Privados

Quando ouço ou leio críticas à qualidade dos serviços públicos dá-me uma certa vontade de enfiar um balde malcheiroso pela cabeça abaixo de certas pessoas. Ainda não percebi se as pessoas gostam de ser exploradas ou maltratadas por muitas empresas e serviços privados ou se apenas falam para não estar caladas ou por reflexo papagueante. Nos últimos dias choquei frontalmente com a muralha de desprezo de algumas grandes empresas privadas, nacionais e não só, para com os seus utilizadores. Uma rede nacional de venda de livros online há mais de um mês que me envia mensagens a pedir desculpa por não me conseguir arranjar uma obra que dizia disponível em 48 horas; aconselham-me a ir à minha área de cliente se quiser reformular a encomenda, mas… desde a última remodelação, não é visível o acesso a qualquer área de cliente no seu site. Outra empresa, de telecomunicações, a quem comprei um passe para aceder à net durante 24 horas, cobrou a quantia, enviando-me um link para o mail para eu completar o tal acesso, só que… se eu precisava do acesso para aceder à net, só consegui ler o mail quando já não precisava da ligação. Ao menos, nesse caso, pude responder a um inquérito sobre a qualidade do serviço. Para ficar só por três exemplos, a empresa de aviação a que recorri teve o natural atraso que faz parte do protocolo destas alturas, chegando ao destino já depois da meia-noite, de forma que me cobraram uma taxa na empresa de aluguer de automóveis (à qual recorri através da própria companhia de aviação) por levantamento do carro em horário extraordinário. Na altura, passaram-me a factura e aconselharam-me a pedir o reembolso à companhia de aviação. O interessante é que a dita companhia, que não tem escritórios entre nós, só aceita reclamações online e o leque de possibilidades aceites não contempla a situação em causa. Pelo que, a menos que faça exposição por escrito sem qualquer garantia de resposta, é pagar e calar. E nem é bom falar de mais um par de casos que têm feito os possíveis por me chatear os miolos na última semana de férias, tudo à conta da excelência de empresas privadas a operar no mercado com fama de qualidade se formos a acreditar em imprensas especializadas.

Se isto fosse em serviços públicos com certa gentinha arrogante, já tinham voado livros de reclamações e imprecações diversas contra a chulice do Estado e dos seus funcionários e tal. Sendo no sector privado, ainda temos direito a entrevistas dos seus administradores a ensinar-nos o que é o empreendedorismo de sucesso e a aconselhar-nos sobre eficácia e tal.

Haddock

7 thoughts on “Privados

  1. todos sabemos que o sector privado é pior para empregados. mas não sobrevive se houver concorrência a fazer melhor.
    logo,
    o problema é a concorrência.
    a sua efemeridade depende do consumidor.
    ou seja, Keep Kalm que o Karma irá atuar.

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  2. O sector privado em serviços é péssimo, em termos de produtividade e qualidade( e não é só em Portugal, é um problema europeu e mesmo nos US) . O sector publico, apesar dos enormes problemas, está bem acima daqueles. Nothing new there.
    Só quem acredita no Pai Natal ou está à espera de ter um presente “privatizado sem risco” é que acredita no contrário

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  3. Relativamente à reclamação sobre a actuação de companhia aérea permita-se-me a observação que se segue: se a empresa em causa é a Ryanair, efectivamente a reclamação a dirigir é um acto de difícil execução aínda que quem domina algum idioma (nomeadamente o inglês) possa tentar ligar para um dos números de assistência fora do País! Existe um serviço de chat ao qual porém só com grandes doses de paciência se pode recorrer dentro de determinadas horas! Parece-me todavia que a situação é relativamente mais fácil agora, desde que se indique no pedido de acesso ao chat, qual o nr da reserva! Foi assim que necessitando de um esclarecimento antes de um voo, consegui de imediato ser atendido no chat por um operador em português! Subsiste porém a dúvida se, no caso em apreço -posterior ao voo-, o sistema funciona de forma idêntica! Se a situação se refere à Transavia, o sistema funciona melhor através da respectiva página do Facebook! Colocando-se ali a questão em mensagem privada, recebe-se posteriormente (em média até cerca de uma hora depois) a informação solicitada que, inclusivamente, pode ser consultada no Messenger do smartphone se se tiver esta aplicação instalada! Relativamente a outras companhias, ignoro o “modus operandi”, designadamente Easyjet! Julgo que a Norwegian funciona de forma análoga à Transavia!

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    1. Ryanair… seeguirá carta para o endereço postal que lá aparece… não ando com paciência para explicações verbais, até porque terei sempre de enviar os documentos comprovativos… Mas agradeço a explicação.

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      1. Não tem nada que agradecer até porque o objectivo do esclarecimento é que o mesmo possa ser eventualmente também útil a quem o lê! Melhores cumprimentos.

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