Recomeçou

A boa e velha demagogia. Aquela que diz que quem paga escolas privadas paga duas vezes impostos. Não é verdade. Todos (bem… nem todos, há os que offchoram) pagamos impostos para que existam serviços públicos universais que deveriam chegar a todo o país. Por acaso, o desgoverno do PSD e do CDS foi muito competente a fechar muitos desses serviços, a  começar pela Educação. Mas isso agora não interessa nada, muito menos à coerência. O que interessa é que dizem que não querem pagar a Educação Pública porque a querem Privada. Ou então que lhes paguem para não frequentar a rede pública de ensino.

Ora bem… eu também não quero pagar, com os meus impostos, a Educação deles, a dos que não querem misturar-se com os outros, connosco. Aqueles que agora não querem andar mais 10 minutos de caminho quando apoiaram que os outros andassem mais meia hora ou mesmo uma hora para conseguirem frequentar o 1º ano de escolaridade porque o governo do Passos e da Cristas lhes fecharam as escolas, mas mesmo fechadas?

Sim, eu sei… de acordo com os liberais, eu e outros, como funcionários públicos, não pagamos impostos, somos apenas uma despesa, um encargo, pois prestamos um serviço de má qualidade (caótico, dirá aquela nova luminária lá do Porto), dispensável, desde que as obras (lembremo-nos sempre que existe uma santa aliança nas PPP da Educação entre interesses laicos e eclesiásticos, porque o capital não tem credo único e tanto aceita a cruz como o maço e o cinzel) possam receber subsídios para nos substituir. Bem… menos onde existam muitos alunos amarelos escuros porque aí podem continuar a existir escolas públicas.

Mas… se o princípio solidário destes humanistas é o de pagar apenas o que se usa, se o contribuinte não deve pagar serviços de que não beneficia, porque raios devo eu pagar impostos para pontes em Coimbra, metros no Porto, hospitais em Viseu ou estradas em Fátima?

(não vou a urgências há coisa de 25-30 anos, poderei descontar nos meus impostos o custo médio anual de um utente nesses serviços?)

Queremos fazer imperar a lógica do utilizador-pagador, que quebra o mais básico princípio de solidariedade fiscal em nome da coesão social? Entrámos, de novo, nesta disputa vergonhosa do “eu pago mais do que tu” que acaba quase sempre com os ricos a pagar menos do que os remediados e ainda a dizerem que a malta aguenta, aguenta mais desemprego e mais austeridade?

Lamento, meus queridos amigos que tão bons e excelsos princípios defendem, em particular os que batem no peito e se dizem mulheres e homens de Fé, mas vocelências envergonham os ensinamentos do Cristo que dizem seguir. Aliás, é por estas alturas que me sinto mais cristão do que muito beato de hóstia ao domingo porque eu não lavo tão facilmente os meus pecados.

Ahhhh… e nem comecei com aquela do “sim, até concordo que fechem este e esse, mas aquele onde eu andei é que não, que é mesmo serviço público e a escola do Estado é feia e tem meninos que não se benzem de manhã”.

bullshit-detector

One thought on “Recomeçou

  1. Mas por que carga de água teremos então de pagar com os nossos impostos os desastres da banca?…
    Por que é que os contratos com os FP e os pensionistas puderam ser jogados para o lixo e os do colégios são invioláveis?…

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