Os Pesadelos Burrocráticos

Ou… de pequenin@s é que se grelham @s menin@s.

A ficha que em seguida se apresenta é de um agrupamento de escolas nacional (de que eliminei a identificação, bem como do jardim de infância específico) e destina-se à avaliação dos alunos de 5 anos. Como acontece nestas coisas, terá sido validada por um Conselho Pedagógico formado por professor@s/educador@s. Acredito que alguns dos seus elementos se queixa da burrocracia na sala dos professores. Quando depois isto circula pelos colegas, há quem justamente se arrepie.

O senhor secretário de Estado pode dizer que isto não é para acontecer no pré-escolar e que são péssimas práticas. Concordo. Resta saber se haverá coragem para as exterminar ou reduzir à insignificância de que são monumento feito em papel. Atendendo a que se é assim no pré, nem queiram ver daí por diante.

Anexo: ficha trimestral – 5 anos. Sim são 10 páginas de rigor e não, não me venham dizer que isto é responsabilidade de um@ ministr@ porque não é. É sado-masoquismo puro, embora eu calcule que quem aprovou dificilmente fará parte d@s que terão de preencher isto.

Help

Ousemos Sonhar!

Que o anátema lançado sobre as grelhas não se fique pelo pré-escolar e se estenda a outros ciclos de ensino onde se tornou uma obsessão para todos aqueles que, por convicção ou receio, registam e grelham tudo antes de dar um passo. Porque vejo colegas tornarem-se fanáticos do excel e da percentagem à centésima, com receio de recursos e pressões diversas.

“É importante que, de uma vez por todas, deixemos de confundir avaliar com classificar”, exortou, para explicar que “a classificação é um detalhe neste processo, que pode ou não existir”. Assim, o que o Ministério da Educação quer é “conceber a avaliação como um processo reflexivo, que envolve pais e famílias, transparente e que não pode ser standardizado, muito menos no pré-escolar”.

A avaliação “não pode ser feita em função da grelha”, explicitou João Costa. E, porque “o pré-escolar é um dos principais predictores  do sucesso escolar no 1º ciclo”, o governante revelou que o ministério está “com as mãos na massa”.

Claro que a conversa em torno da avaliação como “processo reflexivo” já a ouvimos há muito e sabemos no que acaba por desaguar… se não há sucesso é porque o professor não sou fazer o seu trabalho e, para o provar o que faz, deve produzir documentação, registos e grelhas.

Existisse a coragem de levar esta lógica até aos seus limites naturais e eu aplaudiria sem reservas. Assim, apenas posso aplaudir que o trabalho das minhas colegas educadoras e colegas educadores não seja massacrado como o dos professores dos outros ciclos de escolaridade.

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