Desde que Existam Smarts para Apanhar Pikachus…

… isto não interessa nada, certo?

Reading helps kids develop, but books are hard to come by in many low-income areas

Children in poverty are learning less words as they grow up due to a lack of available books, and that, in turn, is contributing to a high literacy gap among different economic groups.

Where Books Are All But Nonexistent

In many high-poverty urban neighborhoods, it’s nearly impossible for a poor child to find something to read in the summer.

livros

Auto-Censura

Nem de propósito, estou a acabar de ler o livro de Mick Hume (Trigger Warning) que tem umas passagens notáveis sobre os efeitos que o receio de ofender e de ser atacado publica, política e judicialmente na sequência da expressão de opiniões pouco conformistas pode ter no desenvolvimento de mecanismos de auto-censura.

Mas, por muito que concorde com o que o autor diz sobre a auto-mutilação da liberdade de expressão, não vou aqui escrever uma ínfima parte do que me ocorre sobre o acidente lamentável que constituiu a divulgação, ontem, 17 meses depois da sua realização, das intervenções num seminário sobre processos de descentralização em Educação (CNEDescEduc). Não falo apenas da amputação, pela metade, da minha comunicação, porque quem a ler percebe bem que era já mais o tal sarcasmo a movê-la do que outra coisa. Falo em especial da forma como várias outras intervenções são apresentadas em vídeo, de uma forma que se torna quase impossível citá-las em futuras análises deste tema. É incompreensível que as intervenções de alguns autarcas não apareçam transcritas, assim como não se percebe que a do presidente do Conselho de Escolas, tendo texto em suporte convencional, seja apresenta em vídeo, filmado lá do fim das coxias, com mau som e pior imagem (assim é mais fiel? talvez, mas mais dificilmente se poderá citar).

Sei que para a semana talvez alguma coisa seja corrigida, mas isso não me importa muito, assim como me desincomoda o facto de não fazer muitos amigos em círculos influentes com esta minha forma (azeda?) de denunciar um inadmissível trabalho feito pelo CNE nesta matéria, quando tanto desvelo coloca na rápida divulgação (por vezes mesmo antes da sua apresentação pública oficial) de outras iniciativas. Poderia aguardar em recato? Poderia, mas seria levar a auto-censura a patamares que não acho aceitáveis.

Dizer que já esperava por algo assim pode parecer um prognóstico no final do jogo, mas quem passa por este quintal há uns tempos terá percebido que as minhas reservas não são de agora. A liberdade, mesmo mitigada, também passa por isto.

Mission Impossible

Munique

Ninguém está livre, seja onde for, que um qualquer maluco atire com um camião contra uma multidão, desate aos tiros ou facadas num centro comercial ou num transporte público e isso seja depois usado, de diferentes formas, para efeitos políticos. O terrorismo é tanto isso quanto a desconfiança que se instala e acaba por nos imobilizar com o medo que também nos possa a acontecer a nós. Com motivações ideológicas ou outras, estes são sempre actos de gente desequilibrada, desajustada e profundamente infeliz, que aproveita um pretexto para replicar a estupidez. Há formas de minorar estes fenómenos, mas nunca desaparecerão. Em alguns momentos, consideram-se apenas crimes comuns. Por causa do espírito deste tempo, parecemos estar a voltar aos anos de chumbo da década de 70 na Europa. O preço a pagar por uma menor sensação de insegurança é prescindir de algumas liberdades, mas nada do que se passou nos últimos dias nasceu (tirando a Turquia) de grandes conspirações, que se pudessem facilmente prever ou prevenir através de um maior trabalho policial. O meu maior problema é a erdoganização soft de toda a Europa.

Jesuis