Segurança

Como professor ou encarregado de educação uma das minhas preocupações é que nenhum@ alun@ (ou professor@, já agora) entre numa escola e se sinta insegur@ ou ameaçad@, muito menos que veja a sua integridade psicológica ou física colocada em causa. Se em termos verbais me parece que as coisas andam bastante descontroladas e dificilmente ultrapassáveis a curto prazo, sem que se eduquem quem fora da escola dá maus exemplos quotidianos (o palavrão parece ter-se tornado uma arma de imbecilidade maciça, numa dimensão que parece superior à da heróica segunda metade dos anos 70), já me parece que as ameaças físicas ou mesmo as agressões são algo completamente intolerável, seja por quem as sofre como pelos responsáveis parentais de quem as comete. E não vale aquele tipo de conversa já não sei o que faça. Quando, em certas situações, ainda são miúdos de pré ou a iniciar o primeiro ciclo que já andam em roda livre com acesso de verdadeira selvajaria. Se nessa altura, tão precoce, já não sabem o que fazer, o que vai acontecer quando os petizes crescerem? Os professores que resolvam? Então, é bom que depois não coloquem em causa a autoridade que não souberam estabelecer em devido tempo.

Pandora

Manuais e Equívocos

Entre os pareceres pagos pelas editoras e as fés inabaláveis da secretária de Estado vai pouca distância, menos do que parece, porque todos se movem na esfera do deve/haver de ganhos e perdas para as suas contas, raramente estando o “interesse das famílias” realmente em causa.

Sou tendencialmente a favor da gratuitidade dos manuais no ensino obrigatório e tendencialmente contra a sua reutilização obrigatória, pois as coisas estão longe de ser sinónimas. Acho que a gratuitidade não deveria ser universal, porque prefiro que quem mais precisa tenha tudo o que necessita e a tempo e quem pode pagar o faça. Quanto à reutilização, também acho que não deveria ser um princípio obrigatório, porque sou dos que acham que a construção das memórias individuais se faz também a partir do que se guarda. E discordo que se obriguem os alunos a ter manuais gratuitos, caso eles não os queiram de volver… isso é que é atentar contra a “liberdade das famílias”.

Claro que não defendo a liberdade para deitar fora os manuais que se receberam de borla. Mas… nem sequer é algo muito caro para o Estado. Embora perceba que as editoras de manuais se arrepelem todas só de pensar que poderão passar a vender menos uns 50% ou mais de manuais de um momento para o outro nos primeiros anos de escolaridade. É o negócio delas. Mas colocar-se na posição de superioridade moral como esta secretária de Estado parece estar sempre a fazer, também me irrita, pois se eu quiser comprar e ficar com os manuais da minha filha, porque raio de imperativo ideológico é que não o poderei fazer, sem que seja amesquinhado por uma qualquer governante de passagem pela 5 de Outubro?

livros

Passa ao Outro e Nada ao Mesmo

Este post de ontem tinha apenas como finalidade demonstrar que a aparência de rigor na apresentação de uma situação muitas vezes esconde uma falácia. Bastaria acrescentar ou retirar mais uns pontos de um dos lados e tudo poderia ser diferente. Mais importante do que demonstrações estatísticas vazias de sentido é a lógica subjacente ao raciocínio desenvolvido e que, como quase sempre, passa por palavreado vácuo e pelo alijar de responsabilidades. “A decisão passa por uma opção globalizante e que tem em conta, sobretudo, o potencial de apoio e recuperação de cada aluno”, como se fosse possível aferir esse potencial com algum grau razoável de certeza, mesmo que relativa, e, claro, “a decisão de retenção ou aprovação compete a cada Conselho de Turma”, no que parece uma declaração de confiança nos professores, mas que é, quando conhecemos o funcionamento destas coisas, uma forma de afirmar… olhem lá, quem decide passar ou não os alunos são os professores, portanto o ME pouco tem a ver com isso para além de ter legislado o que legislou. Sim, a decisão passa pelos Conselhos de Turma que estão longe de ser uniformes na sua forma de funcionamento, mesmo numa escola específica, quanto mais de escola para escola, ou mesmo de Conselho para Conselho. O que pode passar à conta de “autonomia” mas que depois se traduz em anomalias em todo o processo, porque aqui se fez assim e ali se fez de outro modo, quantas vezes com base nas mesmas orientações.

Beco sem remédio, doença sem saída? Não seria assim se, mesmo abdicando daquelas pretensões de objectividade estatística na base da grelha sofisticada e multifactorial, pudéssemos contar com alguma estabilidade, coerência e clareza de princípios por mais de meio mandato. Não falo de qualquer pacto de regime para a Educação, mas tão só de algum bom senso e coragem para colocar a Educação de todos antes da política de alguns.

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