O Cagarro Silva

Embora já não seja PR e apesar de todas as suas limitações, esperava-se que à criatura não restasse apenas um imenso ressabiamento com a actual solução governativa que o faz defender a aplicação de sanções ao seu próprio país, sanções resultantes de um processo de endividamento e ajustamento de que ele foi cúmplice activo, por omissão quando deveria ter agido e por acção quando deveria estar quietinho e calado.

Há quem ache que ele foi um excelente político, algo com que discordo, pois acho que ele se limitou a ser o político que aproveitou um período histórico muito específico para chegar ao poder, quando os seus adversários eram gente de calibre muito escasso (a sua primeira maioria absoluta é conseguida com Vítor Constâncio a liderar o PS, pelo que encerro o meu caso) e o dinheiro europeu entrava em catadupa.

Chegou a PR porque o PS de Sócrates preferiu torpedear a candidatura de Manuel Alegre, por estar muito encostada à esquerda que agora dá suporte à geringonça.

O resto, o seu triste definhar político, é algo patético, um estertor que ele poderia evitar se tivesse o bom senso de nem aparecer mais em público e ir tratar das coisas domésticas com a sua maria. Pouparia a todos este doloroso espectáculo e talvez evitasse que a memória que dele temos não se torne ainda mais lamentável.

Cagarra

Notas do Secundário

Foram conhecidas hoje e, talvez para espanto geral, umas subiram e outras desceram em relação ao ano anterior. O que a evolução decimal dos resultados não resolve é o número de vagas nos cursos superiores mais desejados. Subam ou desçam as classificações, as cadeiras disponíveis são as mesmas. Claro que isso não significa que a classificação dos exames seja irrelevante, muito pelo contrário. Só que aos classificadores, todos conhecemos nas escolas, todos os anos. O que me irrita é a inimputabilidade que resulta do secretismo em torno das equipas que produzem os exames que, a cada ano que passa, têm sempre uns arrebiques por onde pegar e nunca há quem dê a cara para além da sigla.

Grafico

Repeat

Não sou muito dado a elogios, por isso guardo-os para quem os merece mesmo. Ontem e hoje vi este espectáculo do grande Declan MacManus no iConcerts (não está online) e só posso recomendar que o vejam e revejam, se puderem, por tudo e mais alguma coisa, como as deliciosas histórias sobre a sua família.

Como bónus, uma das músicas de um outros espectáculo em que ele tocava conforme as músicas eram sorteadas.

O Problema da Época Digital

É que cada vez mais gente pensa que é possível fazer rewind, repeat, fast forward e todos os efeitos especiais com a vida. Não apenas a miudagem da geração youtube e box da televisão. Também os adultos.

Vota-se Brexit? Se calhar, não foi boa ideia, podemos repetir?

Perde-se a final do Euro? Os tugas não mereciam, que tal repetir?

Talvez a vantagem do fernando Santos é ser um tipo claramente da geração analógica, talvez demasiado dominado pelo medo do erro que não há tempo para corrigir, como acontece tantas vezes na vida real, não virtual.

Fizeram merda? Não há papel higiénico que chegue? Aguentem-se… that’s life. A verdadeira. A que não dá para fazer delete and type again.

Aquela coisa de só a morte não ter remédio? É um chavão como todos os chavões. às vezes, aplica-se; em outras, nem por isso.

Rewind