Sarcástico e Azedo/Ácido

Nos últimos tempos, de diversas origens e por diversas formas, algumas pessoas que passam por este quintal fizeram-me saber que ando a usar o que consideram ser um excessivo sarcasmo e que andarei um pouco mais azedo e ácido do que o recomendável. Se fosse só uma ou duas observações, eu nem daria por isso. Ou se fosse apenas de um dado sector da plateia. Mas não, é algo mais alargado, pelo que decidi deitar-me de forma breve ao assunto, na ausência de outro tema mais relevante para a evolução do país em geral, e do cosmos envolvente, em particular.

Discordo apenas em parte.

Concordo em absoluto com o sarcasmo, que é um nível acima, no sentido do traço mais grosso, em relação à ironia que aprecio mais usar. A razão é simples… tenho reparado que a subtileza da ironia escapa a muita gente (por vezes acreditam mesmo que o que está escrito é para ser entendido literalmente) e que nem sempre a essência da mensagem faz efeito sem uma dose de meia bola e força. Infelizmente.

Quanto ao azedume e acidez, discordo, mesmo se não fiz qualquer medição. Porque, acreditem, na maior parte dos casos estou a sorrir quando escrevo, nem que seja interiormente, e não é raro ficar a olhar para alguns rascunhos antes de carregar no publicar, desnecessariamente divertido com algumas prosas próprias. O que fica mal.

Mas entendo que quem se sinta na outra ponta, quem se sinta, directa ou indirectamente, visado por algumas observações menos caridosas, ache que eu estou azedo ou ácido demais. É uma questão de posicionamento. Se repararem, quando não se passa isso – sentirem-se visad@s – até parece que estou nem mais leve e solto do que em outros tempos. O meu problema é andar quase sempre demasiado desposicionado, que é uma forma de dizer fora de jogo de propósito.

Ao vivo, perceberiam. Ou, quiçá, o efeito seria ainda mais corrosivo.

subtileza

10 thoughts on “Sarcástico e Azedo/Ácido

  1. Textos sublimes.
    Também só 10% do pessoal que é colega é que tem dois palmos à frente da testa.
    Por exemplo, sou coordenador e tive de me pegar com uma colega dado que não lêem o correio electrónico com a atenção devida.
    Um tipo faz a papinha toda: resumos de determinada legislação e nem assim lá chegam.
    E depois têm a ideia que são excelentes profissionais…
    É só gente burra.
    E faço questão de lhe dizer de modo requintado e mesmo assim não chegam lá…
    O serviço militar deveria ser obrigatório: apanharam?
    Não? Esqueçam

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  2. Não andas não!
    Não tenho comentado, sei lá… porque sim. Mas os teus posts continuam a ser inspiradores e das poucas coisas lúcidas que vamos vendo por aí escritas, vistas e ouvistas. Anda no ar um torpor que não entendo. Entre os professores em particular. Foram-se os mais velhos, será isso? Perdeu-se a memória ou perderam-se os tomates? Dispensando-me de fazer qualquer balanço (credo!), refiro apenas aquilo que se passa com a municipalização (a todo o vapor como diria o outro), e aquela coisa da promoção do sucesso. É inacreditável. Pedem-nos um trabalho que já foi feito há alguns anos e que depois nos convidaram a lançar ao lixo, porque as competências deixaram de estar na moda, o Perrenod foi reformado e os objectivos e não sei mais o quê, não podia ser assim porque as grelhas Excel é que é! Agora voltam essas “coisas” em toda a sua magnificência. Até parece que nunca houve um perfil do aluno, aprendizagens essenciais ou estruturantes, ou que nunca houve avaliação. E o pessoal sai das reuniões a sufocar mas a correr e a perguntar em todas as direcções onde pode começar a recolher material para realizar o absurdo que acabou de lhes ser pedido. E lá mergulham de cabeça com aquele ar esquizofrénico com que nos cruzamos cada vez mais.
    E há o outro lado, aquilo que não se passa. Quanto a isso digo apenas que continuo tranquilamente sentado à espera de uma palavra, uma só, sobre os professores, por parte da tutela. Aquelas coisas simples, tipo condições de trabalho, componente lectiva e não lectiva, carreira… E os nossos representantes, sindicatos e tal… Bom, fica para outra altura.
    Um abraço e que não te falte o ácido.

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