As Tutorias Como ACND?

Percebe-se que os materiais já têm alguns anos (parecem de 2011 e 2012), mas a verdade é que ainda estão online no site da DGE, naquela parte dos recursos para as boas práticas. Há alguma ideias interessantes, mas o enquadramento legal era na altura outro, mesmo se já se contemplavam tutorias em grupo. Só que eram em par pedagógico. O que permitia que um professor ficasse com o pequeno grupo e outro acompanhasse situações mais particulares. O que não é o caso agora. Mas ficam aqui as ligações, de qualquer modo.

ACND, instrumento de autonomia das escolas

calvin exams

Portefólio

A Direcção-Geral da Educação tem online um portefólio de práticas para promover o sucesso educativo. Na formação que anda a ser dada pelo país foi distribuído um pdf equivalente (Portefólio-de-Medidas-de-Promoção-do-Sucesso-Educativo) que visa espalhar as práticas de sucesso pelo país.

Conheço razoavelmente umas quantas destas metodologias, mal outras tantas e praticamente nada umas outras, pelo que não me arrisco a dizer quais os melhores pratos da ementa.

Vou ser é assumidamente cínico na análise de todo este “esforço formador” para o sucesso.

O objectivo é baixar as taxas de retenção para níveis residuais, tornando todo o sistema mais barato e podendo apresentar estatísticas maravilhosas para europeu comp(a)rar e ainda nos tornarmos um case-study ao nível da Finlândia ou de uma qualquer potência educativa oriental.

Para isso, o melhor e mais rápido é começar pelo fim – decretar o sucesso total a nível de escola/agrupamento – e construir a metodologia do fim para o princípio e depois transformá-la num powerpoint a ser distribuído pelas restantes escolas como exemplo do sucesso.

Não estou a dizer com isso que estas propostas se baseiam nesta forma de tratar as coisas, mas apenas que se podem poupar muitos trabalhos, projectos e ralatórios se formos directos ao essencial: o sucesso total até ao 9º ano, até porque já nem há “exames” pelo meio e tudo será controlado pela boa aferição, aquela a que os inconvenientes poderão faltar para não embaraçar as pautas e tudo parecer um mar de rosas. Um pouco como na Inglaterra em que vai tudo de carrinho até aos 16 anos e depois se estampam com os exames à saída do Secundário (os novos GCSE que sucederam aos GCE O-Level, para não falar dos não obrigatórios A-Level) que servem de base para a admissão às Universidades. Porque é divertido ver como a escala de classificação é quase toda construída com base no sucesso (só o nível U equivale a reprovação), mas como isso é depois encarado pela sociedade e pelas instituições universitárias de maior prestígio.

E pode poupar-se muito trabalho e diversificadas chatices, pelo menos ao nível da gestão – porque ao nível das salas de aula é outra conversa – se o sucesso ficar garantido e a tutela satisfeita, podendo dizer-se que se adaptaram metodologias do portefólio à realidade local e criando registos a condizer. Batota? Nada disso! Se a ideia é os alunos passarem pelo simples facto de aparecerem na escola, para quê andarmos a fingir que isto é para levar mesmo a sério? Acima de zero é sucesso. O nível 1 passa a significar pouco sucesso, o 2 é sucesso um pouco abaixo do esperado, o 3 é o do sucesso esperado, 4 um sucesso acima do esperado e o 5 muito sucesso. E só chumba quem tiver alínea. E mesmo assim é bom que seja uma alínea muito bem fundamentada, porque se o aluno não apareceu nas aulas, talvez tenha sido por causa do odor corporal, da indumentária ou do cenho d@s docentes.

Faz-se um portefólio e siga para bingo.

.

Conselho final: apresente-se a coisa como facto consumado, ouçam-se as opiniões, mas filtre-se o respectivo registo. Velhos do Restelo não produzem escolas de sucesso para o século XXI.

mascaras