Transparências

Está quase a fazer 33 anos, dentro de uns meses. Era aluno do 1º ano de História e era necessário escolher o trabalho para a cadeira de Teoria das Fontes e do Saber Histórico. Estava quase a passar 10 anos sobre o 25 de Abril e eu queria fazer um estudo sobre a forma como a memória desse acontecimento seria transmitida na imprensa nacional. Fui desaconselhado de forma razoavelmente gentil com uma variação bastante menos explicita do fundamento “és um puto caloiro de História, achas que tens mesmo cabedal para isso?” É verdade que todos estes anos depois ainda não me decidi, por muito que tenha acumulado material, a assumir tal capacidade. Um dos dois projectos que talvez um dia cumpra, assim arranje a paciência.

Mas, em alternativa que também enfrentou resistências, propus fazer uma análise da publicidade das edições dos semanários generalistas nacionais (na altura, Expresso, O Jornal, O País, o Tempo) que assinalassem a data ou que, se não assinalassem, das edições mais próximas. E o trabalho lá foi feito, com nota apenas boazinha e o destino comum a muitos desses esforços iniciais de muita gente (ao que se soube passados uns anos), ou seja, um dos caixotes do lixo da FCSH quando foi necessário arranjar espaço em vários gabinetes.

Vem isto a propósito apenas de já na altura me interessar quem “pagava” as notícias, sendo que na época as publicações eram menos dependentes dos anunciantes do que agora. O interesse manteve-se ao longo de todos estes anos e já aconteceu não comprar (ou deixar de o fazer), de forma mais permanente ou intermitente, alguns jornais na sequência de me aperceber do nível de plantação de notícias. O nascimento, apogeu e óbito de muitas publicações não são estranhos a esta forma de agricultura mediática, em que o espaço vendido não corresponde apenas ao assinalado como publicidade paga. Não pensemos que foi fenómenos apenas de zeinais e salgados. Ainda ontem percebi, apenas com moderado espanto e quase nenhum choque, como se tinha contratualizado uma primeira página da passada semana.

cachorro

One thought on “Transparências

  1. O problema é sempre o mesmo: quem é neutro vai parar ao lixo e quem está comprometido publica.
    Eu tenho uma relação lúdica com as noticias: ás vezes, quando escrevia nos fóruns, apareciam noticias à medida para os meus argumentos e u aproveitava logo. Passei a levar tudo na brincadeira.
    Em relação á educação eu só acredito naquilo que é publicado em DR e a minha diretora diz que chegou á secretária dela. Tudo o que é noticia relevo embora goste das noticias do DE para a coisa económica: dão-me pistas interessantes para perceber o que se vai passando a nível global.
    Brinca e comenta mas não leves a sério…
    Ninguém tem pachorra para os trabalhos académicos e os estudos são aquilo que se sabe.
    É a vida…

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.