Mediatismos

Já ouvi e li muito boa gente criticar o facto da agenda em matéria de Educação andar a reboque dos imperativos mediáticos. Concordo. Acho muito bem que toda a informação seja transparente e pública, sem que isso signifique andar em busca de primeiras páginas. Elas devem surgir, com naturalidade, da informação divulgada.

Isto vem a propósito de uma micro-polémica acerca das notícias dos últimos dias respeitantes a um estudo a apresentar daqui por uma hora no CNE sobre resultados no ensino público e privado e a que não posso ir para observar in loco a informação a apresentar na sessão.

Confesso que não me interessa discutir o conteúdo das notícias, visto não conhecer o estudo. Interessa-me discutir a estratégia comunicacional de quem promoveu esse mesmo estudo em parceria (CNE e FFMS) e decidiu tratá-lo como se fosse uma espécie de material para a fogueira mediática, divulgando-o a partir de um press release de 3 ou 4 páginas e levando a discutir o que ainda se desconhece para depois haver quem se queixe de comentários apressados.

Vamos a ver se nos entendemos… quem não quer comentários apressados ou com escassez de informação, não fomenta notícias a partir de informação parcelar. E quem quer debater assuntos sérios de uma forma ponderada, divulga a informação de forma directa e transparente, promovendo em seguida o debate.

E sim, que se lixe, isto é uma crítica clara aos procedimentos em especial do CNE que é um organismo oficial, já que a FFMS é uma entidade privada e terá o direito de divulgar aquilo que pagou como bem entender. E para que conste, apesar de (ainda) fazer parte do Conselho de Educação da FFMS, não tive acesso a nada do estudo, nem sequer aos autores, conclusões principais ou mesmo ao press-release. Ou seja, se pudesse ir ao CNE iria praticamente às cegas, debater em plano inclinado algo a que só há pouco ficou disponível no site da FFMS (e sim, já manifestei o  meu desagrado a quem de direito). Sei que os estudos do projecto aQueduto têm seguido este tipo de metodologia; assim como sei que este é mais polémico pelo contexto em que surge, pelo que despertou maior interesse e suscitou reacções mais exacerbadas. Que poderiam ser evitadas. Por quem não se submetesse à lógica do mediatismo.

Phosga-se!

Megafone

4 thoughts on “Mediatismos

  1. O imediatismo, que é mais o termo, é inimigo da reflexão. Espraia-se é bem à vontade no terreno da polémica superficial e tendenciosa…

  2. Na ausência do estudo, analisei ontem a forma mais ou menos manipuladora como a comunicação social pegou no tema.

    E claro, a fundação do Pingo Doce é livre de promover as ideologias que entender e de mandar fazer os “estudos” que quiser, pagos com o seu dinheiro.

    Agora o que não faz sentido é o CNE, instituição pública, ter por lá mais de 60 sumidades em educação, andar a encomendar estudos a entidades privadas em vez de recorrer ao conhecimento, à inteligência e à experiência dos sábios que lá tem emprateleirados.

    O David Justino julga-se provavelmente o ministro-sombra da educação e instrumentaliza o CNE para fazer política e arregimentar aliados – neste caso, a dita fundação – para a defesa das suas causas.

    https://escolapt.wordpress.com/2016/06/26/estudos-requentados-e-jornalismo-manipulador/

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