Mais uma Voltinha no Carrossel

E lá vamos nós em modo “suave” ver os programas mudar mais uma vez, mas agora como se não mudassem e apenas se restringissem ao essencial. É uma espécie de regresso ao conceito de “programa mínimo” como o conheci, enquanto aluno, no início dos anos 80. Podem consensualizar o que bem entenderem, mas a verdade é que uma coisa é corrigir erros do programa de Matemática ou implodir certas metas do Português (como aquela da leitura o minuto, verdadeiro atentado à inteligência), outra coisa falar em “currículos essenciais”.

Até porque é um contra senso que se queiram  «promover “competências de nível mais elevado” entre os estudantes, como o “pensamento crítico”» com base em aprendizagens mínimas. Como se fosse possível chegar ao Nobel da Física sabendo apenas a estrutura do átomo e pouco mais, já que tudo isto parece uma caricatura de raciocínio.

Competências de nível mais elevado implicam aprendizagens mais exigentes, mais completas e não encurtadas, caso contrário é um “pensamento crítico” à medida de quem define o que é essencial, amputado. Então em História, o que se elimine dos conteúdos é todo um programa sobre o pensamento que se pretende truncar, eliminando conhecimentos que possam atrapalhar as lógicas de sentido único. O pensamento crítico só se constrói sobre informação ampla e devidamente tratada, não com o que seria considerado um “back to the basics” se fossem outros a defender esta formulação de “currículos essenciais”.

Eu até entendo o que possa estar a passar pelas cabeças muito bem intencionadas de algumas pessoas, mas a verdade é que, no terreno, toda esta conversa sobre “pedagogia diferenciada” se tem traduzido em estimular a existência de turmas e grupos de nível, ou seja, fenómenos de micro-segregação escolar completamente contrários ao que é verdadeiramente uma diferenciação pedagógica em sala de aula, assente num trabalho cooperativo (agora diz-se colaborativo) entre os alunos com diferentes ritmos e estilos de aprendizagem, não os separando à boa e velha moda antiga.

carrossel

 

 

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13 thoughts on “Mais uma Voltinha no Carrossel

  1. Bha! É esperar para ver. Eu já fiz ajustes mas é bom que se façam a nível nacional para que haja um programa mínimo que possa ir a avaliação externa. Ninguém te impede que aprofundes o que bem entenderes.
    Há que ser coerente.

  2. Percebo as objecções que são levantadas no post a esta anunciada medida. Mas o que é facto é que os programas estão inquinados pela lógica quantitativista (buro-tecnocrática) do ensino para “encher chouriços”. Algo terá de ser feito…
    Por outro lado, muitos docentes estão (mal) habituados a trabalhar impulsionados por metas/programas rígidos e demasiado prescritivos (mormente quando estão em causa também exames). Quando este lhes falta, perdem um bocado o pé…

    1. A mim parece que foi isso que escrevi (o tempo relativiza a extensão), pelo que não percebo a divergência.

      Mantenho que se fosse Crato a enunciar isto haveria vestes arrancadas pelo retrocesso que significaria.

  3. Se fosse Crato a enunciar isto, eu aplaudiria. Mas, ao invés, Crato só complicou tudo. Pronunciei-me nesse sentido, à época. E mais complicação adveio da mudança dos 90 para os 50 no meu agrupamento – Eu tinha 225 minutos semanais. Agora, ainda com as metas, algumas estapafúrdias e não adequadas à faixa etária a que se destinam, tenho 100 minutos semanais. Um sufoco. As metas do Crato, que já não eram pêra doce, tornaram-se sufocantes e completamente inexequíveis.

    1. Exacto… por isso é que acho que o problema é mais de tempo do que de conteúdos. E não faz sentido eu dar a expansão, União Ibérica e tal no 5º e no 8º ano e a revolução liberal no 6º e no 8º ou a República no 6º e no 9º, etc, etc.

      Mais valia estender o currículo por 5 anos e darem-se as matérias devidamente.

  4. O programa de Português do secundário é uma barbaridade: de conceção, de (des)organização, de extensão, etc.

    Foi obra de Crato. Por exemplo, analisar 8 poemas de ‘Mensagem’ em 6 aulas. O que se aprende, o que se desenvolve com esta IVG?

  5. Concordo inteiramente com o Paulo.
    Para além da extensão programática para uma carga horária diminuta, não faz o mínimo sentido a repetição de conteúdos ao longo dos dois ciclos. Falo de História, obviamente.

  6. Completamente de acordo. Ou seja, para estes conteúdos, mais tempo. Ou, para menos tempo, menos conteúdos. Não há volta a dar. E sim, andamos de repetição em repetição. Também há repetições pontuais entre o programa de Geografia e o de História do 3º ciclo. Espero que atendam a tudo isto. Espero…

  7. Vou esperar sentado, não vá ser apenas uma oportunidade velada para surgirem novos manuais… Há quem arrange formas de os reeeditar a cada dois anos!
    Quanto à essência, o perfume é mesmo esse: não concordo contigo, mas quando sou eu a fazer passso a concordar com o que não concordava… Politiquices e eduqueses.

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