90 Minutos

Se há algo pacífico e consensual entre a generalidade de alunos e professores do 2º ciclo (e também do 3º) é que as aulas de 90 minutos são, na maior parte das disciplinas, demasiado longas e com muito menos produtividade do que duas de 45 ou 50 minutos. No entanto, como a profissão docente é contada ao minuto, se as escolas exercerem a “autonomia” e regressarem às “velhas” aulas de 50 minutos, há depois minutos que não chegam e horários que desaparecem e a regra é deixar tudo na mesma porque, se umas têm 90 e outras 50 (ou mesmo 45) é uma confusão de entradas e saídas e não sei o que mais. O que significa que os critérios burocráticos se sobrepõem aos pedagógicos porque alguém teve a brilhante ideia – em nome da famigerada eficácia financeira tão cara a quase todos os titulares da pasta que não querem ser acusados de rendidos aos sindicatos e interesses corporativos dos professores – de determinar que o horário do trabalho dos docentes deve ser espremido até ao tutano e já nem falo das concepções criativas do que é trabalho lectivo e não lectivo. O que é pena é que esta curteza de vistas, misturada com revanchismo político e algum espírito micro-corporativo vingativo, se mantém já há uma década, sem que sequer os apologistas da escola do século XXI tenham a coragem e o seu quê de decência de afirmar o disparate desta situação de forma que agora se diz “assertiva”. Querem aulas criativas, abertas, transbordantes, mas sempre com o cronómetro ligado.

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8 thoughts on “90 Minutos

  1. Os minutos sobrantes ocorrem tanto em aulas de 45 min como de 50 min. Nos 45 min ficam os horários docentes com minutos desacertados, com os 50 min, são as turmas que têm uns minutos para completar horário. São sempre necessários acertos e parece-me que esse não é o problema.
    Quando se opta por um dos modelos, há grupos disciplinares que ganham tempos e outros que perdem, o que significa, lugares de trabalho. São os grupos que irão perder horários que mais oposição fazem à mudança. Claro que se pode argumentar que alguns querem mudar para 50 min para ganharem horários, mas quando a discussão se coloca a este nível, e é neste nível que ela ocorre fora das estruturas formais, (Conselho Geral e Conselho Geral) porque nessas ninguém assume essa posição que seria impossível de defender, fica explicada a razão da imutabilidade da duração do tempo letivo.

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    1. O erro está em ter como base da discussão a minutagem. São aulas e pronto. Discutir a “melhor” forma de fazer as coisas tendo como base grelhas mentais e administrativas desse tipo é um erro imenso, que acontece por causa das imposições da tutela. Se libertássemos as escolhas do horário ganho/perdido, ganharíamos todos.

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  2. Exacto. A estratégia da tutela é apresentar uma alternativa gerada a partir de uma opção que não é apresentada enquanto tal. Resultado: os professores entretêm-se a discutir o secundário, em vez de congregarem energias para lutar contra uma imposição condenável, quer pelos pressupostos, quer pelas consequências que tanto a hipótese A como a B têm.
    Escreve Amenophis: “alguns querem mudar para 50 min para ganharem horários, mas quando a discussão se coloca a este nível, e é neste nível que ela ocorre fora das estruturas formais, (Conselho Geral e Conselho Geral) porque nessas ninguém assume essa posição que seria impossível de defender, fica explicada a razão da imutabilidade da duração do tempo letivo.” Que nível criticável é esse? O da defesa do emprego próprio e do de colegas? O da defesa de uma escola com mais professores, ou seja, de uma escola com menos professores sobrecarregados e mais disponíveis para o exercício do seu mister?

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  3. durante anos as aulas foram de 50 mins e não existiram esses “grandes desequilibrios”. Se organizarem o horário com tempos de 45 mins, os docentes têm de possuir 24 tempos letivos; se for com 50 mins, será 22 tempos. Logo, com tempos de 45 mins há tendência de desaparecerem mais horários.
    Mas o ridiculo da minutagem torna esta discussão meramente académica…

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    1. Claro que quando as aulas eram de 50m a matriz horária estava equilibrada porque era feita em conformidade.
      O desequilíbrio vem de as matrizes actuais serem construídas com múltiplos de 45 minutos e ao passar para tempos de 50m algumas disciplinas vão perder tempos lectivos.
      Se duvida, pegue nas matrizes, faça as contas e verificará que isto não é nenhuma “discussão académica”.
      E claro que tem que “minutar”, porque nenhuma escola tem autonomia para aumentar a seu bel-prazer o tempo lectivo semanal dos alunos. Se aumenta a carga numa disciplina tem de diminuir noutra, como me parece ser óbvio.

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