Uma Escola para as Elites

É quase uma regra que quando se fala em escolas inovadoras, para o futuro, etc e tal, se pensa em modelos de escola feitos para uma sociedade ideal, em que as famílias têm tempo e disponibilidade para acompanhar os alunos em casa, os quais têm nela todos os meios necessários para aproveitar as inovações.

Não me venham com a conversa dos telemóveis e que eles quando assim o entendem fazem e encontram o que querem. Não é isso que está em causa. Ultrapassemos a utilização dos comuns lugares argumentativos.

O que está em causa é que muitos conceitos de escolas inovadoras pela via tecnológica parecem estar pensadas apenas para nichos privilegiados do ponto de vista social, económico e cultural. O conceito de sala às avessas (flipped classroom que o Observador traduziu de forma algo criativa por salas a dar cambalhotas) baseia-se num modelo (ler um resumo aqui , vários materiais aqui e os 4 pilares do FLIP – flipped learningaqui) que recorre bastante a conteúdos online para que os alunos prepararem previamente as aulas que depois se tornam mais espaços de debate e questionamento do que de exposição teórica pelo professor. É um modelo que assume que a aprendizagem por via da exposição teórica se faz por meios não presenciais, ficando as aulas para a “construção do conhecimento”.

Eu adoraria que este modelo pudesse ser colocado em prática e até ignoraria os clamores de um qualquer eduardosá contra o que isto significaria de trabalhos adicionais para casa, caso os meus alunos, a larga maioria deles, tivesse as condições para o desenvolver em casa, com apoio familiar e outros meios indispensáveis para que a coisa não passasse por “ver uns vídeos com o stor” ou algo equivalente. Mas não me parece que isto consiga ter uma aplicabilidade generalizável a mais do que umas quantas escolas em ambientes seleccionados. Tipo escolas da Parque Escolar das grandes cidades com learning streets e lares devidamente apetrechados.

Será que estou demasiado descrente e pareço não aderir a nenhuma modernidade pedagógica com  forte componente tecnológica? Pode parecer que sim, visto de fora, mas garanto-vos que, cá por dentro, nada me agradaria mais do que tornar isto possível, mas falo pouco finlandês, o meu alemão é escasso e apesar de alguma fluência no inglês, quer-me parecer que na maior parte desses sítios já terão indígenas habilitados para tal missão.

Por cá, acredito que como experiência-piloto, a aplicar numas dezenas de turmas (nem falo em escolas) com especialistas da DGE a arranjar um acrónimo inglesado para a iniciativa e a monitorizarem a experiência, será certamente um sucesso na auto-avaliação.

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