30 de Agosto de 2005

Há 11 anos começava o congelamento das progressões na carreira docente. Desde esse dia até ontem passaram-se 3653 dias, dos quais apenas 2557 (70%) não foram contabilizados para a progressão dos docentes dos quadros, mesmo tendo cumprido todos os requisitos da patética e inútil avaliação do desempenho imposta desde 2007-08 e que foi sendo alegadamente simplificada de forma sucessiva. Até final desde ano civil passarão 3777 dias desde a entrada em vigor da lei 43/2005, dos quais 2681 (71%) não contarão para a valorização da carreira dos educadores e professores.

Em tempos, era capaz de me demorar na explicação dos efeitos profundamente nefastos desta medida, injustificável apenas com imperativos orçamentais. A desmotivação, por desaparecimento de qualquer horizonte de progressão na carreira, só não é compreensível por gente demasiado cega ideologicamente ou apenas estúpida. Não é raro as duas condições coincidirem. Sem o descongelamento da carreira e a criação de condições dignas para a aposentação dos professores, a par da abertura de vagas realistas nos quadros das escolas sem vinculações extra-ordinárias, dificilmente se renovará e rejuvenescerá a profissão docente.

Em 30 de Agosto de 2005 acreditava que pouca gente defenderia verdadeiramente uma situação destas. Nos últimos 11 anos fui progressivamente percebendo que, afinal, eram muitos os que se acoitavam atrás das medidas da dupla Sócrates/Rodrigues e que muitos foram aqueles que se limitaram a fazer lip service em defesa dos direitos laborais dos professores, incluindo muitos dos seus representantes que prestaram prestimosa colaboração a Nuno Crato durante o seu mandato (FNE) ou que agora são a muralha d’aço de Tiago Brandão Rodrigues (Fenprof). Todos trocaram a sua missão de defesa dos direitos dos docentes por um lugar nos corredores do poder e à mesa das pseudo-negociações, usando do argumento dialogante do soft power à vez. Nisso pouco se distinguindo dos especialistas de circunstância, sempre prontos para um estudo – com chancela mais católica ou mais laica – capaz de provar a bondade imensa das políticas públicas desta ou daquele.

Entretanto… a oeste e a leste, nada de novo. Nem dos concursos se tem notícia… mais uma vez… a menos de 48 horas do arranque de um novo ano lectivo.

gelo

One thought on “30 de Agosto de 2005

  1. não é preciso demorar na explicação porque é simples: se AINDA EXISTIR DIREITO A PENSÃO DE REFORMA, os profs que estão agora na faixa etária dos 40-50 anos, terão um valor muito mais reduzido devido a terem ficado uma década ou mais a ganhar o mesmo salário. Acrescente-se que a sua vida quotidiana torna-se muito mais dificil, obrigando a cortes em várias áreas consideradas não essenciais (por exemplo, cultura: livros, jornais, revistas, software, congressos, tecnologia, etc.), empobrecendo intelectualmente os profs e consequentemente os respetivos alunos.

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