Os Problemas da Educação

São muito mais e mais graves do que este folhetim rocambolesco dos contratos de associação, mas é bem verdade que praticamente nenhum revela tanto potencial para a parvoeira e para as encenações para as câmaras como este vai demonstrando em catadupa diária.

Meu Filho(espero mesmo que isto seja montagem e não um acto gramatical falhado)

Armado em Bom

Graças ao meu feitiozinho especial, dou por mim a ouvir algumas vezes – em outras dizem-no longe 🙂 por causa dos ricochetes – algo do género “lá estás tu a armar-te em bom”.

E é verdade. Ainda hoje dizia a uma colega que o facto de não gostar de reuniões e de passar parte delas a olhar para ontem não me impede de fixar os detalhes mais relevantes do que lá se passa. E é verdade que nem sempre a minha atitude e comportamento é a de quem “se arma em satisfaz”. Ou em “satisfaz menos”. Ou em “suficiente”. É inegável que por vezes me “armo em bom”. Já que se carrega a fama, ao menos que se aproveite o proveito.

O que nunca me armei foi em “munta bom” ou em “xalente“, que isso é especialidade de outras estirpes de criaturas. O problema de quem se arma em “munta bom” (já nem falo em xalências tipo cavaco a acertar sempre com perdigotos e a nunca ter dúvidas em quem) é que raramente consegue estar à altura do desafio que a imagem impõe para o exterior. Ser “munta bom” é algo que não se pode ficar pelos ares, ou pela representação da coisa, que isso é o reino celeste dos relatórios e das grelhas coloridas, algo que para mim é periférico e me merece escasso investimento fora do que tem mesmo de ser, porque tem muita força.

A malta “munta boa” diverte-me, em especial quando a escala é daquelas pequeninas, medida em escassa área de alcance e com o horizonte quase logo ali. Mas desde que fiquem com a satisfação satisfeita, mesmo que o desempenho ande ali pelo satisfatório, não serei eu a impedir o peditório. Mas claro que me sorrio, por dentro e para fora, que isto de uma pessoa interiorizar muito é complicado, a menos que seja já depois da digestão dos caracóis.

peru-real

Que Tanto que Eles Gostam dos Pobrezinhos

A argumentação mais hipócrita e demagógica é esta. Porque é ao nível dos “princípios”, das “ideias”, a quem os factos repugnam.

Façam as contas para 2014… ficam em seguida os quadros com o total de alunos no Ensino Básico (público,. privado dependente do Estado e privado independente) e o orçamento da Acção Social Escolar.

Mesmo economistas muito sofisticados perceberão que o nível de apoios socio-económicos é muito mais baixo no ensino privado, mesmo no dependente do Estado. As verbas transferidas para refeições ou outros apoios correspondem, em termos relativos, a metade do que deveriam ser, atendendo ao peso dos alunos. Infelizmente, como sabemos, estes são dados que os rankings também não divulgam, especificamente, para cada escola. Os últimos disponíveis são os do estudo de 2010, ainda sem os efeitos da austeridade  e da troika,

Alunos2014OE2014

Uma 3ª Feira a Produzir Sucesso

Estou a dar o meu contributo e nem sequer entrei na fase da abordagem holística disto tudo. Com grelhas simples para registar e não para determinar. E com alguns limites, claro. Em nome da justiça, porque nem todos merecem. Ninguém paga a um carpinteiro, arquitecto ou médico com base nas suas capacidades abstractas potenciais mas na concretização da cadeira, do projecto, do diagnóstico.

Porque ainda me preocupo e canso ainda com isto? Porque o respeito dos alunos não se mantém com truques, pois eles são os primeiros a detectá-los e a cheirar o medo de quem faz as coisas só para ficar bem no retrato ou para evitar chatices.

Mas tudo anda a ser feito para voltarmos à fabricação acrítica de sucesso, agora com mais força porque a capacidade para resistir é cada vez menor.

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