Equivalências

O José Cid está para Trás os Montes como o Henrique Raposo para o Alentejo. São apenas artistas e precisam vender, dar nas vistas. Aguarda-se quem se chegue à frente para o Minho ou a Estremadura.

(não… não ilustrarei este texto com aquele famoso retrato do vate desnudo…)

alheira-de-Mirandela

Wagner, Cristo e Tudo Isso

O Público traz hoje mais dois artigos sobre o que entre nós passa por ser uma polémica literária, a propósito de mais um livro de Rodrigues dos Santos em que ele capitaliza a utilização de uma tese popular na segunda metade do século XX que é atribuir a responsabilidade do fascismo ao marxismo. Um dos artigos é do próprio autor do livro que se limita a repetir-se e publicitar-se. A sua tese – baseada no argumento de que existiram fascistas com um passado marxista ou socialista, como Mussolini – tem tanta validade como dizer que o nosso liberalismo actual tem base no esquerdismo dos anos 70 do século XX só porque parte dos nossos liberais de agora (quase todos ligados ao PSD) foram militantes da extrema esquerda em meados dessa década. Ou que o nazismo se deve a Wagner porque Hitler e diversos dos seus correlegionários adoravam as obras daquele compositor. Já o texto de António Araújo recoloca tudo no seu contexto historiográfico, com as causalidades e contextualizações certas e não sensacionalistas. se por sensacionalistas entendermos uma tese com muitas décadas e típica do período da Guerra Fria.

Já agora, se Rodrigues dos Santos fosse mesmo ousado, deveria reconhecer que Cristo foi o primeiro grande comunista utópico da História, com a sua mensagem de defesa dos pobres e de combate aos poderes autoritários e recusa de pagamento de tributo (material ou simbólico) ao Imperador Romano. Cristo que esteve, no fundo, na origem de uma enorme sublevação de massas que, no prazo longo, transformou de forma revolucionária (ou reformista?) o Império e grande parte do mundo. Ergo, Cristo está na origem do comunismo utópico, logo, do marxismo,  logo, do fascismo, de acordo com a tese de JRS.  Até porque Cristo era judeu e universalista tal como Marx e tudo isto está naturalmente ligado.

Resumindo, JRS queria ser o nosso Tom Clancy e vender muito livros. Está a consegui-lo. Mas nunca será um contador de histórias. Nunca será um Stephen King. Porque esse sabe construir histórias, dar densidade à intriga, às personagens e todas essas coisas que fazem com que um escritor de best sellers não seja apenas um falso sensacionalista com enredos da carochinha, mesmo que polvilhados com aparente erudição.

Aguarda-se um próximo volume de JRS em que recuperará as teses dos Protocolos do Sião.

Clown