Fruta Escolar

A sério… não sabia que existia uma Estratégia Nacional do Regime de Fruta Escolar e que o dinheiro era quase todo comunitário. Para quem conhece as enfezadas porções que aparecem na maior parte das refeições da miudagem deve ser a fruta que sobra da calibragem para os supermercados da Europa de 1ª. Por 16 cêntimos, com majorações e tal, desculpem-me mas não se justificam aquelas maçãs que mais parecem a bolinha pequena da petanca.

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Deve Ser do Calor… 2

Vou estranhando, quase como um aspirante a António José Saraiva nas suas crónicas civilizacionais no Sol, a nova forma de designar coisas ou de as conceptualizar.

São as summer fests, as summer sessions, as summer cócoisas, as sunset parties e as sunrise headaches.

No fim de semana, assim de surpresa, enquanto zappava, vi uns minutos de uma “reportagem” (que isto não se fica por menos) sobre esplanadas e, em especial, sobre alguns “novos conceitos” de esplanada.

Maravilhei-me e espantalhei-me.

Não é que agora há esplanadas com “conceito”, mesmo se é apenas ou quase só a boa e velha combinação de cadeiras, mesas e chapéus de sol ou toldos para abrigar os mais sensíveis aos calores?

Há o conceito “white”, se for tudo pintado de branco (e “green” se for verde como aquela superbock ou “black” se for de etnia alternativa). Há o conceito de “sunset” se só abrirem quando já estou com vontade jantar e até descobri, nesse dia, o “conceito de esplanada virada para a Natureza”, só porque ficava diante de uma praia.

Olha-me o raio do escafandro do “conceito”! E eu que pensava que esplanadas conceptuais eram mesmo só aqueles montadas numa nesga de passeio, obrigando os peões a ir para a estrada, enquanto os esplanantes desfrutam do seu interlúdio refrescal enquanto fruem o ruído do trânsito e o aroma diferenciado dos escapes dos veículos de 2, 3 (os tuc’s) e 4 rodas em trânsito!

Nada disso.

Agora até é um “conceito” montar uma pequena piscina junto a uma esplanada defronte do mar, para que todos possamos partilhar do berreiro chapinhante das criancinhas cujos pais gostam de praia mas não de ter de estar com atenção à pirralhada, pelo que nada como substituir as ondas do mar pela água morna de um tanque.

E depois temos as beibes e os beibes (com sorte, até poderá ser alguém que participou durante segundo e meio numa qualquer temporada dos velhos Morangos ou que agora cante em programas da tarde dos canais generalistas, menina ou menino, sempre com duas gajas poderosas de carnes a saracotear-se em redor, à frente do teclista de barriga mal espartilhada e do baterista au ralenti para apanhar o playback) a elogiar muito o conceito e a declarar a sua adoração irrevogável pela nova forma de estar destas esplanadas e toda a sua espontânea alegria de viver.

Apre. Estou velho para isto, porque ainda sou do tempo em que o conceito não era uma coisa a que se chegava com chinelinha no pé e decote frondoso.

KArl3

Deve Ser do Calor

Ou da implosão de alguns serviços. Ou apenas de gente que anda a pensar em outras coisas. Nos últimos dias, cá por casa, têm acontecido coisas meio surreais. Ou melhor, têm-nos acontecido coisas meio parvas, justificadas com explicações ainda mais parvas.

Vou poupar os detalhes específicos sobre o Centro de Formação que, depois de levar sete meses para produzir o raio de um certificado de presença numa acção de curta duração, após repetidos contactos, responde em dias diferentes de forma completamente diversa, acabando a última criatura por, de forma explícita, culpar @ formand@ por não ter recebido o dito cujo certificado, apesar das provas materiais em como todos os elementos tinham sido enviados por correio e mail para o dito CFAE. A rudeza de certos mangas de alpaca só tem equivalência na arrogância a que se elevam normalmente algumas nulidades administrativas protegidas pelos poderes locais.

Adiante.

Quanto à truncagem de metade da minha comunicação num seminário do CNE, a explicação (ou o que se quer passar por isso), é que metade do texto desapareceu na conversão de ficheiros, de doc para o pdf (já estão disponíveis as 13 páginas em falta num processo que nem deverei comentar mais, de tão lamentável a vários níveis). Não vou dizer que não foi isso que se passou. Só terei é que dizer que, nesse caso, muito mal andam os serviços de revisão de actas (nem sequer em papel) das publicações do CNE, tendo sido um azar dos Távoras que tamanho acidente só tenha ocorrido exactamente neste caso particular, depois de eu muito ter chateado sobre o atraso desta publicação. Teoria da conspiração? Nada disso, apenas verificação dos factos.

Repito que não é a extrema e insubstituível qualidade da minha comunicação que está em causa (o conteúdo está longe de superlativo, embora me orgulhe do que disse e perante quem), é mesmo a forma inexplicável como são apresentadas estas actas, no seu conjunto, como se fossem uma manta de retalhos.

Haddock