os países que introduziram ou mantiveram neste início de milénio  mecanismos de liberdade de escolha que apresentam melhor desempenho, escondem – mas de forma voluntária – que esses países tiveram variações negativas nos PISA (como acontece com a Suécia ou Holanda). E quando nos falam da Finlândia já repararam como variou o seu PIB?

É estranho que existam estudos que estabelecem uma relação clara (mesmo se não absoluta) entre o estatuto socio-económico dos alunos e o seu desempenho escolar, mas que depois muitos dos que os usam não sublinhem devidamente tudo o que tem sido feito pelos alunos e escolas em Portugal, os progressos conseguidos apesar da mediocridade da gestão política, económica e financeira do país  e dos seus brutais efeitos sociais.

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(fonte: Estado da Educação 2014, p. 15)

Todos – da Direita à Esquerda – querem mudar. Querem novos paradigmas. E dizem que estamos mal  e que o nosso sistema de ensino está ultrapassado. Bullshit, plain bullshit. Podemos não estar à frente do pelotão, mas somos os que fizemos maiores progressos e recuperámos grande parte do atraso. É desonesto, fraudulento, que digam o contrário.

Está tudo bem? Claro que não, mas não é pelas razões que alegam os fanáticos das comparações internacionais, que as esquecem sempre que lhes desagradam.

 

Pedro e o Lobo

É o conto infantil que melhor simboliza o arrazoado dos opinadores do Observador em matéria de Educação, assim como a sua aparente idade mental, sendo que substituem o lobo pelo Mário Nogueira, quando eu acho que ele é mais o capuchinho vermelho. A falta de imaginação da maioria dos observadores é confrangedora, assim como as suas tácticas de demonização revelam uma continuidade em relação à retórica de Maria de Lurdes Rodrigues há perto de uma década que não deixa de ser sintomática de uma patologia comum. E olhem que é obra, conseguirem que isto seja escrito por alguém que tem pouca estima pelo grande herói sindical da Direita Portuguesa. Só que há limites para os traumas, as obsessões ou apenas a profunda e consciente desonestidade política e intelectual.

EL+LOBO+DEL+AMOR