Ziguezagueando no Labirinto?

Não seria melhor que a Operação Marquês se passasse a chamar Operação Aristocracia Corrupta? Até já começa a atingir o banco do mais novo banqueiro do ano (com patrocínio chinês e sem mosquitos da comporta), aquele alegado impoluto whistleblower do dia seguinte, ao mesmo tempo que começa a vislumbrar-se o cerejinha no topo da pequena parte que já não é possível esconder do imenso iceberg de negociatas ruinosas que nos levarão ao fundo com uma caixa de cimento atada ao orçamento.

Mas eu tenho muito poucas dúvidas que, a começarem a investigar demais, haverá quem mande comprar os direitos de publicação e muito aparecerá rasurado na cópia pública e tudo será arquivado para memória futura, em terceira instância por causa do prazo ir em tinta azul e não preta na terceira cópia em papel já não selado, com direito a aposentação gloriosa dos mais indiscretos.

Rasuras

Sarcástico e Azedo/Ácido

Nos últimos tempos, de diversas origens e por diversas formas, algumas pessoas que passam por este quintal fizeram-me saber que ando a usar o que consideram ser um excessivo sarcasmo e que andarei um pouco mais azedo e ácido do que o recomendável. Se fosse só uma ou duas observações, eu nem daria por isso. Ou se fosse apenas de um dado sector da plateia. Mas não, é algo mais alargado, pelo que decidi deitar-me de forma breve ao assunto, na ausência de outro tema mais relevante para a evolução do país em geral, e do cosmos envolvente, em particular.

Discordo apenas em parte.

Concordo em absoluto com o sarcasmo, que é um nível acima, no sentido do traço mais grosso, em relação à ironia que aprecio mais usar. A razão é simples… tenho reparado que a subtileza da ironia escapa a muita gente (por vezes acreditam mesmo que o que está escrito é para ser entendido literalmente) e que nem sempre a essência da mensagem faz efeito sem uma dose de meia bola e força. Infelizmente.

Quanto ao azedume e acidez, discordo, mesmo se não fiz qualquer medição. Porque, acreditem, na maior parte dos casos estou a sorrir quando escrevo, nem que seja interiormente, e não é raro ficar a olhar para alguns rascunhos antes de carregar no publicar, desnecessariamente divertido com algumas prosas próprias. O que fica mal.

Mas entendo que quem se sinta na outra ponta, quem se sinta, directa ou indirectamente, visado por algumas observações menos caridosas, ache que eu estou azedo ou ácido demais. É uma questão de posicionamento. Se repararem, quando não se passa isso – sentirem-se visad@s – até parece que estou nem mais leve e solto do que em outros tempos. O meu problema é andar quase sempre demasiado desposicionado, que é uma forma de dizer fora de jogo de propósito.

Ao vivo, perceberiam. Ou, quiçá, o efeito seria ainda mais corrosivo.

subtileza

Desporto

Este ano de 2016 parece demonstrar que esta é a actividade, em múltiplas modalidades, que mais destaque dá ao país (com mais reflexos económicos do que apenas as transferências de ronaldos) e que merece, certamente, a manutenção ou aumento do investimento público desde as idades mais jovens, nomeadamente ao nível do Desporto Escolar e do apoio às colectividades e clubes que enquadram os jovens e muitas vezes poderiam fazer parcerias muito vantajosas com as escolas em medidas concretas e muito mais eficazes de combate ao insucesso e abandono escolar do que a produção de burrocracia.

Vara

Aposentação

Acho justíssimo que exista um regime específico de aposentação para professores em exercício, para aqueles que dão mesmo aulas e que atingiram situações mais do que evidentes de burnout (já nem falo de outras situações clínicas) e que merecem uma saída digna da vida activa, sem “requalificações” forçadas, mas não para os que andam décadas a pairar em gabinetes, com reduções totais ou quase, a fazer outro tipo de serviços para que acharam ter maior inclinação, competência ou interesse.. Nesses casos, devem aplicar-se as regras gerais das funções que optaram por desempenhar em vez da docência propriamente dita. Uma coisa é o desgaste de estar todos os dias nas salas de aula, outra coisa é… outras coisas, bem mais fofinhas.

Zepov