Falta de Decoro

Está na RTP3 um deputado da Nação do CDS, João Almeida de sua graça escassa, a dizer coisas que deveriam fazer corar de vergonha qualquer pessoa com bom bom senso. Muitos disparates (desde logo dizer que as crianças “acabam um ciclo de estudos” com 11 anos… depende… se entrou com 5 anos está a terminar o 2º ciclo, se entrou com 7 está a terminar o 1º), dos quais o mais despudorado é do dizer que é uma violência fazer um aluno sair de uma escola aos 11 anos e deslocar-se quilómetros para outra, quando ele apoiou um governo que encerrou centenas de escolas e obrigou crianças de 6, 7, 8 anos a deslocarem-se dezenas de quilómetros para outras escolas porque era mais barato. Mas estes tipos não têm um pingo de vergonha na cara (ia dizer trombas mas isso seria ofender desnecessariamente os elefantes, animais muito estimáveis)?

Joao Almeida

 

Esperem pela Municipalização…

… e em algumas zonas verão os senhores autarcas que acumulam interesses aqui e ali (na reportagem da RTP apareceram alguns – como aquele que foi acabar o 12º ano ao colégio privado 🙂 – e outros esmeraram-se por não aparecer) a reordenar a rede escolar a seu gosto. Mas há por aí gente muito mais inteligente do que eu que acha que tudo pode ser controlado porque, no seu caso particular, a câmara é agora dos seus amigos.

(tudo em defesa dos interesses dos alunos, é claro)

Um bocado como aqueles que dizem que os colégios até são maus e fazem negócio, excepto aquele onde andaram que sempre foi virtuoso. Até pode ser que sim, mas…

zandinga

Sexta às Nove

Hoje, na RTP. Ao que consta, uma investigação com traços comuns ao da que foi feita por Ana Leal há uns anos, na TVI, sobre certos negócios no mercado da Educação, onde as fronteiras do interesse público tendem a esboroar-se no caminho para os bolsos privados. Na altura, ouvi eu dizer a quem sabia de muito, que aquilo daria em quase nada, como veio a acontecer. Veremos se desta vez acontece o mesmo.

TV

Eu Bem Tento

A sério. Eu tento gostar deste ME – a coisa do investigador independente, do jovem do interior que venceu no mundo da investigação – e tento encontrar coisas boas para dizer dele, mas o homem parece disposto a, mal eu estou a lançar-me para a banheira, dar-me um banho de água gélida. Andava eu tão satisfeito com o fim do malfadado vocacional que quando li que se iria substituir esta ideia de asno por tutorias para os alunos com problemas de insucesso estava mesmo para ir comprar foguetes, um tapete vermelho e velinhas para acender em honra de São Tiago. O problema foi quando ultrapassei o título e os destaques noticiosos e percebi que a ideia é requalificar os professores com insuficiência lectiva em tutores de grupos de 10 alunos, acrescendo o papel de uma relação mais próxima com as famílias.

Eu vou-me ficar pela versão curtinha do que penso, em cinco pontinhos apenas, porque a temperatura já chegou aos 30º (praticamente o limite para se aguentar qualquer prosa acima das 150 palavras) e há  6 milhões de portugueses (e alguns maritimistas) à espera de ver a Taça das Ligas.

1 – Grupos de 10 alunos por tutor só lembra a quem não percebe nada destas coisas.

2 – E quando só existirem 5 ou 6 alunos nestas circunstâncias?

3 – Um professor com horário incompleto ou sem carga lectiva não se transforma miraculosamente num tutor.

4 – Este tipo de função não vai lá com formações apressadas, dadas por quem tem lugar fixo na ementa formativa do ME (ou dos CFAE) mas que se tivesse de ser tutor de 2 ou 3 casos sérios até se lhe ia a prosápia toda ao ar e mais os pauerpóintes.

5 – A estratégia tio patinhas, nestes casos como em outros, consegue dar cabo das melhores das intenções originais.

METiago

Como… 2

… é que um tão ácido crítico da Educação em Portugal como Guilherme Valente, comparado com o qual eu sou um menino de coro, se deixa fotografar para a Sábado como orgulhoso editor do nosso best seller à la minute Rodrigues dos Santos? O negócio é o negócio é o negócio, a facturação não se compadece com outros factores e a qualidade é muito relativa desde que exista um revisor a fazer o seu trabalho. Até porque as frases são curtinhas e a sintaxe nada oblíqua.

Duvida

Como…

… é que um banco falido e enterrado em problemas é patrocinador do seleccionador nacional de futebol com uma campanha publicitária que mete a cara do Fernando Santos em tudo o que é paragem de autocarro e páginas de revistas?

(que raio de presságio…)

fernando-santos