Fará Sentido?

Obrigar idosos em estado bastante precário pagar 15 euros por novos cartões de cidadão, para além de – no caso hoje observado – os fazerem subir e descer uma escadaria íngreme sem alternativa para se entregarem nas patas da jumenta burocracia? Não haveria outro método, do tipo “século XXI”?

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A Palavra

No princípio era o Verbo. E tem continuado a ser. O maior recurso que utilizo nas minhas aulas, de Português ou História, é a palavra, a tentativa de comunicação oral com os meus alunos, fazê-los criar imagens dentro de si de forma a compreender uma realidade, seja a da língua, seja a do passado, a partir das palavras. Tudo o resto, dos velhos diapositivos e transparências aos actuais projectores ligado à banda larga, são acessórios para melhor iluminar essas palavras, quando elas disso necessitam. A beleza do mapa de Cantino merece ser vista em ecrã amplo, assim como tantas obras do Renascimento ou as espectaculares visitas a 360º nas grutas de Lascaux. Mas o essencial ainda continua, para mim, a ser a palavra, a preceder tudo o resto. Tem funcionado de forma satisfatória, nem que seja despertando a curiosidade para a imagem, parada ou em movimento. Com maior ou menor instinto perfomativo  (ui… que moderno que estou), os professores são actores quotidianos da palavra. O que remete, sempre, a esfera da Educação, para a dimensão primordial do humano. Apesar do século XXI e tal. No que concordam todos aqueles faladores acerca da centralidade da qualidade dos professores para as aprendizagens dos alunos. Infelizmente, enquanto decisores, praticamente todos nos últimos 15 anos desinvestiram no humano para investir no tecnológico mais ou menos efémero, mais ou menos obsoleto no médio prazo. Poupou-se nos salários de professores e pessoal não docente, destruiu-se a sua carreira, mas gastou-se imenso em magalhães prá sucata e feira da ladra, em equipamentos úteis, mas não tão úteis assim que sejam mais do que prolongamentos do humano. Poupou-se em escolas de proximidade, mas gastou-se em escolas encaixotadas ou outras de milhões. Privilegiou-se o cimento. Muitas vezes, na maioria das vezes, apenas para alguns. Quando o essencial, quando se trata de apurar responsabilidades, são os meios humanos. Os tais que são há demasiado tempo amesquinhados, desprezados, desqualificados por quem optou por outro tipo de investimento. O triunfo da ideologia de mais com menos, transversal ao arco da governança, com mais ou menos adereços de radicalidade retórica. Não defendo escolas em ruína, obsoletas em termos de equipamento e desagradáveis para os alunos. Mas também defendo escolas em que todos se possam sentir bem, devidamente valorizados. Isso inclui, por estranho que pareça, os professores.

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Igualdade de Oportunidades

Uma escola tem 14 alunos para uma determinada disciplina de opção do Secundário. Não é autorizado o funcionamento da turma. No concelho limítrofe, outra escola secundária tem 8 alunos exactamente para a mesma opção ou equivalente. É autorizado o funcionamento. Qual a diferença entre ambas? Pista: em tempos da educação massificada o indivíduo ainda conta muito.

Justiça