Conseguiram

Afundar a CGD. Primeiro, retirando-lhe uma posição especial, de estabilidade do sistema, para que outros bancos nascessem à custa de algumas áreas de negócio que lhe eram exclusivas, alegando que eram privilégios (tática muito usada sempre que querem destruir algo). Depois, usando-a como prateleira dourada de aparelhistas de todas as cores do arco da governação, gente sem qualificação para cargos de responsabilidade, de cardonas a varas, a quem se recompensaram serviços ou se colocaram em posições para conceder os créditos certos às pessoas certas. Em seguida, servindo-se dos seus fundos para salvar bancos falidos pela brilhante gestão dos nossos empreendedores de génio, os jardins, os salgados, os rendeiros, os ulricos, enquanto se faziam danças de cadeiras entre as administrações das caixas, dos milénios e afins (com toques de capital da ditadura africana mais necessitada de uma escápula europeia para as suas manobras financeiras). Uma completa vergonha, transversal aos governos e à classe política, conduzindo à progressiva degradação da única instituição credível do nosso sistema bancário. Mas ninguém será responsabilizado seja pelo que for, dirão todos que fizerem o que podiam, que a crise foi internacional, que o banco de portugal isto e a comissão europeia aquilo. Voltaremos todos a pagar os desmandos alheios. E quem deveria informar aquilo que era visível de uma aldeia da província por um qualquer caramelo sem baias nos olhos estava mais preocupado em fazer viagens à conta e a almoçar de borla em troca de silêncios, por causa dos riscos sistémicos. Um pântano vergonhoso de cumplicidades, mesmo se servidas por gente com camisas de bom corte, gravatas de seda e dandismos serôdios como os de certos senadores do nosso jornalismo, óptimos a produzir sentenças máximas em epístolas mínimas de substância, encantadas com a sua própria fluência vácua. Gente sempre disponível para (não) informar, Na primeira ou última página. Em prime time telejornalístico ou em espaço assinado em late night.

claustrofobia

4 thoughts on “Conseguiram

  1. Excelente post.
    Há anos que venho a dizer que enquanto não fornicarem a Caixa Geral de Depósitos não descansam.
    Conseguiram.
    Governados por uma cambada de filhos da mãe para não dizer da pu t@.
    (Des) informados por uma cambada de jornalistas que de jornalistas só têm o nome.

    Uma banca privada que não passa de uma cambada de aldrabões e caloteiros que andam a ver se ficam a dever 4.000 milhões de euros ao Estado:

    “(…) O Governo está a tentar encontrar uma solução para o reembolso do empréstimo público de 3900 milhões de euros ao Fundo de Resolução no quadro da criação do Novo Banco em Agosto de 2014. Em causa está o calendário previsto para o Fundo de Resolução (veículo público alimentado por dotações da banca) devolver a verba ao Estado em Agosto. Uma hipótese passa pelo prolongamento do financiamento por mais um ano.

    Esta terça-feira, no contexto da conferência O Presente e o Futuro do Sector Bancário, organizada pela Associação Portuguesa de Bancos (APB) e pela TVI, o primeiro-ministro deixou um aviso: “Independentemente do valor da alienação do Novo Banco, as responsabilidades do Fundo de Resolução mantêm-se em relação ao Estado.” Mas disse outra coisa: que os banqueiros não “devem contar com qualquer desconto por parte dos contribuintes”, isto se o Novo Banco for vendido, como tudo indica, por um valor inferior ao injectado pelo fundo quando foi constituído, a 3 de Agosto de 2014. Na altura, a instituição (que resultou do colapso do BES) recebeu 4900 milhões, dos quais 3900 via Tesouro e mil milhões por dotações do sector.

    António Costa não foi, todavia, esclarecedor quer quanto ao calendário, quer quanto aos termos definidos para o fundo (bancos) devolver os 3900 milhões. O que tem sido referido é que os juros e a dívida ao Estado serão liquidados com as contribuições do sector a realizar ao longo de várias décadas.

    Embora o fundo seja de risco público — qualquer ajuda ao Novo Banco terá de ser submetida à Direcção-Geral de Concorrência europeia (DGComp), por ser considerada auxílio estatal —, cabe ao sector financeiro capitalizar o veículo e pagar as suas dívidas. A exposição total do Estado ao Novo Banco é de 7400 milhões: aos 3900 milhões somam-se 3500 milhões de garantias por dívida emitida. (…)
    Ler mais: https://www.publico.pt/economia/noticia/governo-procura-solucao-para-emprestimo-de-3900-ao-fundo-de-resolucao-1732621

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.