E Quando Ele(s) Mandar(em) Em Tudo?

Agora imaginem que Rui Moreira passa a mandar em toda a escolaridade obrigatória na zona do porto. Imaginemos que, por tacticismos diversos, esta é uma opção partilhada do outro lado do Douro, onde temos Albino Almeida a comandar a Assembleia Municipal de Gaia com a não disfarçada satisfação de muita gente outrora lutadora contra a municipalização, mas agora reconvertida à situação.

O problema nem é Rui Moreira estar errado em algumas partes do que afirma (a sério, há coisas que são bem verdade), o problema é que a solução dessas situações não deve ser retirada às escolas e, muito em particular, a uma forma partilhada de as resolver, em vez de colocar tudo nas mãos dos piratas das pernas de pau. O problema é que a autonomia das escolas públicas nunca foi grande coisa e vai passar ainda a significar menos, com os directores (que já de si são polarizadores quase exclusivos do poder nas escolas) a terem de ir fazer vénia aos Paços do Concelho para terem os projectos aprovados e a dependerem imenso de poderes externos para dar alguma identidade às suas escolas. Porque apesar dos estudos dizerem que os nossos alunos até têm boas relações com os professores e serem dos que se sentem mais felizes nas escolas a nível europeu, há sempre os que buscam novos paradigmas, aqueles em que só as suas ideias têm direito a expressar-se. E quando as ideias a expressar tiverem de depender de uma cadeia hierárquica ainda mais limitada do que a actual, a liberdade que tantos afirmam defender estará definitivamente morta e o conceito de autonomia só poderá ser usado à laia de paródia.

A péssima imagem que os políticos se têm esforçado por passar das escolas públicas, procurando que ela se multiplique na opinião pública, é um atentado ao tal interesse público que alguns afirmam defender. A tenacidade, arrogância e sobranceria com que esta gente se tem dedicado a amesquinhar o trabalho alheio e todas as realizações das escolas públicas de acesso universal e não apenas para as “classes médias” que querem os filhos longe da ralé, a forma como – por exemplo – Maria de Lurdes Rodrigues tentou criar oásis de primeiro mundo com a Parque Escolar enquanto deixava o resto das escolas num limbo de abandono ou como Nuno Crato acabou o mandato a fazer fretes à santa aliança das PPP da Educação (dando a uma e outra obra contratos que alguns pretendem perpétuos), demonstram bem até que ponto a aproximação (eufemismo para municipalização) ou territorialização das políticas educativas vai por um caminho demasiado perigoso, por muito estimáveis que posam vir a ser as excepções. Porque, no fundo, o que estará sempre em causa será o carcanhol, o pilim, aquilo com que se compram as consciências.

A regra será a destes iluminados como Rui Moreira, que até fez 7 anos numa escola pública (com sorte até teve um pretinho barnabé numa turma, não foi, para se afirmar multicultural e tolerante?) e que por isso acha que sabe tudo sobre os males da Educação em Portugal. Vista-se de amarelo, apanhe a Ryanair e olhe que ainda chega a tempo à 24 de Julho.

herman-jose_eu-sou-o-presidente

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