Sem Comentários

Porque… enfim, a esta hora não me apetece comentar porfírios e outros assim… qualificar a senhora que agora diz que “ninguém é dono da verdade, ninguém é dono da razão total. Devemos ter essa disponibilidade para encontrar consensos”. Vá-se tratar. à memória em primeiro lugar… em seguida, ficava-lhe bem algum decoro e não é só por causa daquelas fotos no Expresso há muitos anos.

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(Expresso, 5 de Julho de 2008)

Mas lá que anda a trabalhar bastante para ajustar a memória das coisas, é bem verdade.

Preconceito

Um tipo lê certas coisas e só não fica em estado de pasmo absoluto porque já se detectaram os novos alinhamentos mediáticos em matéria de Educação.

O DN publica hoje uma peça baseada num estudo do projecto aQeduto, com apoio da FFMS e do CNE sobre a retenção dos alunos do 4ºano. Declaro desde já que, por vontade pessoal, deixei de aceder a estes estudos por via da FFMS e exactamente por discordar da estratégia mediática seguida na sua divulgação, pelo que só posso fazer uma avaliação a partir dos elementos da notícia em que se afirma que os alunos rapazes e estrangeiros têm mais probabilidades de chumbar.

Tudo bem, afinal haverá sempre grupos de alunos que chumbam mais do que outros e há pelo menos uns 25 anos que temos literatura que identifica e explica o subdesempenho académico masculino; o facto de alunos não nacionais também terem mais insucesso parece uma evidência. Aliás, um dos autores é claro quando declara, ao arrepio de muitas teorizações da treta que:

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Ou seja, o estudo não comprova as teses de que os alunos que ficam retidos vão replicar esse insucesso no futuro.

Este detalhe, no entanto, foi deitado fora por uma articulista do jornal, de sua graça Joana Petiz, que parece ser subdirectora do DN e especialista aprofundada em Educação Avançada, que não hesitou em botar sentença definitiva sobre o preconceito alheio:

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COmo se pode ler no fim da notícia, o presidente do CNE não se surpreende. Surpreso ficaria se ele se surpreendesse por lhe confirmarem as crenças. Lamento, as coisas são o que são, não há necessidade de recados. Há professores preconceituosos? Claro que há. Não sei se serão estatisticamente relevantes… ou se são 10-15%.

Não conheço a senhora opinadora mas consigo, desde já, adivinhar que é apressada nas conclusões sobre discriminações, sem se preocupar em saber se há explicação para isso. Nem vou escrever tudo o que penso sobre a matéria, porque o dia foi longo e a paciência para a parvoeira encartada bastante reduzida. Limito-me a deixar a primeira resposta que o Manuel Micaelo deu ao jornal sobre isto. Porque alguém deve ter bom senso no meio desta maralha ululante:

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Nobel

Tenho por aí o primeiro volume da autobiografia do Bob Dylan. Médio mais. Bom, vá lá… não é material para nobelices, acho eu. Mas percebo a importância que teve para toda uma nova maneira de escrever canções, mesmo se para a minha geração é quase pré-história. Para mais, a minha música favorita dele é uma das mais mal amadas pelos fiéis…

Digamos que também já houve premiados bem menos relevantes…

Menos com Menos

A nova fórmula.

Portanto… em vez de melhorarmos as condições para aprofundar e desenvolver  as aprendizagens dos alunos, fiquemo-nos pelo “essencial” e chamemos-lhe caminho para o “pensamento crítico”, como se este fosse possível sem indivíduos bem informados.

Até tem a vantagem de nos poderem dizer que estamos a ganhar menos, mas como teremos menos para ensinar, não há razão para grandes queixas.

E haverá quem diga que é um progresso em relação ao “mais com menos”. O que até é verdade…

lampadinha21