Também Poderia ter Sido Notícia

Deve ter escapado por manifesta falta de atenção causada pela antecipação do jogo com Andorra.

Professores mais Velhos passam mais 6 Horas na Casa de Banho

Um estudo recente, elaborado a partir de dados colhidos pelo projecto PISAdela, em articulação com indicadores trabalhados pela OCÊDÉ a partir da Pobredata, revelam que os professores mais velhos (acima dos 50 anos) vão mais vezes à casa de banho durante um dia de aulas do que os seus colegas mais novos (menos de 35 anos). Esta situação é mais dramática entre os homens. Como confirma um idoso professor de História e Português de 51 anos que teve pudor em deixar-se identificar, esse facto deve-se a uma evolução desfavorável das condições da próstata, o que implica que em vez de uma vez se tenha de deslocar aos sanitários escolares pelo menos duas vezes entre as 9 da manhã e as 17 horas, mesmo sem tomar qualquer “bejeca” [sic] ao almoço.

Quanto à duração destas idas e vindas, um inquérito feito por uma entidade independente formada por um grupo de estudos da Católica do porto e pelo ISCTE, em parceria com um departamento da Univ. Coimbra, permitiu estabelecer um valor médio de 2 minutos, podendo variar com a distância da sala de professores às referidas instalações sanitárias. Multiplicando este valor por 180 dias de aulas por ano, atingimos um valor de 360 minutos adicionais que os professores gastam por ano lectivo numa actividade sem relevância especial para as aprendizagens dos alunos, não colhendo a justificação irritada de que “estou no meu intervalo, faço o que bem entendo porque esse tempo não está previsto no ECD” dada pelo professor acima referido, pois esse tempo poderia ser aproveitado para a preparação de materiais didácticos.

Os especialistas consultados acerca deste assunto são unânimes em considerar que os professores atingidos por esta hiper-actividade urinária poderiam utilizar fraldas para adultos (ocorre aqui o importante exemplo de Ted Cruz no Senado americano) ou transportar consigo uma algália ambulante que lhes permitisse rendibilizar melhor o tempo que estão nas escolas. Ouvido acerca deste tema, um representante da FNEprof que não quis ser identificado concordou que esta é uma questão que merece reflexão e a sua organização irá pedir a realização de uma ronda negocial com o MEC para que na regulamentação que venha a ser feita seja ouvida a posição dos representantes dos docentes. Já um dirigente da Confap considerou que os interesses dos alunos não estão a ser devidamente acautelados, visto que as aprendizagens estão comprometidas sempre que o docente começa a sentir alguma irritabilidade causada pela pressão sentida nos ureteres. Dois ex-governantes que ocuparam a pasta da Educação mas que preferiram não gravar as declarações, afirmaram ao nosso jornal que já no seu tempo tentaram controlar esta disfunção, mas que não o conseguiram devido ao bloqueio sindical permanente que marcou os seus mandatos.

José Maria Endívias de Vasconcellos e Nóbrega da Imaculada Concepção ao Domingo, director executivo da APP – Associação Privados ao Poder, declarou que este é mais um dos domínios em que a gestão privada da Educação se revela mais eficaz, pois cada professor nas escolas privadas tem apenas um minuto por dia para fazer aquilo que necessita para além da dedicação total ao projecto educativo, o que também explica o mais baixo custo por aluno nas escolas representadas pela sua organização. Quanto a Felismino Pé Leve, do movimento “Escola pós-moderna pró século XXII” considera que enquanto não mudarmos do paradigma manchesteriano da escola-fábrica com os espaços escolares mal concebidos para um paradigma de espaços intermutáveis, em que em cada sala exista um espaço em que alunos e professores possam aliviar-se sem se sentir pressionados pelos conceitos estereotipados das condutas ultrapassadas, este problema continuará a afligir o nosso sistema educativo.

Em comunicado, o ME considera que é necessário ter em conta estas conclusões e que tudo fará, ouvidos todas as entidades interessadas, para que a situação seja ultrapassada, desde que não onere o orçamento do ME, incitando as lideranças escolares a encontrar soluções criativas para obstar a este problema, ao mesmo tempo que espera fazer um protocolo com as autarquias locais que estejam interessadas em contratualizar o fornecimento dos equipamentos indispensáveis para reduzir o impacto das próstatas sensíveis no desempenho dos alunos e, se tiver mesmo de ser, no mal estar dos docentes envolvidos.

ardina

11 thoughts on “Também Poderia ter Sido Notícia

  1. Simplesmente, PORTENTOSO, MAGNÂNIMO!!!!

    Li-o de “fio a pavio”, com profundo encantamento pela ironia deliciosa que advém da diversificada e majestosa articulação do ridículo em que vivemos!

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  2. ” E as professoras passam ainda mais tempo porque não é só abrir a braguilha. Umas precisam mudar o penso higiénico ; outras os pensinhos diários tal não é a correria”

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  3. Isto de pensar em números tem piada. Reparem que há 15.000 professores desempregados e 70 000 com mais de 50 anos. Daqui por 16 anos mais de metade dos professores reforma-se (ou mete baixa se aumentarem a idade da reforma…o facto é que esta profissão é mesmo exigente do ponto de vista físico/mental). Não haverá professores suficientes para suprir as saídas. Voltaremos aos anos 80 em que qq gato pingado dava umas aulas. Ou não. os salários podem disparar, isto voltará a ser atrativo. Eu sou mais nova 2 anos. poderei reformar-me com uma bela maquia.

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  4. Está giro, sim senhor.
    Só não percebi uma coisa: a que se refere na passagem “os seus colegas mais novos (menos de 35 anos)”?
    Na minha escola há muito que ninguém sabe o que isso é, os professores mais novos têm 40 e muitos. E são poucos, a maioria anda mais pela idade sexy (60 e tais).

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  5. ‘estei deste exorcício de trocadalhos. Fica o reparo, com a evolução das síndromes prostáticas, ainda virá tempo que trocaremos DODOT como antes se trocavam cromos.

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  6. Parece que se têm multiplicado as experiências, geralmente realizadas em festivais de música ou da cerveja, que visam produzir energia a partir do material recolhido em urinóis especiais. É preciso alertar imediatamente os tipos do PISAdela. Está provado que a maioria das nossas escolas poderia ser auto-suficiente em energia (e mesmo mais que isso, se se alargarem os critérios de permissão aos alunos para ir à casa de banho). Pode estar aqui a solução para os constrangimentos orçamentais crónicos da Educação e, sabe-se lá, do país.

    Proponho, portanto, que se tente o envolvimento dos parceiros energéticos. Talvez uma comissão presidida pelo Dr. Catroga, para envolver a indspensável EDP, composta por peritos que vão desde as áreas da eletrónica ao design de urinóis.

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  7. Pois. É por estas e muitas outras que este Quintal deve ser muito estimado e manter-se aberto para visitas a qualquer hora.

    Não para satisfazer nenhuma necessidade inadiável, claro! Embora haja por aí muitos “quintais” que também (ou apenas) cumprem essa função…

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