Contra uma Escola Pública a Duas (ou Três) Velocidades

Porque isto é verdade:

Já sei que, neste momento, o leitor está a pensar que a escola dos meninos pobres é pública e a dos meninos ricos é privada. Estão duplamente enganados: as duas escolas são do Estado, completamente públicas.

As duas escolas são em Lisboa, a poucos minutos uma da outra. Ambas na freguesia do Areeiro. A escola pobre e sem meios é a EB 2+3 Luís de Camões. A escola rica remodelada pela Parque Escolar é a EB 2+3 Filipa de Lencastre.

O Estado fez aqui o que faz muitas vezes: planeou mal, geriu mal, executou pior. Gastou fortunas em mármores e Sizas Vieiras para uns, e condenou os outros a marchas forçadas ao sol e à chuva. Tratou de forma profundamente desigual os pais que pagam impostos. Tratou de forma desigual os alunos.

ultrapassagem-carro-guinchado

5 thoughts on “Contra uma Escola Pública a Duas (ou Três) Velocidades

  1. A “festa do casamento” de MLR com a PE foi só para alguns… Para as elites urbanas, designadamente as que frequentam os antigos “liceus”, privilegiando as capitais de distrito. O seu “socialismo-em-modo-neoliberal” não dá para mais…

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  2. Este assunto da PE é abordado de forma completamente demagógica.

    Suponho que alternativa para a autora do texto (e para quem com ela concorda) seria não fazer obras em nenhuma escola. Ficavam todas em pé de igualdade.

    Incorre também numa incorrecção, a Escola 23 Luís de Camões não é uma escola dos pobres:

    Dados de 2015 (relatório da IGEC)

    “No que respeita às habilitações académicas dos pais e encarregados de educação, 24% detêm o ensino secundário e 27,3% possuem formação superior. Quanto às suas atividades profissionais, 37,2% exercem funções de nível superior e intermédio.” e “Ao invés, outras variáveis registam valores bastante favoráveis, como a média do número de anos de habilitação dos pais e das mães e a percentagem de alunos do 6.º ano sem ação social escolar, pelo que o Agrupamento não é dos mais desfavorecidos.”

    Quanto ao mito de a PE ter beneficiado as escolas da classe média, aqui trazido pelo Farpas, escolas como a do Restelo, Camões, Maria Amália, J. Gomes Ferreira (do ex-presidente do conselho das escolas) não foram abrangidas. Já as escolas de Chelas e Olivais (plebeias) foram todas requalificadas, tal como uma das mais complicadas de Lisboa, Passos Manuel, velho liceu, mas há muito sem “classe média”. E dava para continuar, exemplos não faltam…

    Afirmar que a PE privilegiou as antigas escolas técnicas, isso sim, é verdade. Foram quase todas requalificadas.

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    1. Daniel… os “pobres” e “ricos” do texto não são para ser tomados literalmente, ao que me aprece.

      Quanto à substância: a verdade é que a PE foi uma “festa” que ajudou a agravar uma escola pública a várias velocidades. As verbas gastas poderiam ter sido distribuídas de forma mais equitativa e eficaz.

      Eu posso dar exemplos de despesismo disparatado com equipamentos que nem são usados… como centenas de milhar ou mesmo milhões de euros em equipamentos de climatização que não é possível usar pelos encargos que têm…

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  3. Se não fosse esta “Escola Pública a Duas (ou Três) Velocidades”, era bem escusado eu e outros, muitos, andarmos o dia inteiro molhados ou a tentar atravessar sem barco piscinas que nem são municipais, para chegar às salas de aula.

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