Regras? Para…

O presidente da ANMP é demasiado transparente na sua preocupação como a falta de regras relativas aos programas de combate ao insucesso escolar. A coisa merece transcrição alargada.

“Continua por definir – e é urgente que se consiga definir — a forma como se financiam os planos estratégicos para a promoção do sucesso escolar”, os “procedimento e regras” e de “atribuições de competências das partes envolvidas”, para a execução dos planos para o sucesso escolar e de combate ao abandono escolar precoce, sustentou hoje em Coimbra o presidente da ANMP, Manuel Machado.

As medidas de combate ao abandono e insucesso escolar, que envolvem um investimento superior a cem milhões de euros, comparticipados por fundos comunitários, em cerca de 85%, já foram contratualizadas pela administração central com as comunidades intermunicipais (CIM).

Mas falta estabelecer as regras, designadamente a nível de municípios e de agrupamentos de escolas e de escolas, sublinhou Manuel Machado.

Também “subsiste a necessidade de clarificação das fontes de financiamento, para a realização destes programas”, em relação à “contrapartida nacional [cerca de 15%] e à fonte de financiamento complementar”, acrescentou.

Resumindo: querem o dinheiro comunitário e que a maioria do investimento nacional seja feito pelo poder central, à custa de verbas que depois as escolas esmolarão aos gabinetes camarários, em vez de as receberem se não lhes retirassem cada vez mais competências e autonomia.

Aproximar Educação foi o nome escolhido pelo PSD para o plano de equilíbrio das finanças locais que o PS abraçou, apenas lhe mudando as moscas com a evidente cumplicidade da generalidade dos sindicatos. O resto é muito giro, mas não passa de uma completa mistificação da opinião pública, com altos patrocínios na classe política e nos meios académicos e empresarias, a quem se encomendam estudos e projectos.

Money

 

Vasconcelos Andeiro

A Passos Coelho só falta assinar a petição dos franceses que querem repetir a final do Euro e pedir para entrar em lugar do Payet na segunda parte, para ir a tempo de acertar no Éder. Nem sequer se trata da total falta de respeito pelo seu país… o que mais enoja é mesmo o fingir que nada se deveu a ele e ao estertor do seu eleitoralismo final. O que está em causa é o exercício de 2015, de que ele foi responsável durante 11 meses.

A História de Portugal tem algumas personagens deste calibre. Nem todas foram defenestradas devidamente, mas raramente escaparam à posteridade vergonhosa que recordará, apenas para recordar, promessas como a da devolução da sobretaxa de irs, feita a par com a sua professora de finanças vassoureiras.

Resta saber se restará ainda lugar para consultor do Barroso, porque há que recompensar devidamente estes prestadores de serviços.

Verdade seja dita… conheci pessoalmente a criatura e nunca me passou então pela cabeça que pudesse descer a este degrau vergonhoso de sabujice.

defenestrar

Muito Pouco Significativa

A evolução das notas nas provas finais do 9º ano. Quando andamos a discutir descidas de 1% em relação ao ano anterior, em especial quando estas provas têm escassa influência no nível de sucesso final na disciplina. Por vezes, há que ir para além da urgência em encontrar grandes conclusões quando, se fizermos uma média ponderada para uma série de dados que ainda está pela média duração, as tendências detectáveis são pouco relevantes. Sinceramente, prefiro perceber até que ponto o fim das provas finais de 4º e 6º ano libertaram as classificações internas de algumas amarras. No caso do 9º ano, isto é business as usual e, sinceramente, pouco conclusivo.

Pentelho

Como a Vida Continua… 4

… continuo, dezassete meses depois, curioso em relação ao produto final deste seminário do CNE sobre processos de descentralizalização em Educação. A complexidade deve explicar a morosidade, pois o volume deste seminário foi publicado sete meses depois de realizado, tal como o deste sobre a formação inicial de professores (bem longo), enquanto o deste demorou nove meses e o conjunto de três seminários sobre currículos de nível elevado em Ciências demorou oito meses a ter a sua publicação online,  Já nem falo deste que, mais curtinho, teve divulgação no próprio mês da realização.

Dezassete meses para umas actas, quase que só me lembro nos tempos em que as coisas eram em papel, batidas à máquina, sem hipótese de correcção rápida. Já aqui escrevi que não falo apenas em interesse próprio (fui o último a falar, antes do encerramento, fora de horas, sem direito a contraditório em relação às intervenções do público, tendo deixado a minha comunicação final praticamente como foi dita, tirando uns coloquialismos), mas sim no interesse em que se conheçam publicamente outras intervenções que lá foram, feitas e que espero não sejam retocadas, como a de um autarca pavoneante que deixaram falar quase uma hora inteirinha em vez dos 20 minutos previstos, tendo-se ele estendido por territórios maravilhosos. Ou a intervenção tonitruante de um líder sindical, no debate da última sessão, contra tudo o que fosse municipalização da Educação. Ou ainda verificar se o que então disse um dos anfitriões corresponde à sua acção concreta actual nestas matérias. E tenho ainda interesse em que isto se conheça em tempo (já pouco) útil e antes que o CNE tenha uma nova iniciativa sobre este tema que sirva para esconder esta.

Teoria da conspiração? Porque não? Os serviços do CNE estão ocupadíssimos com muita outra coisa. Acredito. Por isso mesmo observo com interesse – e sem receio nenhum de anátemas (estou habituado há décadas a coisas dessas) – as prioridades estabelecidas na informação da opinião pública.

Magoo