@s Bimb@s Sofisticad@s em Férias

Desculpem, não é futebol, porque não me apetece fazer prognósticos depois do jogo a demonstrar que sempre acreditei, porque é mentira.

Nem estou a falar de moi-même, a quem falta claramente a parte do sofisticado, por comparação com o que observo.

Só que, durante umas horas ao cair de um dos dias do fim último fim de semana, tive direito a uma exibição notável (coisa para umas quatro horas) de um casal de turistas tugas, ali ao redor dos 30 anos, claramente muito bem consigo mesmos e com a sua capacidade para se fazerem ouvir por toda a gente no alojamento onde diversas outras famílias de nacionalidades menos vocais (irlandeses, alemães, até espanhóis, calcule-se) tiveram o azar de permanecer durante a hora de jantar.

Porque estas criaturas não conseguem deixar de partilhar com o meio envolvente toda a sua sofisticação e cosmopolitismo, a sua intransigência em veranear pelo mundo – “há sempre dinheiro para se fazer uma férias, digam lá o que disserem, uma pessoa precisa de sair daqui…” – e em conhecer de forma adequadamente superficial as realidades locais – “ai, aqueles sumos de laranja são os melhores do mundo” – de modo a poderem partilhar experiências com outras criaturas da mesma espécie, mesmo que ocasionalmente encontradas. Tudo melhorando quando a carolinapatrocínio de serviço até aparece numa espécie de sari dos 300 com o lulu ao colo e estridenciando toda a sua mundivisão para quem só queria passar um pôr-do-sol – sunset, queridos, sunset – com uns petiscos por diante, sem ter de gramar com a abordagem analítica detalhada do resort do ano passado.

Porque @ bimb@ em férias já esteve nas ruas da Tailândia, já sofreu a loucura dos aeroportos do Brasil, já adorooou absolutamente aquelas praias das Caraíbas, já passou por aventuras mil e delas saiu sempre com o savoir faire típico de quem consegue descascar tremoços com os dedos dos pés e só bebe espumante se o copo – flûte à champagne, já agora, queriduska – estiver geladíssimo, como daquela vez em Paris de França. Já o bimbo em férias faz lembrar um pouco o discurso do Karl Pilkington porque, apesar de uma indesmentível pulsão para a aventura sem fronteiras, parecer querer ir aqui e ali apenas para carimbar o passaporte, ainda lhe faltando a Rússia, o Perú e, um dia, ele garante que sim, a China e a sua grande Muralha em que ele tirará a selfie da vida (em especial se alguém o empurrar inadvertidamente).

Em conjunto, porém, tudo é anunciado em forma de hipérbole, como fenomenal, fabuloso, extraordinário, épico, o melhor de tudo e coisas assim próprias de quem já experimentou os quatro cantos da Terra e sabe comparar e fazer recensão para o Trivago.

Sim, eu sei, estou a ser petulante, preconceituoso e intolerante. Mas a sério que me apetecia muita esta pequena vingança diferida, por me terem obrigado a abandonar o spot ideal e ter sido obrigado a ir relaxar para o outro lado do alojamento, antes que se me rebentasse uma veia ou artéria aqui na têmpora esquerda, embora sempre sem deixar de ouvir aquele zumbido distante do insistente e irritante mosquedo humano sem controle de som e com total ausência de consciência de que quando se exibe tanta sofisticação é porque se não tem uma pinguinha da dita cuja.

KArl3

Os Outros Heróis

Foram e continuam a ser desde a manhã os repórteres das televisões que têm estado a emitir em directo desde o mais recôndito canto dos acessos ao aeroporto até às rotundas no caminho para o Jamor, passando pelos canteiros de flores do palácio de Belém, falando incessantemente, mesmo em cima das motas pela 24 de Julho e 2ª cicruclar adiante, sem que se perceba se puderam sequer parar para um bem merecido mudar de águas aos tremoços.

Bla-Bla-Bla

Como a Vida Continua… 3

… não há que estranhar que os inoxidáveis do regime sejam redistribuídos pelas cadeiras disponíveis, conforme a dimensão e agenda de contactos que acumularam. Portas na Mota-Engil, Durão Barroso na Goldmann Sachs e até um António Vitorino na EPIS (só) fazem sentido dessa forma e de acordo com a lógica do tomalá/dá cá. Nenhum deles pesca o que seja de tais áreas de negócio ou intervenção, nem com minhocas turbinadas. Mas são gazuas, são facilitadores, têm contactos, sorriem como se fosse de verdade. São mestres na sua arte. São senadores de uma república romana decrépita.

polvo

Como a Vida Continua… 2

… será importante que em alguns agrupamentos e escolas deste país se faça algum controle acerca da produção dos planos para a promoção do sucesso educativo porque, apesar das entusiasmadas palavras do coordenador do projecto nacional acerca da capacidade do pessoal docente, há órgãos de gestão que parecem estar a preferir o outsourcing, encomendando estudos a “empresas”, como me consta ser o caso de uma gloriosa subdirectora que muito me estima :-). Só posso enaltecer a gestão de tal escola, visto que há dinheiro para gastar nessas coisas, evitando assim sobrecarregar os professores com um trabalho que os envolveria na definição das medidas que terão de implementar.

Mas este caso está longe de ser único. Porque parece que, subitamente, há em certos ambientes dinheiro para estes floreados, em vez de se constituírem equipas internas, se necessário com recurso a crédito horário, que recuperassem algum trabalho cooperativo e alguma partilha na definição das medidas de orientação estratégica das escolas/agrupamentos.

Claro que tudo – como no caso da joelhada do payet – é mais do que legal, legítimo, limpinho, limpinho, faz parte do jogo e isso tudo.

devil

Como a Vida Continua…

… convém que não esqueçamos situações como esta, que já aqui tinha aflorado há um par de semanas sem identificar exactamente a lozalização.

Ao que acima fica descrito, eu acrescentaria a divulgação de dois documentos que já são públicos em Famalicão, reservando a de outras informações de natureza mais privada: COMUNICADO FECAPAF; Resposta a FECAPAF_5_7_2016.

Money

O Poder da Bola

Posso escrever aqui a coisa mais inteligente do mundo sobre o assunto mais delicado da actualidade. Se correr bem, uns milhares de visitantes, com sorte acima de 10.000 num dia.

Ontem, após ver a repetição da joelhada do Payet no Ronaldo e de perceber que ele não ia continuar em campo, fiz um post muito curto a dizer o que me ia na alma perante o que se tinha passado. Até fiz muitas ressalvas em relação ao jogador que a UEFA decidiu ser o melhor do torneio, mas deixei bem claro que acho que a cacetada no joelho do Ronaldo foi propositada. Ao fim de uma hora tinha 15.000 entradas nesse post e doze horas depois vão em quase 90.000.

Para que percebamos, para além de todos os intelectualismos, o que desperta verdadeiramente, salvo honrosíssimas excepções, as paixões entre nós.

Depois do Fado ter fugido para as elites giras e bem-pensantes e de Fátima se manter no seu nicho específico, o Futebol ainda é o traço que acaba por nos unir, nem que seja a posteriori, em torno de um objectivo comum, cujo sucesso todos partilhamos a partir do esforço de alguns que ora apedrejamos, ora adulamos.

Bola