Concursos

O tema dos concursos para professores já motivou demasiados debates e tinta escorrida. A minha posição é a mesma de quase sempre… sou defensor de um concurso o mais unificado possível – à soviética para os seus detractores – por considerar que é o menos permeável a distorções e manigâncias como as que foram introduzidas ao longo dos últimos anos em todo este processo, em nome de uma pretensa autonomia das escolas e de uma ainda mais pretensa correcção de injustiças resultantes da simples consideração das médias de curso como base da ordenação dos candidatos.

Em relação a estes aspectos vou alinhar alguns pontos muito breves:

Antes de mais, as lideranças também se definem pela forma como conseguem mobilizar os recursos (humanos, neste caso) ao seu dispor para a concretização dos objectivos pretendidos. Se, enquanto professor, eu aceito as turmas e alunos que me são distribuídos e entram pela porta, devendo encontrar as melhores estratégias para alcançar o sucesso, não percebo por @s director@s consideram necessário ter uma margem de escolha alargada do corpo docente das suas escolas e agrupamentos com base em critérios que dependem em muito da subjectividade e dos seus humores e afectos.

Em segundo lugar, se existem distorções nas classificações académicas dos candidatos devido a más práticas (de inflacionamento) das instituições de ensino superior nas classificações dos seus alunos, há a boa hipótese de fiscalizar esses comportamentos e não pretender que vários anos de frequência de um curso podem ser “corrigidos” pela opinião de uma única pessoa que, para isso, tenha o poder de fazer alguém ultrapassar dezenas ou centenas de candidatos a um lugar numa escola.

Apesar de parecer monolítico, o concurso único com lista ordenada (sendo que “único” não é bem verdade, pois existe o concurso interno e o externo, assim como o das mobilidades) com base na classificação académica e tempo de serviço é o que gera menos polémica, menos distorções e menos possibilidades de fenómenos de clientelismo e nepotismo local. Pode parecer um sistema pouco sofisticado, mas a minha maior preocupação não é com as aparências.

Infelizmente, o que há 10 anos parecia claro e transparente já se encontra actualmente contaminado, em especial no concurso para contratação de escola, por uma meia dúzia de anos de experiências algo manhosas que favoreceram candidatos em detrimento de outros, voltando-se a esquemas que fazem lembrar aqueles que antes se denunciavam de “guardar horários” para os candidatos “certos”. É curioso ouvir e ler quem antes criticava isso, defender agora procedimentos que mais não passam do que da legalização da arbitrariedade.

Por fim, mesmo ao nível dos quadros, por falta de coragem política em respeitar a lei da entrada nos quadros de todos aqueles que preenchem os requisitos para o efeito, tivemos a desastrada (será?) “vinculação extraordinária” que fez uma selecção de 603 lugares a abrir que também vieram introduzir alguns atropelos e ultrapassagens pela direita baixa em alguns grupos disciplinares, levando à “efectivação” de alguns (contratados) em detrimento de outros (qzp) que antes estavam em posição menos favorável em virtude do seu tipo de habilitação inicial. Eu sei que o critério foi o tempo de serviço, mas… nesse caso aplicava-se a lei sem travões artificiais porque o princípio da igualdade de direitos foi desrespeitado de forma clara. Poderia gerar despesa adicional, mas nada ao nível de 1% dos desmandos de um salgado.

Kafka2

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