Uma Questão de Eficácia

Ao chegar à altura das avaliações, a tenebrosa rede de professores espalhada pelo país contacta entre si para consultas mútuas e aferir das boas práticas de produção de sucesso e redução do abandono escolar.

As quatro principais conclusões foram as seguintes, em prol de uma maior eficácia de todo o sistema montado:

  • Aperfeiçoar a prática de avaliar os alunos que nunca puseram os pés nas aulas, mas dos quais só se regista o abandono no fim do ano ou nem isso, quando alguém acha que, pensando bem, já que não abandonou mesmo tendo abandonado, merece avaliação e que, atendendo à inexistência de problemas disciplinares, até não será descabido ser-lhe atribuído um nível 2, permitindo assim que todo o resto dos alunos que aparecem e não chateiam muito tenham 3 (ou 10 se for no Secundário). De uma penada, diminui-se o abandono e aumenta-se o sucesso.
  • Justificar todas as faltas que os alunos ou encarregados de educação considerem justificáveis em nome de uma relação amigável escola-família, não sendo de excluir a boa prática d@s DT justificarem por si mesmos todo o tipo de faltas que destoe na pauta final e implique a produção de relatórios e justificações diversas, mais avisos de recepção e comunicações às entidades competentes.
  • Manter a prática de debater até à exaustão se os alunos estão em condições de transitar, independentemente do número de classificações inferiores a 3, por forma a conseguir que algumas pessoas acabem por concordar com toda e qualquer transição de maneira a conseguirem ir a casa cear e passar a noite com a família.
  • Exigir grelhas em triplicado (papel, suporte digital na base de dados da escola e armazenamento em cloud para futura consulta) de todos os elementos de avaliação (diagnóstica, formativa, sumativa ou outras descobertas ou por descobrir) usados pelos professores que insistam em atribuir classificações aos alunos que comprometam o seu sucesso, diminuam a sua auto-estima ou revelem elementos de segregação étnica, religiosa, socio-económica de género ou clubística.

Embora com algumas reservas – sinceramente, achei que até se deveria banir da rotina a marcação de faltas aos alunos, pelo tempo que rouba a tarefas mais significativas para as aprendizagens e que as grelhas deveriam ter um mínimo de cinco cores para cada nível de desempenho em todos os parâmetros avaliados – subscrevo estas ideias que julgo meritórias e, pela poupança de milhões que poderão significar ao reduzir o insucesso, muito importantes para o desenvolvimento da nossa Educação e preservação das nossas Finanças Públicas.

profpardal

 

15 thoughts on “Uma Questão de Eficácia

  1. Estive a ver e …não confere. Mas afinal onde trabalham vocês…? Essa das grelhas: não há cores e só há formato digital. O papel está caro e eu nem os testes imprimo… cada uma! 😮

  2. Vai piorar.
    Esperem até ver o eduquês puro e duro que anda a ser despejado nas acções de formação para as equipas que vão implementar os Planos de Promoção do Sucesso Escolar.
    E o pessoal a ter de inventar e implementar medidas para não chumbar os meninos nem ficar sem os financiamentos…

  3. Ora até que enfim. Um dos segredos mais guardados. Desmistificado. É exactamente assim, e pior, quando as direcções , à rebelia mesmo de professores, automaticamente transitam alunos que já têm 17 anos, estão no 6º ou 7º anos, e temos de os passar, mesmo que eles só tenham 10 níveis inferiores a 3 , e tenham sido suspensos durante o ano lectivo, fora o que se lhes aturou. Sim, as últimas reuniões são já o desgaste, já se diz que sim a tudo, que passem, desgraçado do Chiquinho que , nas mesmas condições foi tão discutido na 1ª reunião e agora, ao 4º dia outro Chiquinho igual, vai passar, queremos todos ir embora, ….
    E não sei o que andam a “ensinar ” nas tais acções de formação de combate ao insucesso mas basta-me a ideia LINDA de tutorias para as “crianças”,sic, ministro dixit, em grupos de 10, suponho que de diferentes turmas, e sermos tutores à força e tudo isto , para quem sabe o que é ser tutor, é ver se o menino trouxe caderno, copiou do quadro , saber o que se passa lá em casa, levá-lo ao colinho. Tudo em nome do combate ao insucesso e ao abandono escolares. Não importa a que preço. Acredito que venha ainda pior. E pior, ainda mais, com a municipalização…..

  4. E 17 anos no 5º também. E quando os pais entram pela escola, apesar das indicações em contrário do porteiro, para “ajustar contas” com um aluno que se defendeu, de um destes se passeia na escola, usa linguagem abaixo do impróprio, ameaça tudo e todos. Além de ameaçar quem tenta que se cumpram as regras, sendo funcionários, professores…Chamada a polícia, é posto fora e, apesar de colocar todos em perigo (se fosse um banco era levado pelo menos para interrogatório), os agentes da autoridade têm uma conversa amena com os infractores, queixa apresentada pela escola não é necessário (ou lá se vai a boa avaliação) e ficamos assim. Para que fique registado, ISTO NÃO É FICÇÃO.

  5. sem ironia e sarcasmo, em várias escolas a politica é a que está elencada nos itens; o argumento é a sombra do DACL, com a redução do crédito horário por causa do abandono e das metas. Por isso, simplifique-se: se é assíduo e disciplinado (não chateia nas aulas), nível 3. Nível 1 está extinto e nível 2 é excecional.
    Quanto a adultos entrarem pela escola para executar umas boas bofetadas à João Soares, invocar a legitima defesa constitucional, e não ter receio de retorquir com umas boas cacetadas, que eles amansam logo quando constatam que ‘quem vai à guerra, dá e leva’…

  6. Pois, mas os professores e funcionários, estão no “campo de batalha”, mas só podem levar, porque dar custa-lhes um processo disciplinar pelo menos. Fora as esperas à saída dos portões. O resto são histórias e passo a expressão, ‘para boi dormir’.

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