Burkini

Quando o Estado pretende regulamentar o vestuário dos cidadãos em espaços de lazer, públicos no sentido de pertencerem a todos, entramos numa deriva totalitária. Assim como acho que a proibição do nudismo nas praias é um disparate, o mesmo se passa com a tentação de alguns políticos franceses proibirem – ainda mais do que segregarem – formas de vestir que ainda há menos de um século seriam perfeitamente aceitáveis e mesmo dominantes nesses mesmos locais para os “ocidentais”. O tempo mudou e as nossas práticos e gostos também, mas quer-me parecer que ainda na minha infância havia grande incómodo em muita gente de “bons costumes” com o uso de bikinis. Gente que, porventura, agora está contra o burkini, achando que o melhor deve ser o meiokini. Mas tudo isso é pouco relevante quando o que está mesmo em causa é uma tentação totalitária de regular o gosto e as práticas individuais ao nível do vestuário. Isto nem é a apologia de um multiculturalismo relativista, é apenas a defesa dos direitos dos cidadãos perante o excesso de zelo do Estado e a sua intromissão em esferas que não devem nem podem ser as suas.

swinsuits

7 thoughts on “Burkini

  1. Nem nudismo, nem “burkinismo”! Os espaços públicos, exactamente por o serem, também devem estar sob a esfera de regras de convivência e bem estar social… as coisas “da cultura” não deverão servir apenas para defender as minorias e similares, seria suposto também servir para defender hábitos dos povos acolhedores…

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  2. Nunca vi freiras de hábito, em banhos, na praia… Provavelmente usam fato de banho ou indumentária discreta … também não costumo ver o pessoal de fato de banho na igreja nem gajos em cuecas a passear na rua… por outros lugares, com outros condicionalismos, talvez seja o “pão nosso de cada dia”.

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  3. J.F:
    1-Eu escrevi molhar os pés, não referi “banhos”;
    2-já presenciei estas situações muitas vezes;
    3-a questão que levanto, e se levanta, mantém-se.

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  4. AC:
    Resposta politicamente incorrecta: este país (goste-se ou não e tal como a maioria do continente europeu), tem história e matriz social cristã. Confesso que já vomito as tolerâncias e igualdades sempre para o mesmo lado…
    A questão não parece colocar-se aos homens muçulmanos …parece que podem usar calção e até tanga (ainda que devessem usar coisas como “thoub” ou “jalabyah”)… chateia-me, isso sim, que uma qualquer civilização menorize e submeta as muheres a tratamento e expectativas “inferiorizantes” em relação aos homens…Quanto a histórias de elas usarem a coisa como opção tem que se lhe diga…afinal e apesar de todos os progressos civilizacionais ainda se vai preservando (entre nós e por enquanto) o conhecimento do peso da pressão e da coação social/ religiosa (que um muitas culturas continua a ser ou voltou a ser ” “institucionalizado”…
    Quanto a multas por se andar na praia excessivamente vestido, por opção individual, parece-me ridículo.

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  5. nem o Estado deve intereferir e nem os cidadãos devem impor, como aconteceu numa praia da Córsega, onde um grupo de muçulmanos ocupou a praia e impediu a utilização do areal de quem não estivesse devidamente vestido a rigor. Escusado será dizer que ‘deu molho do grosso’ envolvendo policia e confrontos coletivos.

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