Onde Traçamos a Fronteira?

Qualquer fronteira? O recorte é de um DN de data recente.

DN REt(o que não adianta é manter na escola e passar certificado de qualquer coisa a quem não quer lá estar, pois se não aprende, nem quer aprender, o que anda a fazer na escola? apenas a socializar?)

Eu citaria aqui a conclusão de um estudo brasileiro com o título de “A “escola dos que passam sem saber”:a prática da não-retenção escolar na narrativa de alunos e familiares”:

Os sentidos conferidos à escola pelos alunos e famílias participantes da pesquisa parecem ter sido pouco alterados após a adoção do princípio da não-retenção pela escola. Percebe-se que continuam empreendendo os mesmos esforços e delegando a mesma importância à instituição escolar em termos de instruir e socializar os educandos. Acreditam, todavia, que a capacidade da escola para cumprir tais funções é dificultada por não mais ocorrerem reprovações, na medida em que os alunos não se interessam e pouco se esforçam na ausência desse mecanismo percebido como regulador das aprendizagens e dos comportamentos. Assumem, pois, uma postura reticente quanto às possibilidades de sucesso escolar e social e conjeturam que a não-retenção escolar conduz a uma forma de exclusão ainda mais perversa que a anterior, por permitir a permanência na escola, mas sem propiciar uma aprendizagem efetiva. E, ao final do ensino fundamental, a escola outorga um certificado esvaziado de valor social, que atesta, na verdade, mais a incompetência do que a competência, quer para o prosseguimento dos estudos, quer para facilitar o ingresso no mundo do trabalho.

Mas, claro, quem assim pensa, deve ser estúpido ou, pior, ter de tal forma interiorizado a cultura da retenção que nem consegue ver a Luz! E claro que o estudo não foi validado por nenhuma das instituições reconhecidas entre nós como dignas de confiança pelos especialistas educacionais e políticos bem-pensantes do momento.

4 thoughts on “Onde Traçamos a Fronteira?

  1. Sim, alguns andam mesmo a socializar. adoram a escola e detestam as aulas.
    os artigos podem de não ser de sumidades mas serem sérios e bem fundamentados. eu não me ilumino com a sumidade pública. eu ilumino-me com pessoas que saibam pensar, fundamentem, sejam sérias. Há por aí muito grilo pensante que é um deserto intelectual.
    Algumas das pessoas que mais respeito, em termos intelectuais, são anónimos que andam por aí, no virtual, a debater pelo simples prazer da coisa. s fóruns proporcionam isso.
    Artigos há-os respeitáveis tanto em brasileiro como em português tuga.

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  2. A produção de ignorantes pela não retenção ou pela retenção pode ser equivalente se houver abandono no segundo caso. Quando eles lá estão, temos de os acompanhar e orientar. Se os reter-mos ficam identificados e podem ser ajudados. se os não retemos, mesmo orientados, ficam desnivelados, com menos tempo para atingir os objetivos globais. Porque a diferenciação provoca isso mesmo: diferença nas aprendizagens reais e desnivelamento numa exercício de classificação e seleção como são os exames. Ninguém acabou com os exames, pois não?

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  3. Os exames são o problema menor… (além de que, não lhes servindo os intentos, podem sempre acabar com eles… acredito que a caminhar neste sentido, lá chegará)…
    Serão o mundo do trabalho e a vida que finalizarão a segregação (que a escola, dissimulada de inclusiva, verdadeiramente começou) e a exclusão económica e social destes indivíduos. E, isto não será apenas um problema individual, desembocará num conjunto diversificado de problemas sócio-económicos…

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  4. Não há ofertas de borla nem acredito que esta gente acredite no que papagueia… Acredito sim, que mais ao longe vislumbram um outro horizonte… já sei… dirão: teorias da conspiração…

    A desacreditação da Escola (leia-se a Escola Pública) enquanto instituição, junto da sociedade e dos seus agentes económicos e sociais é o trabalho que está em curso… nada mais do que isso!
    Vem a ser feito há muito, com muitos avanços e, uma ou outra vez, com algum pequeno retrocesso… não desistem.

    Descredibilizaram os professores, desregulamentaram e precarizaram o trabalho, denegriram a competência e a sua autoridade profissional, burocratizaram as funções docentes, incrementaram exponencialmente o nível de conflitualidade, instigaram a competição no que ela tem de pior e afogaram a cooperação, proletarizaram uma classe profissional,…, retirando-lhes -passo a passo – a capacidade de resistir e de se insurgir,…, a par foram esvaziando as escolas de recursos humanos docentes e não docentes, de recursos materiais e financeiros… mas, apesar disso, as escolas e os seus profissionais vão sobrevivendo e tentando as respostas mais adequadas, dentro do possível, aos seus alunos… ao que parece e apesar de tudo parece que os estudos indicam que os miúdos ainda valorizam os seus professores, que as famílias ainda acreditam…
    Há então que minar o sistema, por dentro e junto, desta vez, do público-alvo…
    Mais pernicioso do que chumbar aquele que não aprendeu nem quis aprender é a mensagem que passa aos que trabalham, esforçam, estudam e aproveitam os recursos que a escola colocou ao seu dispor… e passo a passo, a degradação vai-se instalando:
    – na harmonia, disciplina e ritmo de trabalho na sala de aula,
    – num sistema de exigência e prestígio,
    – na cultura de trabalho, esforço e dedicação,
    – na cultura de sentir valorizado e reconhecido o seu trabalho,
    – na educação para a responsabilidade e civilidade,
    -…
    Os Pais conscientes e educadores sentirão, a par da escola, os problemas (como já sentem noutras matérias) mas a escola estará de mãos atadas… e eles, sem opções, também…
    Mas o verdadeiro preço a pagar começa um pouco mais tarde… quando o sociedade e os seus agentes económicos e sociais sentirem, factualmente, o peso e os obstáculos de uma Escola (Instituição) desacreditada…

    Estarão, de soslaio, as “verdadeiras” escolas – aquelas que não sujeitas a estas regras, formarão as elites do futuro…

    Será bom pensar que a Escola não pode ser instrumento para experiências sociais e aumento do ego e da projecção mediática (ou outra) de uns quantos pseudo-coisos… enquanto a Escola não for, efectivamente, encarada como um instrumento do Estado (Nação) no desenvolvimento do país (cujos recursos mais importantes são os recursos humanos) nada feito!

    Já agora, não quero que os meus impostos – já que o meu profissionalismo não conta para nada- sirvam para isto!

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